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Sérgio Moro é casado com advogada do PSDB

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A “República do Paraná”, que investiga a corrupção na Petrobrás, se revela, cada vez mais, um núcleo ultra-tucano.

Vejamos.

Os delegados federais da Lava Jato são tucanos tão descarados que operam nas redes xingando Lula, o governo, e dando loas a Aécio Neves.

Até os réus presos, por supostamente pagarem propina a servidores da Petrobrás, são quase todos tucanos. Vide o caso deste último, executivo da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, mencionado no último post.

O cidadão passou décadas mamando nos governos do PSDB, sabe-se lá com que tretas, aproveitando-se inclusive de ligações familiares, visto que seu primo, Marcos Mendonça, é um tucano de alta plumagem que sempre ocupou altos cargos em governos tucanos.

Aí o cara é pego num esquema da Petrobrás, e resolve delatar quem? O PT, é claro.

O outro réu que decidiu fazer delação premiada, Alberto Youssef, é um tucano das antigas. Fez-se na vida lavando dinheiro e operando sempre para o PSDB. Foi preso e condenado inclusive por isso. Aceitou a delação premiada, jogou a culpa nos outros, foi solto e correu de volta para o mundo do crime. Como é tucano, e tucano pode tudo, o juiz lhe deu outra chance de entrar no jogo da delação.

Seu advogado, Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, tinha uma sinecura no governo do Paraná, do PSDB.

A Globo e Basto fizeram até tabelinha, para combinar uma narrativa bem legal, contra o PT, naturalmente.

E quem Youssef resolve delatar? O PT, óbvio.

Agora descobrimos que a própria família do juiz Sergio Moro é ligada ao PSDB.

Segundo apurado pelo site Poços 10, com apresentação de provas, sua esposa, a senhora Rosângela Wolff de Quadros Moro, presta assessoria jurídica ao governo do Paraná.

Para a coisa ficar ainda mais estranha, o escritório de sua esposa presta serviços à Shell, petrolífera estrangeira concorrente da Petrobrás.

Num mundo perfeito, onde as pessoas soubessem separar totalmente o público e o privado, não haveria nada demais.

Mas o mundo não é perfeito. E a operação Lava Jato se revela profundamente politizada.

É evidente que Sergio Moro está cercado por um antipetismo raivoso: no governo, na classe a qual pertence, na sua categoria profissional, no seio da família, na empresa da esposa, na grande mídia.

É muito difícil ser imparcial num ambiente assim.

O Brasil vive um “bolivarianismo” às avessas.

Acusa-se, injustamente, o chavismo de controlar as instituições democráticas para que estas trabalhem em prol do governo.

Aqui as instituições, ao invés de trabalharem em harmonia com o governo eleito, se esforçam para derrubá-lo.

Moro faz um jogo perigoso; ao determinar o que vaza e o que não vaza dos depoimentos, permite que aqueles mesmos que ele, como juiz, considera suspeitos, influenciem a agenda política nacional.

Esse é o maior absurdo.

Deixar bandidos pautarem a agenda política da sétima economia do mundo.

Depoimentos de delação premiada são sigilosos justamente para evitar o que está acontecendo. Acusações falsas, manipulação por parte dos delatores, assassinatos de reputação; enfim, todos os riscos inerentes à delação premiada.

Eu queria saber outra coisa.

Gerson Camarotti, da Globo, ainda não explicou o post que publicou no dia do penúltimo debate da campanha presidencial na TV.

Camarotti informou que Alvaro Dias, senador tucano do Paraná, e Aécio Neves, candidato do PSDB, tinham recebido a íntegra dos depoimentos de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, que incriminavam a cúpula do PT.

A informação era auto-acusatória.

O desespero do PSDB e da Globo lhes fez perder a prudência. Ora, então era assim? A Justiça do Paraná entrega aos tucanos tudo que eles querem? Ou seria pior? A Globo fazendo o jogo sujíssimo de Aécio, ameaçando Dilma e o PT com um blefe?

Era blefe e jogo sujo da Globo porque se o PSDB tivesse algo quente teria dado à Veja ou Globo antes da eleição. Uma coisa concreta poderia lhe garantir a vitória naquele momento.

Eu queria ver, no entanto, a Operação Lava Jato como um marco importante para o país, a oportunidade de mudarmos a cultura de corrupção iniciada há muito tempo e consolidada durante o regime militar, período no qual as atuais empreiteiras formaram uma espécie de cartel.

As mesmas empreiteiras, aliás, que sempre bancaram a mídia.

Ditadura, empreiteiras, mídia, filhos dos mesmos pais: a corrupção e o autoritarismo.

Se conseguirmos controlar os impulsos golpistas da mídia e do judiciário, que estão fazendo de tudo inclusive para melar a investigação, para depois gritarem pizza!, novamente botando a culpa no governo, a Lava Jato pode dar bons frutos.

A Petrobrás, por exemplo, criou algo que deveria ter feito há tempos. Uma diretoria especializada em detectar corrupção na estatal. A estatal, porém, continua desprezando iniciativas criativas de comunicação. O blog está lá, inerte, confuso e feio.

Dinheiro para investir em publicidade na mesma mídia que lhe acossa dia e noite, isso não falta.

Não eximo o governo e o PT de suas responsabilidades perante a corrupção. Só não concordo que a resposta seja derrubar a presidente ou paralisar o governo.

Falta o governo, através do Ministério da Justiça, fazer o que faz a Suécia, modelo neste sentido: criar núcleos de monitoramento anticorrupção para cada grande obra em andamento no país.

Quando tivermos um Ministro da Justiça, poderíamos pensar em alguma coisa assim.

A presidenta ou alguém do governo também poderia vir a público e nos refrescar a memória acerca de todas as ações que o governo já tomou e pretende tomar para combater a corrupção no país.

O silêncio do governo é enervante. Não pode contratar um porta-voz?

Apesar de tudo isso, não acredito em golpe. Nossa tradição conciliatória, que às vezes nos irrita tanto, por prolongar situações tensas por um longo período, também tem suas vantagens. O instinto golpista sossegará em breve.

Seria paranoia, além disso, achar que todas as instituições, cada uma em sua totalidade, estariam tomadas pelo golpismo, ou pelo ódio ao governo.

Não é assim, felizmente.

A maioria das pessoas, dentro das instituições, mesmo aquelas críticas ao governo, e ao PT, ainda tem suficiente bom senso para entender que o Brasil precisa de um mínimo de estabilidade institucional para poder avançar.

Em 2018, haverá outra eleição, e a oposição já provou a si mesma que pode ganhar.

É ingenuidade achar que a oposição vai deixar de bater no governo. Faz parte do jogo.

Apenas exigimos que a democracia e os direitos humanos sejam respeitados.

Que a justiça seja prudente, sábia e imparcial.

Que o combate à corrupção seja sincero, e não um subterfúgio para driblar a vontade popular.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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