Globo aciona pistoleiros para enganar leitores sobre imprensa internacional - O Cafezinho

O Cafezinho

terça-feira

26

abril 2016

29

COMENTÁRIOS

Globo aciona pistoleiros para enganar leitores sobre imprensa internacional

Escrito por , Postado em Conteúdo Livre

Como era de se esperar, a Globo, porta-voz oficial do golpe, iniciou uma operação de propaganda para evitar que a opinião pública brasileira seja influenciada pela imprensa internacional, que, em sua grande maioria, tem denunciado o golpe midiático no país.

O objetivo é óbvio: garantir que o golpe transite sem sobressaltos no Senado.

Para tal, acionou um de seus mais astutos pistoleiros, Pedro Doria, que publica artigo hoje no Globo que é uma obra-prima de mentira e manipulação:

ScreenHunter_50 Apr. 26 09.15

O texto é um contra-ataque direto e confesso (os blogs são citados) aos “blogs”, em especial a este Cafezinho, visto que alguns dos editoriais da imprensa internacional mencionados foram publicados apenas por aqui.

Como seria de se esperar vindo da Globo, é um modelo de desonestidade, sobretudo porque, diferente do Cafezinho, não dá link nem traduz nenhum dos editoriais, artigos ou reportagens mencionados. O leitor não pode conferir nada por si mesmo. Tem de acreditar na palavra do articulista da Globo.

Trechos:

 

Um dos textos mais citados é “A razão real pela qual os inimigos de Dilma Rousseff querem seu impeachment”, publicado pelo jornal britânico “The Guardian”. É um artigo de opinião avulso, assinado por David Miranda. Não é a opinião do jornal. É a opinião de um cidadão brasileiro.

Sim, é a opinião de um cidadão brasileiro…

Por aí se vê o vira-latismo da Globo, menosprezando o artigo no The Guardian por ser a opinião de um “cidadão brasileiro”.

Ora, o artigo foi publicado com destaque, em português e em inglês. E o jornal não publicou nenhuma opinião de cunho golpista, nem jamais publicou, em outra ocasião, nenhum artigo em português. Conclui-se, obviamente, que o Guardian abrigou com muita simpatia a opinião de um… cidadão brasileiro.

Milhões de brasileiros tem saído às ruas, no Brasil e no mundo inteiro, denunciando o golpe. Comunidades de juristas, intelectuais, escritores, artistas, trabalhadores, sindicalistas, estudantes, tem lançado manifestos e organizados debates para denunciar o golpe. Mas a opinião de cidadãos brasileiros, pelo jeito, não tem importância para a Globo…

Chico Buarque, Gregorio Duvivier, Wanderley Guilherme dos Santos, Wagner Moura, Fernando Morais, oito mil juristas, são todos “petralhas” e sua opinião não tem significado nenhum, não é Dória?

Neste link, você achará centenas de organizações, quase todas importantes e qualificadas, que se manifestaram expressamente contra o golpe.

O secretário geral da OEA se manifestou contra o golpe. A UNASUL se manifestou contra o golpe. Há grupos de juízes e promotores públicos que se manifestaram contra o golpe.

Para a Globo, porém, nenhuma dessas manifestações existe, porque não existe golpe, certo?

Aliás, ainda no que toca ao Guardian, Doria esqueceu de mencionar outras coisas:

1) que o dono do Globo, João Roberto Marinho, foi humilhado mundialmente pelos comentaristas do Guardian.

2) que David Miranda escreveu uma tréplica genial para o dono da Globo no Intercept, selando em sua testa, com fogo, a marca de golpista.

Em seguida, Doria faz um malabarismo para explicar o pedido de desculpas feito pelo Le Monde, por ter acreditado na mídia brasileira. Maquiavelicamente, Doria dá um jeito de publicar em seu artigo apenas o título do artigo pelo qual justamente o Le Monde pede desculpas.

Outro trecho:

As mesmas críticas generalizadas às instituições políticas brasileiras estão no editorial mais recente, publicado pelo americano “The Miami Herald”. “Os brasileiros não devem se distrair. O crime que trouxe o país abaixo é roubo por parte de quem ocupa cargos públicos. Que sigam atrás dos bandidos e deixem para os eleitores o destino de políticos incompetentes.” Para os editorialistas, a incompetente é Dilma, e bandidos, os políticos envolvidos em corrupção.

O Globo é uma usina de mentiras e manipulação. O editorial do Miami Herald, publicado no Cafezinho, é totalmente distorcido. Ora, o Herald diz que Dilma tem “as mãos limpas de corrupção”. Esse é o trecho mais importante, omitido por Doria. Repito aqui trecho do editorial do jornal de Miami:

“A única maneira do Brasil sair mais forte é o de continuar a contar com as instituições democráticas para julgar o crime e remover os legisladores corruptos do poder. As violações de Dilma, se verdadeiras, são graves, mas impeachment é arma grande demais para se usar para punir por meras questões contábeis.

Os brasileiros não devem ser enganados. O crime que deprimiu o país é o desvio de dinheiro público. Vão atrás dos bandidos, e deixem que os eleitores decidam nas urnas o destino dos políticos incompetentes.”

Ou seja, Pedro Doria mentiu. O Miami Herald afirma, com todas as letras, que as violações de Dilma (se verdadeiras, pondera o jornal), não são passíveis de um impeachment, que “os brasileiros não devem ser enganados”, que as autoridades deveriam ir atrás dos bandidos (ou seja, Eduardo Cunha e os sonegadores), e que os eleitores deveriam decidir o destino dos políticos incompetentes nas urnas.

Outro trecho do artigo de Dória.

Há também uma série de manifestações avulsas de opinião. Dentre as mais populares dos blogueiros governistas está a entrevista concedida pelo jornalista americano Glenn Greenwald a Christiane Amanpour, da CNN. Greenwald, que vive no Brasil e é casado com com o autor do artigo do “Guardian”, é também um premiado e respeitado jornalista que se especializou na difícil relação entre direitos civis e tecnologias digitais. Nas redes sociais, é um crítico contumaz da solução do impeachment. À CNN, disse que “plutocratas veem agora uma chance de se livrar do PT por meios antidemocráticos.” Cita, como contexto, o extenso envolvimento de inúmeros deputados, a começar pelo presidente da Câmara, com escândalos de corrupção. Mas, mesmo quando questionado diretamente por Amanpour, evitou o termo “golpe”.

Que cara de pau, hein, Dória!

A esta altura, com a presidenta já praticamente afastada pelo golpe, o qualificativo preconceituoso de “governista”, que o Globo sempre tentou pespegar nos blogs do campo progressista, já não cola mais. Governista volta a ser O Globo, como foi durante os 21 anos de ditadura, e durante todo o ciclo neoliberal.

Portanto, você, Pedro Doria, é que é um colunista “governista”. O Cafezinho hoje está mais para blog de oposição.

Olhe as manchetes acima de sua coluna, Dória, todas blindando e defendendo Michel Temer. Quem é governista?

Na CNN, Glenn e Amanpour não usam o termo golpe, mas precisa? Se eu descrevo um assalto na rua, preciso usar o termo “assalto”? Não basta descrever que alguém puxou a bolsa de uma senhora e saiu correndo?

Ambos, Glenn e Amanpour, deixam bem claro que o processo de impeachment é surreal, porque uma presidenta honesta, sem crimes, foi derrubada por um punhado de bandidos, com ajuda dos meios de comunicação (leia-se Globo).

Doria continua sua xaropada golpista:

A análise mais favorável à presidente foi assinada pelo correspondente da principal revista de língua alemã, a “Der Spiegel”, e publicada em seu site. Jens Glüsing é o único a criticar a Operação Lava-Jato, de acordo com uma versão traduzida, afirmando que “o sucesso subiu à cabeça (do juiz Sérgio) Moro”. Ele atribuiu “aos partidários de Lula” a advertência de que se prepara “um golpe frio contra a democracia brasileira”.

Mentira! O título da reportagem fala em “golpe frio” (Crise de Estado no Brasil: o golpe frio)! O título, veja bem! É evidente que é também a opinião da revista!

Jens Glüsing critica a Lava Jato porque é um dos primeiros a começar a entender como a operação se tornou uma das ferramentas do golpe.

A matéria termina com essa pérola:

(…) E nenhum compra a ideia de que há um golpe em curso.

É muita cara de pau, sobretudo porque o Globo jamais traduziu ou expôs esses artigos para seus leitores. A primeira referência que traz sobre eles, agora, é apenas para distorcê-los ou inverter inteiramente o sentido de cada um.

A imprensa internacional em peso tem denunciado o golpe no Brasil. Pode não usar a palavra golpe, mas fala em ilegalidades no processo, denuncia a mídia brasileira, enfatiza a inocência da presidenta Dilma e acusa os deputados de serem delinquentes em busca do poder.

Deus tenha piedade de nós! Até quando suportaremos uma imprensa tão diabolicamente golpista!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
Miguel do Rosário

terça-feira

26

abril 2016

29

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

29 COMENTÁRIOS

  1. Miguel F Gouveia
  2. Miguel F Gouveia
  3. Conceição Carneiro
  4. Vera Moraes
  5. Edmar Lopes Braga
  6. Liete Alves
  7. Fernando Ventura Jr.
  8. Eisenheim
  9. maria nadiê Rodrigues
  10. maria clara
  11. Paula Teixeira
    • sargento
    • Noilton Hakime Dutra
  12. Sandra Francesca de Almeida
  13. Gabriel Mattos
  14. James Stewart
    • Adolfo Neto (UTFPR)
  15. Newton Chianca
  16. Douglas Lopes
  17. Adansil da Selva
  18. Ricardo Edmundo Cecconello