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terça-feira

29

novembro 2016

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O xadrez da eleição presidencial francesa de 2017

Escrito por , Postado em Eleições, Theo Rodrigues

Por Theo Rodrigues

 

O cenário para a eleição presidencial francesa de 2017 está praticamente montado.

Neste domingo, a centro-direita francesa definiu seu nome para a disputa.

François Fillon será o candidato dos Republicanos, a ex-UMP, nas eleições presidenciais de 2017.

Nas prévias do partido, que envolveram cerca de 4 milhões de franceses, Fillon superou no primeiro turno o ex-presidente Nicolas Sarkozy e no segundo turno Alain Juppé.

Liberal na economia e conservador nos costumes, Fillon representa um eleitorado católico que é contra o casamento homossexual, por exemplo.

Na extrema direita do espectro político já é certo que a candidata será Marine Le Pen pela Frente Nacional.

Com um discurso exaustivamente nacionalista e xenófobo, não há como deixar de comparar a campanha de Le Pen com a de Donald Trump nos Estados Unidos.

Seu nome, inclusive, é um dos mais certos para ir ao segundo turno da eleição presidencial.

Na esquerda, Jean-Luc Mélenchon anunciou que será o candidato da Front de Gauche.

Formada em 2008, a Front de Gauche é uma frente que reúne o Partido de Esquerda de Mélenchon, o Partido Comunista Francês e diversos outros partidos menores.

Com um discurso em defesa de uma assembleia constituinte que inaugure a 6ª. República no país, Mélenchon é a liderança política que mais tem conseguido mobilizar a esquerda nas ruas.

O grande mistério até aqui reside no Partido Socialista.

O atual presidente, François Hollande, mantem uma popularidade muito baixa, e ainda há dúvidas se seu nome constará das prévias do partido que estão marcadas para janeiro.

O mesmo ocorre com o primeiro ministro socialista, Manuel Valls, que ainda não se decidiu sobre sua participação nas prévias.

Assim, quem irá ao segundo turno contra Le Pen? Mantidas as atuais condições de temperatura e pressão social, Fillon seria hoje o nome.

Mas um segundo turno entre dois candidatos da direita do espectro político seria péssimo para o debate público no país.

Por isso, cada vez mais, é necessária uma pressão internacional para que a esquerda francesa pense em sua unidade para o futuro do país.

A realização de prévias que possam gerar um candidato único do Partido Socialista e da Front de Gauche pode vir a ser essa saída.

Na prática, isso significaria incluir o nome de Mélanchon nas prévias de janeiro.

No entanto, para que isso aconteça, Mélenchon precisa abrir mão de seu sectarismo e o PS de sua moderação exacerbada.

Ainda que a considere improvável, essa é a minha torcida.

 

Theo Rodrigues é sociólogo e cientista político.

 

 

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