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Carol Radd: 8 de março, nenhum direito a menos!

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8 de março: nenhum direito a menos!

Por Ana Carolina Radd, no site da ANPG

“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida.” Simone de Beauvoir

Há mais de um século o 8 de março é a principal data do calendário feminista em todo o mundo. Foi proposta, inicialmente, em 1910, sem data fixa, pela Conferência das Mulheres da Internacional Socialista como Dia Internacional da Mulher Trabalhadora pelo Direito ao Voto. A partir de 1911 em diversos países da Europa e Estados Unidos, após uma tomada de consciência da opressão e discriminação que as mulheres sofriam por milênios, começa-se a comemorar o Dia da Mulher em diferentes datas. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário gregoriano) as mulheres russas deram início a uma greve e com ela o início de revolução Russa. No ano seguinte a data se fixa como Dia Internacional da Mulher.

Apesar de todo esse tempo na luta por direitos as mulheres ainda hoje são desprivilegiadas na hierarquia social. Durante muitos anos tiveram a educação voltada estritamente para cuidado do lar, sendo preparada para ser uma boa dona de casa e esposa. As mulheres entraram no século 20 analfabetas e terminaram o século com escolaridade maior que a dos homens. Em 2001, 52% das pessoas com diploma superior no Brasil eram mulheres.

Apesar da maior escolarização e com entrada massiva no mercado de trabalho continuam sendo as principais responsáveis pela organização do trabalho doméstico e as atividades de cuidado. São a maioria no desempenho do trabalho informal e precarizado, além de receberem em média, 76% do salário dos homens, desempenhando a mesma função – uma mulher negra chega a ganhar 40% menos que um homem branco.

As mulheres correspondem a maioria do corpo discente das universidades, mas representam apenas 28% do conjunto de pesquisadores. As cientistas do sexo feminino quando comparado com os cientistas do sexo masculino, em geral, recebem recursos menores para pesquisa e salários mais baixos, consequentemente apresentam menor desempenho/produtividade, tendo também menor acesso aos altos cargos acadêmicos. De acordo com dados do CNPq 76% dos cientistas de nível sênior que recebem bolsas de pesquisa no país são homens.

Segundo a ONU, no que tange à qualificação e formação superiores as probabilidades de uma mulher obter um diploma de bacharel, mestre e doutor em campos relacionados à ciência seriam de, respectivamente, 18%, 8% e 2%. Para os estudantes homens, os valores aumentariam, chegando a 37%, 18% e 6%.

Pesquisas realizadas em diversos lugares do mundo demonstram que as mulheres ingressam na universidade, fazem mestrado, doutorado e depois abandonam suas carreiras. As conclusões apontam que a dupla jornada e as obrigações com a vida doméstica juntamente com o sexismo do ambiente do trabalho pesam contra elas. Problemas estes muito semelhantes aos enfrentados por mulheres em outras profissões.

É por isso que, neste 8 de março, nós mulheres pós graduandas, nos juntaremos às mulheres trabalhadoras de todo o mundo, seguindo nossas ações para mudar a vida das mulheres e para mudar o mundo. Seguiremos na luta por igualdade em uma sociedade sem exploração de classe, sem racismo, sem opressão das mulheres, com respeito pela diversidade, por uma vida sem violência e que garanta a autonomia e a vida das mulheres.

No Brasil, articulada com a luta contra o golpe e pela recuperação da democracia e por um projeto que avance na construção da igualdade em nosso país levantamos nossa bandeira contra a reforma da previdência e por nenhum direito a menos. Temer sai, aposentadoria fica!

Ana Carolina Radd  é Diretora de Mulheres da Associação Nacional de Pós-Graduandos e Doutoranda em Ciências Sociais PUC-Rio.

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