Para atingir Lula e o PT, a mídia muda a cor do herdeiro da Odebrecht - O Cafezinho

O Cafezinho

segunda-feira

17

abril 2017

364

COMENTÁRIOS

Para atingir Lula e o PT, a mídia muda a cor do herdeiro da Odebrecht

Escrito por , Postado em Bajonas Teixeira

Por Bajonas Teixeira

No Brasil a cor da pele atua em profundidade sobre o inconsciente e, pelos efeitos que produz, é usada como o mais poderoso argumento da mídia para convencer os leitores. Marcelo Odebrecht percorreu todas as cores da degradação desde sua prisão em 2015, foi preto, foi mulato e foi moreno. Mas, de forma muito interessante, quando a lista de Fachin e a liberação das denúncias da Odebrecht puderam ser usadas contra Lula, a partir da semana passada, o herdeiro da Odebrecht foi embranquecido pela mídia.

Evidentemente essa não é uma foto original, mas uma imagem de vídeo editada ao extremo para os fins do clareamento facial.  A imagem que se vê ao lado dela, escurecida e amorenada, foi usada durante todo o tempo em que interessava à mídia pintar o personagem como um vilão. Observem o fundo, que é o mesmo nas duas imagens, tiradas dos depoimentos, mas que muda inteiramente conforme a edição aplicada.

A foto com um Marcelo Odebrecht branquinho e aleitado, foi estampada primeiro no UOL, no sábado dia 15, e, sem seguida, reproduzida no G1, espalhando-se depois por toda a mídia. A primeira imagem foi essa aqui:

 

Esse uso, no que se refere a imagem dessa figura, vêm de longe. Em 2015, logo após ser preso, e quando interessava associar Marcelo Odebrecht ao PT (diferente de hoje em que, como denunciante, a mídia quer dar a ele toda a credibilidade possível contra o PT), sua imagem apareceu como o oposto total, empretecida e bastante imersa em sobras.  Esse Marcelo Odebrecht do Mal deveria ser demonizado para que o estofo de maldade que se conseguisse inserir nele comprometesse o capital político do PT, apressando o impeachment de Dilma. Dentro dessas coordenadas, era assim que aparecia na capa da revista Época, edição  889, em Junho 2015, o Marcelo Odebrecht do Mal:

 

A mídia já estabeleceu que existe uma cor da honestidade, da confiabilidade, da credibilidade e da pureza, que é o branco. E outra, que é a cor do crime, da bandidagem, da violência e do perigo, que é o negro. E esses princípios, de tão batidos, tornaram-se evidências compartilhadas por toda a classe média branca no país, de direita ou de esquerda, e pela maioria do público não branco.

Seria do maior interesse das forças que lutam pela democracia do país, que essa prática, com toda a carga de discriminação que carrega, fosse interditada no Brasil. É que ela serve, sobretudo, de veículo à propagação dos velhos estereótipos herdados da Colônia e do Império, de quatro séculos de escravidão. A sua reprodução e vigência hoje é completamente contrária aos preceitos democráticos e ao estado de direito.

Sua continuidade só serve a um biopoder que reconstrói, com as máscaras de uma sociedade democrática, as hierarquias, os preconceitos, as tremendas distorções judiciais incompatíveis com uma forma social baseada na cidadania. Como se poderá ter justiça se, com os preconceitos vigentes, o negro já é a cor do crime e o branco, a da inocência? E em que uma simples mudança de cor na edição de uma foto, significa uma radical mudança de caráter e de credibilidade?

O retorno tão radical, como se vê pela virada nas fotos de Marcelo Odebrecht nesta semana,  aos ritos e obsessões raciais mais grotescos da sociedade brasileira, aponta claramente que vivemos uma fase de aguda regressão histórica. E o caso é mais grave quando se considera que a chamada “esquerda”, está tão afogada nesses preconceitos que, em geral, sequer percebe o jogo da mídia. E, portanto, não se ergue à altura necessária para combatê-los.

COMPARTILHE. Visite e curta a MÁQUINA CRÍTICA: www.facebook.com/MaquinaCritica

Salvar

segunda-feira

17

abril 2017

364

COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

364 COMENTÁRIOS

  1. Pedrinho
  2. Bruno
  3. Anônimo
  4. Bruno
  5. Cassio
  6. Alexandre
  7. Marcelo Machado
  8. Luiz Carlos P. Oliveira
  9. Jose carlos lima
  10. mel
  11. Juliana
  12. Fransergio Migno
  13. Anônimo
  14. Enock
  15. Enock
  16. Maria Cristina Soares
  17. Luiz
  18. William
    • Lando carlos
  19. Rogério Bezerra
  20. Anônimo
  21. Jose carlos lima
  22. Carreira
    • Jorge Elias
  23. Carreira
  24. Danyyel
  25. Danyyel
  26. vitorf
  27. Zano lopes
  28. a.ali
  29. Habien
  30. Zezeka arts Oliveira Matos
  31. Marina Boch
    • Marcos Moura
      • Carlos
  32. FELIPE SPARRENBERGER
  33. FELIPE SPARRENBERGER
    • Carlos
  34. Jorge Valério
  35. Leonardo
  36. A. P. Preusnit
  37. Edith
  38. Mortimus
  39. Sidnei Oliveira
  40. Anônimo
    • Gigi
    • A. P. Preusnit
  41. Alex Rener
  42. C N Morais
  43. A. P. Preusnit
  44. Rubem
  45. tio Rei
  46. Selin
  47. Heitor
  48. MIGUEL SAMPAIO
  49. Sidnei
  50. Jair Melo
  51. VEras
  52. Petrus Silva
  53. A vida como ela é
  54. Homo Sapiens
    • Luiz
  55. Helena
  56. Benjamim Bandeira Filho
  57. Roger
  58. Anônimo
  59. Marina Boch
    • Homo Sapiens
  60. Leandro
  61. Homo Sapiens
  62. Oscar