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Novo presidente do BNDES escalpela historiador golpista

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(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A vida tem essas coisas.

O novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, um liberal, decidiu ser honesto e defender a instituição.

Em entrevista a Jovem Pan, diante de um Marco Antonio Villa alucinado, o qual, acompanhado por uma jornalista, tenta induzir Castro a chancelar alguma de suas afirmações delirantes, sobre o BNDES ter ajudado “ditaduras” da Africa negra, “ditaduras” bolivarianas, Cuba, etc, o novo presidente do BNDES dá um show de lucidez e põe todos os pingos nos is.

Aliás, é um tanto assustador ouvir Villa repetindo a expressão “África negra”. Não vejo alguém se referir à Europa, como “Europa branca” ou à Ásia, como “Ásia amarela”.

Eu nunca tinha assistido esse programa de Villa. De fato, o sujeito é uma caricatura. É um comentarista de G1, um vazador de chorume que ganhou um programa de rádio.

Senti pena do Castro ao ter que lidar com um monstro desses.

Mas Castro o enfrentou e o escalpelou. Disse que não encontrou nenhuma corrupção no BNDES, nem agora nem nos anos Lula e Dilma. Disse que as operações de financiamento a exportações de serviços de engenharia foram acertadas e deram muito lucro ao BNDES e, portanto, aos brasileiros. Referia-se tanto ao porto de Cuba às obras nos países africanos.

Explicou a Villa que um banco não pode fazer esse tipo de avaliação (evidentemente desequilibrada) sobre “ditaduras” da “Africa negra” ou “ditaduras bolivarianas”.

Castro tentou explicar a Villa que se um país ficar fazendo esse tipo de avaliação, não vai fazer negócios com ninguém. Poderia ter acrescentado ainda que a China é uma ditadura, a Arábia Saudita é uma ditadura, e tem muita gente que chama os EUA de uma potência imperialista diabólica. Em matéria de comércio exterior, é prudente todavia baixar a bola da retórica política.

O papel do BNDES é ajudar empresas a fazer negócios no exterior, gerando empregos e divisas para o Brasil, ponto.

Castro disse que os financiamentos para o BNDES e JBS, no ranking do BNDES, ficam lá embaixo da lista. Que o BNDES financiou outros frigorícos também. E que o financiamento, especificamente para o grupo JBS, foi muito bem sucedido e acertado.

Enfim, deu uma aula belíssima de BNDES.

Para isso, porém, Castro teve quase que gritar no programa, para se impor. Não foi fácil. Villa e outros apresentadores portavam-se o tempo todo como histéricos machartistas, fazendo comentários exagerados, usando expressões políticas chulas.

Há um momento em que Villa, decepcionado com o fato de Castro não corroborar suas teses insanas sobre o BNDES, afirma que, segundo o novo presidente do BNDES, Lula teria sido um “grande estadista”.

Em alguns momentos, Castro, vendo que estava diante de bestas feras que estavam ali apenas para arrancar falas contra o PT, lança uma ou outra abrobrinha para saciar a sede de sangue delas. Sobretudo, com uma ironia incrível, elogia Marco Antonio Villa e a Jovem Pan o tempo inteiro.

Chama Villa de “grande intelectual”, dotado de “verbe”, “brilhantismo”. É a técnica que ele encontra para furar o bloqueio da mídia fascista e defender o papel do BNDES para a economia brasileira.

Num outro momento interessante do vídeo, Rabello lembra aos comentaristas histéricos da Jovem Pan que Lula e Dilma “foram eleitos” e, portanto, suas decisões estratégicas sobre o papel do BNDES vieram, na verdade, dos eleitores que assim decidiram.

A história dos “campeões nacionais” também foi posta em seu devido lugar por Castro. Perguntado se o BNDES manteria a política de criar “campeões nacionais”, Castro respondeu que, “fatalmente”, alguma das empresas brasileiras beneficiada pelos financiamentos do BNDES poderá se tornar uma campeã, ganhar mercados aqui e lá fora. Foi um cheque-mate no viralatismo de Villa! Castro explicou que o que a mídia fica chamando de “campeões nacionais”, no caso Odebrecht e JBS, foram apenas algumas das grandes empresas, dentre dezenas, que receberam crédito do BNDES. Gerdau, Vale, Petrobrás, estados, prefeituras, todas as grandes empresas nacionais, privadas e estatais, receberam crédito do BNDES – porque é para isso que o BNDES existe. Lembrou também que milhares de micro, pequenas e médias empresas também receberam crédito.

Temer, desorientado, mergulhado em crise política, acossado por todo o tipo de denúncias, parece que se distraiu e deixou que lhe indicassem um cara decente para presidir o banco.

Ufa.



Miguel do Rosário

Miguel do Rosário

Editor em Cafezinho
Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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