De novo o perigo de não termos 2018 – O Cafezinho

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agosto 2017

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De novo o perigo de não termos 2018

Escrito por , Postado em Redação

(O gráfico acima, com o resultado eleitoral do plebiscito sobre presidencialismo, está no site do TSE)

Por Denise Assis

Não sejamos inocentes. Em 8 de marco deste ano, às 14h20, publiquei um artigo aqui, no Cafezinho, sob o título: “Gilmar e Globo querem adiar eleições de 2018. “Liguem o pisca alerta”.

O texto chamava a atenção para uma entrevista do ministro do Supremo e presidente do TSE, Gilmar Mendes, em O Globo, em que aventava a possibilidade de se adiar as eleições de 2018, para empreender uma reforma política.

Ora, em pleno andamento do golpe, levado a cabo em agosto de 2016, quando tiraram Dilma Rousseff do poder – depois não querem que a gente rotule este mês de aziago! Era, no mínimo, estranho que o padrinho de Aécio Neves viesse a público com esta conversa.

O cenário, àquela altura, era o pior possível. Seu candidato, o “mineirinho”, mais enrolado que tudo se mostrava inviável para entrar na próxima disputa. Claro estava que era preciso embolar o jogo. Arremessar a bola no mato. Desculpem, mas só para reavivar a memória, vou copiar a mim mesma:

Para Gilmar, será impossível organizar as eleições (e obviamente ele está falando da majoritária, é claro), apenas com doações de pessoas físicas. E, caso não se alarguem as margens dessa exigência, lança dúvidas sobre a realização do pleito. Alguém tinha dúvidas de que em algum momento um “mágico” do time deles viria posar de arauto de uma ditadura que vem se desenhando desde abril de 2016? Alguém acreditou que, com Lula na casa do índice de 40% de preferência nas pesquisas, a turma deles iria permitir que a eleição transcorresse com tranquilidade? Apertem os cintos.(O Cafezinho 08/03/2017)

De lá para cá, o caminho percorrido nos levou à denúncia de Michel, no cargo; à condenação do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, numa sentença inconclusiva do ponto de vista da apresentação de provas e, por fim, a sua permanência em primeiro lugar para as eleições de 2018. Sem contar que a economia só patina e não decola, e Michel tem índice de (im)popularidade na casa de constrangedores 5%. Ninguém mais o quer por perto. Nem a Globo. Michel está naquela fase em que, “amor”, só pagando.

Diante de tal quadro (desolador), entrou em pauta – por sugestão do próprio Michel, um furor pela “reforma política”. A troca do sistema de governo pelo parlamentarismo, já duas vezes “gongado” pela população.

Os maiores de 60 têm vivo na memória o jingle:

“Parlamentarismo não, o povo tem razão, vamos dizer que não. Não, não, não, não, vamos dizer que não”, que nos trouxe de volta ao presidencialismo, em 1963.

A recusa foi bisada em 1993, quando o povo decidiu que era o presidencialismo a melhor forma de se comandar o Brasil. Sábia decisão. A sociedade parecia antever que teríamos um Congresso onde há deputados que, durante o expediente, ficam no zap a implorar que alguém lhe envie a imagem de uma bunda. Vivemos para ver isto. Imaginem esses senhores tendo plenos poderes para destituir o chefe da Nação.

Alguém, em sã consciência acredita mesmo que eles estão falando sério? Claro que não. Tudo não passa de um balão de ensaio para tumultuar ainda mais o processo de degredo a que fomos relegados. Lançam a discussão, concluem – como o “canal oficial” já tem noticiado – que não haverá tempo para esmiuçar a questão da reforma a tempo das eleições. Alegam que o modelo não está bem desenhado, e??? Adiam 2018! E o que teremos? Lula fora da disputa e Michel por mais dois anos. Vocês vão pagar para ver?

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Denise Assis

Denise Assis

É jornalista e passou pela Veja, Isto É, Jornal do Brasil, O Globo, e O Dia. É autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". Também é idealizadora da coleção "Elas São de Morte" e autora de "Vende-se vestido de noiva", lançada pela Editora Rocco. Foi assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da CNV, e assessora-pesquisadora da Comissão da Verdade do Rio. Também coordenou os trabalhos de elucidação da explosão da bomba da OAB. É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.
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