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O escândalo das emendas em SP

Por Miguel do Rosário

06 de novembro de 2011 : 10h07

Matéria publicada hoje na Folha deve causar um leve fremir de penas no tucanato paulista. Os dados relativos à liberação de emendas pelo governo do estado foram tornados públicos pela primeira vez anteontem, por decisão de Alkcmin, na esteira do escândalo iniciado com declarações do deputado Roque Barbiere, segundo o qual, seus colegas negociariam emendas com empreiteiras. Barbiere não revelou nomes e o caso foi abafado. A grande imprensa também não parece muito entusiasmada em investigar.

O mais incrível é o crescimento dos montantes liberados pelo governo estadual durante a gestão Serra. Em 2007, foram somente R$ 14,7 milhões, saltando para R$ 137,4 milhões em 2008, e para R$ 257 milhões em 2010.

No entanto, é preciso esclarecer o leitor que não há nada, em teoria, de errado em liberar emendas para os parlamentares; em tese, também, quanto mais dinheiro melhor, desde que as emendas sejam aplicadas corretamente e em obras necessárias. O problema é que abundam, em São Paulo, denúncias de corrupção em torno destas emendas. Bruno Covas, um dos pré-candidatos tucanos à prefeitura paulista, cometeu a indiscrição de afirmar que havia recebido proposta de suborno de uma empresa; depois tergiversou e disse que aventara apenas uma situação hipotética, e sumiu da mídia, praticamente se descredenciando para as eleições municipais do ano que vem.

O eixo mais importante da matéria, no entanto, não é a corrupção, e sim a descarada preferência partidária (e portanto, antirrepublicana) dos governos tucanos. A realidade mais uma vez mostra que o “aparelhamento” do Estado e a política “companheira” não é exclusividade do PT. A matéria, contudo, sequer tem chamada na capa, e figura somente na página A10.

O caso poderia ter mais repercussão se o PT paulista fosse um pouco mais atuante. Não é o caso. Ao contrário, PT paulista apoiou, inexplicavelmente, a reeleição de Barros Munhoz (campeão das emendas), ao cargo de presidente da Assembléia Legislativa do estado.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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spin

25 de novembro de 2011 às 07h49

Como vc analisa os jornais, portais, JN, etc, só para vc inteirar-se…um artigo que não saiu no G1, Folha, Veja,,,,pelo menos não está na web: A Agência Brasil publicou um artigo sobre o acesso de Dantas às provas da Sartiagraha Ocorre que o portal Terra acrescentou, ao final do artigo, uma parte que não consta do artigo da Agência Brasil Link da Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-11-2…. Aqui o link do portal Terra, veja que os dois artigos não batem mas o Terra atribui a autoria a Agencia Brasil http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,O….

Fiquei na dúvida quanto ao interesse do Terra em frisar que Protógens de Queiroz foi eleito por causa do quoeficiente eleitoral, também incluiram o mensalão no rolo. Pelo que sei a Sartiagraha não foi desencadeada por ter sido descoberta durante as investigações do mensalão, pelo menos no wikipedia não consta isso.

Esta é a definição para a Sartiagraha, no Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_S
……..
Este é o artigo que foi acrescentado pelo Terra ao da Agencia Brasil:

Operação Satiagraha Comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, eleito deputado federal com a ajuda do quociente eleitoral, a Operação Satiagraha cumpriu 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e em Brasília em 2008. Foram presos na ocasião o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, que morreu de câncer em 2009, o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas. Os presos foram acusados por crimes como formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, entre outros. O grupo teria movimentado cerca de US$ 1,9 bilhão em paraísos fiscais. Gravações da PF indicariam que Pitta receberia dinheiro em espécie do grupo, diretamente no escritório de Nahas. Os valores que o ex-prefeito receberia teriam chegado a R$ 50 mil em um único dia. Segundo a PF, a operação resultou das investigações do chamado mensalão. A Polícia Federal afirma que o suposto esquema comandado pelo publicitário Marcos Valério desviava recursos públicos para o mercado financeiro. A operação contaria com a participação do banqueiro Daniel Dantas. De acordo com a polícia, outro grupo, comandada por Naji Nahas seria responsável por lavar o dinheiro obtido ilegalmente no mercado de capitais.

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