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Jatinho da Veja não decola; mas denúncia de Istoé complica Lupi

Por Miguel do Rosário

13 de novembro de 2011 : 11h38

A denúncia da Veja não parece ter provocado entusiasmo em seus colegas de imprensa. Ainda mais depois que o Ministério do Trabalho divulgou nota explicativa, com foto e tudo, desmentindo vários aspectos da matéria. Mesmo assim, os jornalões vieram com chamadas idênticas na primeira página, o que mostra que ainda há uma espécie de ação organizada, para enfraquecer e derrubar Carlos Lupi, pendurando-o na parede como mais um troféu da imprensa livre.

No Globo e na Folha, as chamadas de capa sobre Lupi foram pequeninas, na parte inferior do jornal. No Estadão, o destaque foi um pouco maior: veio na parte superior.

Seria injusto, todavia, acusar a imprensa de ter amarelado. As páginas internas dos cadernos políticos vem tomadas por bombásticas notícias anti-governo. O Globo, que vem se notablizando como a ala mais aguerrida da mídia em se tratando de Carlos Lupi, dedicou duas páginas inteiras, ou seja, a totalidade da seção política do caderno O País, ao ministério do Trablalho.

Mas não é a denúncia da Veja que ganhou espaço. Esta aparece, na segunda página, mas sem infográficos, sem fotos, como que acanhada, com as acusações expressas em verbos na condicional (“teria usado”) e trazendo explicações bastante convincentes do Ministério.

O destaque no Globo, ocupando toda a página 3, com direito a um belíssimo gráfico, é para o “loteamento político” do Ministério do Trabalho. A ilustração traz um mapa do Brasil, com setas apontando para boxs com informações sobre os chefes de várias superintendêncais regionais da pasta, mostrando o ministro de braços abertos na parte inferior.

 

Veja um pedaço da ilustração:

Parece um pedaço de carne, cheira como carne, até parece sangrar um pouco, mas é uma goiabada. Não é uma denúncia, e sim um informativo. Em outra circunstância, poderia ser usado até como uma peça de propaganda partidária. Neste sentido, é interessante, porque nos informa, de maneira ilustrada, quem são os ocupantes das superintendências, e faz uma crítica pertinente aos critérios de ocupação de cargos que hoje exercem funções importantes de auditoria nos estados. Supõe-se que deve haver corrupção nessas instâncias, mas não há provas de que esta seria muito menor se fossem ocupadas por “técnicos”.

Na parte inferior da página, temos uma matéria sobre o debate em torno do fim da nomeação política. Segundo a matéria, o Congresso aprovou uma resolução em 2007 em que se estipula um prazo para o Executivo encaminhasse um projeto de lei para definir competências e atribuições das auditorias fiscais das pastas do Trabalho e da Fazenda, e os sindicatos das categorias defendem que o cargo de superintendente seja ocupado por funcionários de carreira.

Como disse, o debate é pertinente, mas fica um pouco deslocado pelos objetivos de fundo da matéria, que é simplesmente enfraquecer Carlos Lupi.

A matéria da Veja foi parar, naturalmente, no Jornal Nacional, com direito a vários lances de câmera sobre as páginas da revista. Imagino que isso tenha um valor publicitário incalculável para os marketeiros da Abril. Ao fim do bloco, porém, a matéria traz as explicações do ministério, reduzindo um pouco os danos à Lupi.

Atualização às 16:00: Nas páginas internas do Estadão, deparo-me com uma série de denúncias contra o Ministério do Trabalho. Vou linká-las abaixo.

Ministério cobrava propina de sindicatos, diz revista
No Rio, convênios privilegiam PDT
Oposição acusa ministro de mentir à Câmara ao negar elo com dono de ONG

A reportagem da Istoé a que o Estadão se refere consiste numa denúncia particularmente grave, porque partindo de uma fonte identificada. Essa sim, se não for contestada muito bem, é daquelas que pode derrubar – e com justiça – um ministro.

Dependendo de como o Ministério, Lupi e os acusados forem retratados, e de como se defendem, na reportagem que deve ser exibida esta noite no Fantástico, o destino de Lupi não me parece muito promissor. E falo no curto prazo.

Atualização 13/11, 01:40 AM: Não foi exibida nenhuma reportagem no Fantástico. A ocupação da Rocinha ajudou Lupi. A via crucis do ministro segue durante a semana.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Luciano Mendonça

15 de novembro de 2011 às 18h30

Fui na "reporcagem" da "Isto foi" e não concluí o que eles concluíram. Primeiro, quem é o autor da consulta, o Ministério ou o SINDREST do denunciante? A parte final do parecer da AGU não diz que o autor não tem razão (quem é o autor?). Parece que o denunciante quer desmembrar a categoria e formar um "novo" Sindicato (o SINDREST desmembrado do SINTHORESP), que é o caso. E a "reporcagem" denuncia que o Ministério do Trabalho criou muitos sindicatos. A matéria depõe contra a manchete. Dê uma apurada, procure quem é o autor do processo no Parecer da Advocacia-Geral da União. Tem 99,9% de chance de ser o denunciante. Assim, não há parecer favorável, meu caro. Cai por terra a "reporcagem".

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Julio

13 de novembro de 2011 às 19h08

Acabo de sair do blog do PHA. Dá um (des)ânimo esse clima de torcida (des) organizada que nos torna torcedores de quem nos torce. Somos humanos, temos características "darwinistas" de adaptação. Desde a Grécia, com a exclusão de escravos & mulheres, Democracia como poder do povo, no duro, na batata, na chincha, sempre encampa um bocado de enganação. Talvez esse teatro de torcidas repartidas em partidos faça tanto alarido justamente por envolver uma quantidade bem menor de atores / espectadores do que o circo do mundo envolvendo, em muitas cidades densas e num campo cada vez mais rarefeito, mais de 7 bilhões de nós. As praças vão ficar cada vez mais movimentadas & inventivas que os tradicionais rarefeitos condomínios onde até a natureza tem lugar marcado.

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baixadacarioca

13 de novembro de 2011 às 19h08

É amigo, tá feia a coisa!…

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Nilo

13 de novembro de 2011 às 17h19

Que susto , pensei que os cargos tivessem sido loteados por gente do PSDB e DEM. Afinal no governo tucano de SP os cargos devem estar sendo"loteados" por gente do PDT e PT; Afinal Sempre é assim a oposição é quem ocupa os cargos de "confiança".

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