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Lupi tropeça

Por Miguel do Rosário

16 de novembro de 2011 : 10h55

O vacilo do blog do Ministério do Trabalho, em mostrar fotos de um Sêneca para negar que Carlos Lupi não tinha viajado num King Air pode ter se transformado numa bala de prata, a mesma a que o ministro se referiu ao afirmar, semana passada, que somente saía “abatido” a tiros.

Faltou humildade em admitir o erro, e informar que as viagens de Lupi pelo Maranhão, naquela data, foram feitas parte num Sêneca, parte num King Air.

Parece que o problema maior de Lupi, desde o início desta crise, seja excesso de confiança, levando-o a adotar um comportamento chauvinista e exagerado.

Seja como for, a história do avião rendeu. E Lupi cometeu alguns erros crassos. Erros, principalmente, de sua assessoria, que deveria ter orientado o ministro, desde o início, a dizer que havia se encontrado sim com Adair Meira em algumas ocasiões, e ter contado a verdade sobre o uso do King Air.

O Globo hoje praticamente anuncia a demissão do ministro, em manchetão de capa. O Estadão também dispara uma bala-manchete de efeito letal.

O Jornal Nacional praticamente repetiu a matéria do dia anterior, acrescentando apenas a voz de Adair Meira, o que deu mais impacto.

Na verdade, a situação de Lupi havia se fragilizado desde a véspera por causa de um senador chamado Cristovam Buarque, da “ala ética” do PDT, que aceitou apor seu nome num pedido de abertura da CPI da Corrupção, provocando calafrios na base aliada e no governo, porque uma investigação parlamentar tão genérica repetiria aquela chamada CPI do Fim do Mundo, com poder e repercussão para, literalmente, paralisar a República.

Para completar o inferno astral do ministro e talvez selar o seu destino, o presidente regional do PDT do Maranhão negou que a legenda tenha bancado o avião. Mais uma vez, a assessoria do ministro mostrou-se desastrada, ao não ter sequer consultado suas próprias bases antes de ter passado qualquer informação.

Quanto à Dilma, fica numa saia justa, mais uma vez, entre “peitar” a mídia e assistir seu ministro ser fritado impiedosamente em praça pública, ou demiti-lo e ganhar uns dias de paz. É um dilema cheio de armadilhas, porque a paz é apenas passageira e a demissão de mais um ministro constitui uma derrota política.  Por outro lado, não me parece que a presidente está interessada em enfrentar a mídia. Ao contrário, parecem-me cada vez mais críveis as versões de que ela está usando a mídia para, na prática, antecipar a sua reforma ministerial.

O problema é o custo dessa estratégia, conforme apontado no Panorama:

O aspecto melancólico dessa história é que, mais uma vez, derruba-se um ministro sem que haja prova de que o mesmo incorreu em algum ilícito. No caso de Lupi, houve um erro de informação sobre o uso do jatinho King Air ou Sêneca, mas isso também não é crime.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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baixadacarioca

16 de novembro de 2011 às 15h45

Eu já disse em comentário anterior que ministro que preza por sua inocência, ao ver seu nome esculhambado na mídia, deveria pedir pra sair nos primeiros momentos das denúncias e, quando inocente, pedir investigações pormenorizadas sobre o imbróglio. Lupi vem escorregando na própria saliva desde suas primeiras bravatas até culminar com aquele ridículo "presidenta Dilma, eu te amo!".

Mas tenho tentado mostrar aos meus pares que esse negócio de pessoas que se viram, se conhecem, não implica em ter relações. Quando pessoas querem esculhambar outras, e em política tem muito disso, motivos não faltam. Quantas pessoas já tiraram fotos com o presidente Lula sem que Lula sequer tem ideia de quem são? Imaginem que eu fosse hoje oposição ao governo federal e desejasse atrapalhar um pouquinho – e tivesse coragem pra isso, poderia hoje falar mal do ministro Aldo Rabelo e, para provar que o ministro me conhece apresentasse uma foto que tenho com o ministro quando este esteve num evento do PT na RioSampa, no Rio de Janeiro. Ora, o ministro não tem a menor ideia de quem sou eu e, embora tivemos um momento de prosa durante um fortuito encontro, ele não me conhece e, ainda que conhecesse não tem um fio de relação comigo.

Em Queimados, onde está minha militância política, conheço o prefeito e ele me conhece, mas não temos nenhuma relação, nenhum negócio, nem pessoal, nem político… Absolutamente nada. Mas tenho fotos em que ele está presente. Isso quer dizer alguma coisa?

No JN mostraram uma foto onde o tal Adair aparece no fundo como um "papagaio de pirata", aquelas pessoas que não podem ver uma câmera que corre pro fundo pra aparecer de qualquer maneira. O fato de terem viajado juntos, ainda que a aeronave pertença ao sujeito e que o ministro tenha viajado nela, não significa que Lupi o conheça e, ainda que o tenha visto, ainda que se lembre dele, não significa que ambos tem qualquer relação política, comercial, afetiva ou casual.

Mas a gente já conhece a mídia e sabe que se os inimigos não tem defeitos, ela arranja alguns e aposta na consciência acrítica do povo.

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reginaldo

16 de novembro de 2011 às 12h44

uma hora os pigs acha a veia ….

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Mônica Santos

16 de novembro de 2011 às 12h37

A bancada que está ressentida tem motivos para isso,pois em troca da alta popularidade de Dilma e do governo, seus partidos estão pagando um preço alto, que é a mancha da corrupção.Enquanto a base segue dando seu apoio nas votações de projetos importantes para o governo,a presidente vai jogando,partidos e ministros ao leões.E aí eu pergunto,qual é o casamento que vai resistir, em uma relação em que apenas uma das partes envolvidas é que está se beneficiando?Não há relação que resista.Todos sabemos que se o Lupi cair, o próximo alvo da imprensa é o ministro das Cidades.Veja a que ponto chegou o governo Dilma,o ministro ainda não caiu e eles já avisam quem será a próxima vítima.Quando todos os ministros de Dilma que vieram do governo Lula estiverem fora do governo é na presidente que eles vão bater e aí ela vai se dar conta do quanto contribui para deixar seu governo tão fragilizado diante da imprensa.A ministra Dilma do governo Lula,não resistiria a uma semana se fizesse parte desse governo.

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    baixadacarioca

    16 de novembro de 2011 às 15h26

    Pô Mônica, a bancada tem que estar ressentida com o ministro que vacilou, não com a presidenta que tem que ver toda essa campanha midiática contrária porque sua base andou fazendo coisas que não devia, e mesmo quando não há motivos culpa, se atrapalham nas explicações.

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_spin

16 de novembro de 2011 às 11h05

Até agora repetiu-se o modus operandi usado na derrubada dos demais ministros. Entramos naquela fase em que a mídia dá como certa a queda do ministro. Enfim, no final do jogo.
Enquanto isso nenhum pio sobre a roubalheira tucana, por sinal, no atacado
Goiás não foge à regra http://josecarloslima.blogspot.com/

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