Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Belo Monte e os artistas

Por Miguel do Rosário

17 de novembro de 2011 : 17h28

Formou-se uma grande polêmica, desde ontem, a partir de um vídeo publicado no youtube com depoimentos de artistas globais declarando-se contrários à construção da usina hidroelétrica de Belo Monte. Sobre isso, gostaria apenas de alertar aos defensores de Belo Monte (entre os quais eu me incluo) que participem da discussão com mais cuidado. O insulto aos artistas me pareceu excessivo e desnecessário. Eles podem não entender nada de energia, mas a sua participação no vídeo foi obviamente desinteressada e altruísta. Ali estavam grandes artistas da televisão brasileira. De qualquer forma, nem vem ao caso discutir o talento de cada um. São cidadãos brasileiros exercendo o sagrado e democrático direito de se expressar.

Também prefiro não comentar a cena realmente ridícula da Maitê Proença tirando o sutiã. Há uma outra cena, com um ator se insinuando sensualmente. Achei de um mau gosto lamentável usar esse tipo de ferramenta midiática para influenciar um debate que é puramente técnico e, em menor escala, político.

Agora, analisando os argumentos expostos pelos artistas, gostaria de discutir os seguintes pontos:

  • Em determinado momento do vídeo, os artistas enchem a boca para falar no custo da obra: R$ 30 bilhões. É um momento bastante desagradável, porque eles passam a ideia de que se trata simplesmente de um disperdício, que o governo enfiou a mão em seus bolsos e tirou de lá a grana, quando na verdade é um investimento com vistas justamente a desenvolver o Norte do Brasil, que ainda é deficitário em energia. Ou seja, não é gasto, é investimento, é um dinheiro que vai voltar numa escala muito superior ao gasto realizado.
  • Em outra parte, eles falam que o Brasil deveria investir em energias “limpas” como a eólica e a solar. Eu sou fã dessas fontes alternativas, e também acho que o governo deveria ampliar os investimentos nessa área. No caso da eólica, há informações de que está havendo uma grande expansão do parque eólico no país. Entretanto, a energia eólica não oferece, nem de perto, o mesmo nível de estabilidade e segurança da hidroenergia. Simplesmente porque é impossível controlar a intensidade dos ventos. O clima no planeta (aí incluindo seu regime de ventos) é naturalmente instável. E tanto a energia eólica e solar ainda não possuem tecnologia que as permitam ser um substituto à altura da hidroenergia quando falamos em larga escala.
Concluindo, eu acho que o Brasil tem um enorme potencial no campo das energias limpas, como as eólicas e solar, e concordo que deveria haver maior investimento nessa área. Mas é irreal achar que essas alternativas substituem a necessidade de uma fonte energética estável, segura e barata, como a hidroenergia, sobretudo na escala de que o Brasil precisa para atender o aumento da demanda esperado para as próximas décadas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Marola1

24 de novembro de 2011 às 18h07

Interessante artigo sobre energia eólica

http://idiarte.wordpress.com/

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@vstiago

19 de novembro de 2011 às 18h15

Estava tendo essa discussão na lista de email do trabalho, então eu escrevi esse email:

Postei no facebook também http://www.facebook.com/vstiago/posts/25887966449

Então cara,

ninguém quer sair por aí destruindo a floresta e tudo mais. Mas a
gente precisa de energia. E hidrelétrica é sim a forma mais
ambientalmente correta de geração.

Solar e eólica são fontes inconstantes, por isso precisam de baterias
para armazenar a energia gerada. Essas baterias tem metais pesados e
outros produtos tóxicos, além de perder eficiência com o passar do
tempo e precisarem ser substituidas.

Vi um artigo do Bill Gates, que ele fala que todas as baterias do
mundo conseguem armazenar 10 minutos da nossa demanda de energia. Não
dá para implementar isso em larga escala.

Sem falar na área utilizada, esses campos de energia eólica ocupam uma
área significativa, além do barulho que eles fazem e o número de
passáros que morrem passeando nessas áreas. Energia solar também
precisaria de muito espaço gerando ilhas de calor que afetariam o
clima e vegetação (além das pessoas e animais).

Depois da hidrelétrica a forma mais eficiente e ecológica é a energia
nuclear. Mas as pessoas tem medo do que não entendem e acham que o
modelo de usina atual é igual ao de chernobil e fukushima feitas a
mais de 40 anos.

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Fernando

18 de novembro de 2011 às 16h12

Atores e atrizes servem para vender shampoo, sutiã, cerveja, celular, carro, Teleton etc, já para falar de Belo Monte não há o menor cabimento. Trata-se de uma questão eminentemente técnica a ser analisada por especialistas. Não é um jogo onde você é contra ou a favor de determinado participante. Afinal quem bancou a produção desse vídeo? Com qual finalidade? Particularmente sou a favor da usina desde que obedecidas as condicionantes.

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wagner

18 de novembro de 2011 às 13h21

Será que esses artistas globais aceitariam abrir mão de parte de seu consumo de energia elétrica para distribuir para os que ainda não tem

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alex

18 de novembro de 2011 às 13h20

LEGAL É VER OS "DEFENSORES DA NATUREZA" ANDANDO NOS SEUS CARRÕES "BEBERRÕES"
Jipes Mercedes, Audi R8, Porsche Cayenne, Land Rover, Volvo XC60, BMWs, VeraCruz e outros.
Vejam do que alguns Globais que aparecem no vídeo gostam..
olha a preocupação com a natureza
para dar exemplo, deveriam usar carros à alcool (energia limpa) não?
Uaí , são contra Belo Monte… mas a favor da poluição, da gasosa …
Que catso de defesa é esta?
VEJAM: http://gente.ig.com.br/materias/2010/09/13/conhec

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alex

18 de novembro de 2011 às 12h16

É A TURMA DO GREENPEACE
moram num prediões de alto padrão
quando acaba a energia pra estes caras, o "geradorzão" liga….
Éh .. aquele movido a Diesel, barulhento e que joga o maior fumacê no ar…
Isso garante pra "turma do contra":
portão eletrônico e elevador funcionando, iluminação no APzão, ducha quente …microondas
Mas e o povão que tá lá no transito, no Buzão?
Ah, estes ferrem-se. Vão ficar horas no congestionamento, vão chegar nas suas casas no escuridão e tomar banho frio.
Que apagão o quê. Vamos defender a natureza, pregam os Globais.
O povão? que se foda …

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elson

18 de novembro de 2011 às 00h14

Miguel , sobre este assunto há um vídeo do Brasilianas . org no site do Nassf . Lá todas as questões e ponto de vista são demonstrados e debatidos .
Entre o país do atraso e o novo Brasil do futuro , que se preocupa em crescer de forma sustentável , eu fico com este ultimo .
Eu não quero o Brasil das socialaites da folha .

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baixadacarioca

17 de novembro de 2011 às 23h07

Cara, eu já tô de saco cheio dessa gentinha que se acha mais gente que os outros. Eu tenho um artigo [O velho Chico e o Chico Zona Sul] onde falo do deputado do Psol Chico Alencar que, oportunista, aproveitou-se da presença de atores como Osmar Prado e a atriz Letícia Sabatella e da TV (é claro!) para fazer coro com o padreco de meia tigela que fazia greve de fome para evitar o bombeamento de água do São Francisco para irrigar as famílias do semiárido nordestino. Disse:

E o que o velho Guandu tem a ver com tudo isso? Que tem a ver o velho Chico nordestino com o Chico Zona Sul e com o velho Guandu? Ora, senhoras e senhores, o Chico Zona Sul apareceu ao lado do ator Osmar Prado e da atriz Letícia Sabatela , todos por detrás de uma faixa de “solidariedade” ao padreco chantagista que prefere a morte de milhares de sertanejos a dividir um pouco da água do velho Chico –que não confundam velho Chico com o Chico Zona Sul (Veja Vídeo TV-Câmara). A Hipocrisia do Chico Zona Sul é de fazer nascer cabelo na careca do Romário sem precisar de medicamentos que comprometam sua carreira por dopping. Logo o Chico Zona Sul, que por toda a sua vida bebeu água transpositada do velho Guandu e jamais se preocupou com água tratada para o povo da baixada fluminense, região onde está localizada a estação guandu de beneficiamento, tratamento e bombeamento de água para a capital Rio de Janeiro.

Estes estão fazendo o que seus patrões mandaram, não tenho dúvida disso. Mas o assunto já não me sensibiliza mais. Quero o desenvolvimento do Norte e do Nordeste; quero as famílias de lá com as mesmas condições que a minha morando aqui na região metropolitana do Rio de Janeiro; quero energia para sustentar o crescimento do Brasil e sou completamente cético quanto a qualquer coisa que me venha da velha mídia.

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Julio Montenegro

17 de novembro de 2011 às 19h21

A Sociedade do Espetáculo foi escrito, acho, em 1968, mas transformar uma convincente análise condenatória sob responsabilidade de técnicos, cientistas, especialistas, num emocionante (?!) desfile (quem dirigiu, produziu, editou, distribuiu?) de estrelas, não deixa de ser um repeningue do bem.

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_spin

17 de novembro de 2011 às 19h04

Estas beldades deveriam denunciar a Chevron, esta sim, provocou sérios danos ambientais a troco de nada

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