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Noblat rola e dá a patinha

Por Miguel do Rosário

21 de novembro de 2011 : 08h49

 

Antes de falar em Noblat (foto acima), um blogueiro sempre leal ao interesse de seus patrões, queria lhes mostrar essa notinha publicada hoje na coluna do Ancelmo Gois, que nos dá uma boa dimensão do “probrema”.

Esse episódio comprova que o antilulismo ainda é um elemento muito forte junto à classe média tradicional. E Dilma tem conseguido justamente escapulir dessa atmosfera de ódio.

Se depender de Noblat, porém, a “faxineira” não ficará de fora. Em sua coluna de hoje, intitulada Faxina Suspensa, o blogueiro-jornalista compara Lupi à Luiz Estevão, o “único senador cassado até hoje”. Noblat faz uma espécie de resumo de todas as manipulações da última semana que a imprensa inventou contra Lupi, junta tudo numa bolinha de papel e tenta acertar a cabeça de Dilma. Mas é só mesmo uma bolinha de papel; não é o meteorito de dois quilos que jogaram na testa de Serra durante as eleições.

Lupi fez uma série de burradas e por um milagre não caiu. E pelo tom de Noblat, já meio choroso, Lupi não vai mesmo cair.

Encontramos o mesmo tom resignado na coluna de domingo da Dora Kramer, no Estadão. E na de Melchiades Filho, na página 2 de hoje da Folha. Mas o texto de Melchiades traz algumas observações argutas sobre a velada disputa entre a Força Sindical e a CUT por trás das articulações para manter Lupi no poder. Argutas porque verossímeis: de fato, à CUT interessaria, evidentemente, ter o Ministério do Trabalho para si; mas ao mesmo tempo fantasiosas, porque a CUT não fez nenhum movimento visível para derrubar Lupi, visto que seus dirigentes compreendem que seria uma derrota para todo o setor sindical. Além do mais, as centrais estão sorrindo à tôa. Dentro de alguns meses, o salário mínimo vai registrar o maior reajuste em décadas, para desespero de alguns muquiranas travestidos de economistas.

A Folha continua fomentando o dissídio dentro do PDT, alimentando a mosquinha azul que existe no seio de cada um, ao vender a tese de que o partido deveria trocar os anéis para manter os dedos. Ou seja, botar um nome novo no Trabalho, livre de pechas, para ter mais chances de não perder a vaga para outro partido. O Globo também está plantando notinhas neste sentido, como esta que aparece no Gois de hoje.

Segundo Melchíades, essa seria uma das razões para Dilma não demiti-lo: atrapalharia a estratégia da faxina.

Cada colunista, pelo visto, tem uma explicação diferente para as postura da presidenta. Para Kramer, Dilma é indecisa e segue a onda. Para Noblat, Dilma é uma faxineira de araque. Para Melquíadaes, Dilma é esperta e só não vai tirar Lupi para poder melhor desmontar os esquemas do PDT após a reforma partidária.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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