Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

“Fraude” do Estadão não é fraude

Por Miguel do Rosário

24 de novembro de 2011 : 08h59

Alarme falso. Agora que li a matéria com bastante atenção, vejo que o seu grau de impacto político é baixo. Os áudios não trazem nenhum servidor falando palavrão ou insinuando qualquer ato ilícito. A reportagem força bastante a barra nessa interpretação de que houve uma fraude. Fraude só haveria se o parecer do sr. Higor de Oliveira Guerra, contrário ao trem de superfície e a favor de ônibus, tivesse tido seu conteúdo alterado, e sua assinatura mantida no documento. Não foi isso que aconteceu. O Ministério das Cidades não alterou, tampouco “adulterou” (palavra forte usada pelo Estadão, para dar impacto negativo à notícia), o documento. Ele simplesmente o substituiu por outro, assinado por outra técnica da pasta.

Está claro que houve uma decisão política, a meu ver inteligente, de substituir um projeto de transporte urbano do tipo convencional, com ônibus movidos a óleo diesel, poluentes e barulhentos, por um outro mais moderno, do tipo que se vem fazendo na Europa, Japão e China: trens de superfície, movidos a energia elétrica, silenciosos, ambientalmente corretos, e que não provocam engarrafamentos.

Quem dera que houvesse mais “fraudes” assim no Rio e São Paulo!

O Ministério respondeu adequadamente ao jornal, admitindo que houve mudança no documento, mas defendendo a decisão, que teve o aval de todas as instâncias políticas envolvidas: governo do Mato Grosso, Ministérios do Planejamento, das Cidades, e parece que até do vice-presidente da República.

A matéria enfatiza o aumento de custo, mas evidentemente considera apenas um cálculo superficial, que leva em conta apenas o custo de implantação, e não os custos de manutenção e combustível, os impactos sobre o meio ambiente e a mobilidade urbana. Se formos considerar todos esses itens, seguramente o trem de superfície implicará em gastos menores para o erário e, o que é mais importante, um transporte de melhor qualidade para os cidadãos de Cuiabá, constituindo, além disso, um exemplo para todas as grandes cidades do Brasil.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

Nenhum comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »


Deixe um comentário