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Centrais e jogo político

Por Miguel do Rosário

27 de novembro de 2011 : 15h13

A página A4 da Folha de hoje vem com uma matéria sobre uma suposta rivalidade entre as duas maiores centrais sindicais do país em torno do ministério do Trabalho. A CUT é ligada ao PT, a Força Sindical é ligada ao PDT, que atualmente ocupa a pasta com Carlos Lupi.

A matéria relata que o número de sindicatos ligados à Força cresceu 121% de fevereiro de 2008 a abril de 2011, enquanto a CUT registrou alta de 20%. É uma diferença bem brutal, e possivelmente o PDT esteja, de fato, favorecendo a multiplicação de sindicatos ligados à sua esfera de influência, com vistas a elevar a arrecadação da Força. Mas isso é algo normal. Uma central tem como objetivo aumentar o número de trabalhadores sindicalizados, embora não necessariamente o de sindicatos.

Provavelmente existe muita corrupção no meio sindical, e eu não estranharia que esta tenha aumentado a medida que o volume de recursos cresce exponencialmente. As centrais nem verba própria tinham há pouco tempo. Agora, somente a CUT recebeu R$ 32 milhões em 2010 e a Força, R$ 28,9 milhões. A corrupção sindical deve ser combatida com muita garra e inteligência, pois desmoraliza e enfraquece o segmento.

Vejamos o gráfico.

Hoje no Painel da Folha, ao lado da matéria sobre as centrais, consta uma notinha muito pertinente a este tema:

Claro que em política tudo pode acontecer, e isso não seria nenhum absurdo. Paulinho, que é presidente da Força, tem laços históricos com o PSDB paulista. A Força, antes de 2006, percentencia à esfera tucana, até que Lula conseguiu tomá-la para o “lulopetismo”. A regulamentação das centrais e a cessão do ministério do Trabalho ao PDT consolidaram a aliança entre o partido e o governo Lula, herdada pela gestão atual.

Seria estranho que Paulinho se arriscasse a ser vice de Serra no pleito municipal. A notícia parece ser plantada, e integrar aquele conhecido joguinho de pressões que os partidos fazem uns com os outros para valorizar seus respectivos passes. No caso, o PDT realiza flertes táticos com o PSDB com vistas a pressionar o PT a não tirar-lhe o ministério do Trabalho. Esse jogo faz parte da democracia e, embora pareça meio sujo, meio falso, perpassam-lhe, ao fundo, forças sociais poderosas, que o justificam. Seria, de fato, uma terrível perda para o governo se perdesse o apoio do PDT, como aliás chegou perto de perder por ocasião dos primeiros fogos de artifício disparados pela mídia em homenagem à Carlos Lupi.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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Elson

28 de novembro de 2011 às 06h53

O governo deve dialogar mais com as centrais , pois seus caciques são ávidos por poder . Não vê o PsdB de São e Minas se aproximando de sindicalistas e até cargos alguns já ocupam em administrações tucanas . Más não se engane tucano tem ojeriza a tudo oque cheire a trabalho e direitos trabalhistas .

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