Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

Dia da Degola

Por Miguel do Rosário

01 de dezembro de 2011 : 08h04

 

A bala de prata que faltava para abater o ministro do Trabalho foi disparada ontem à noite. E de onde menos se esperava.

O Jornal Nacional anunciou, ontem à noite, que o Conselho de Ética recomendava a demissão de Carlos Lupi ; mais tarde, no Jornal da Globo, uma âncora risonha repetiu a notícia.

Os jornalões de hoje naturalmente manchetearam a notícia, produzindo automaticamente uma nova crise ministerial e deixando Lupi numa situação quase insustentável.

 

 

E a Folha cavou, escavucou, e encontrou mais um flanco vulnerável no passado de Carlos Lupi, um emprego que ele acumulava na Câmara do Rio junto com o de assessor no Congresso Nacional.

Em entrevista ao Globo, o líder do governo no Senado, Romério Jucá (PMDB), admitiu que a decisão do Conselho de Ética é uma bala (citando o próprio ministro, que havia dito, no auge da crise que o ameaçava tragar, semanas atrás, que só saía do ministério “abatido a bala”), mas não sabe se é fatal.

Claro que é fatal. Injusta ou não, midiática ou não, a decisão do Conselho de Ética põe um fim à novela.

Ainda faltam algumas semanas para o Natal, mas a degola do peru será realizada hoje, pelo jeito.

Claro que há chances de Dilma bancar a permanência do ministro por mais alguns dias, alegando francamente que fará uma ampla reforma ministerial no início do ano que vem, na qual já está agendada a saída de Lupi.

O custo político, porém, será alto. Hoje e no final de semana, colunistas, âncoras e os já inumeráveis exércitos de blogueiros corporativos que a mídia tem a seu serviço farão um grande banquete de Lupi a molho pardo.

O episódio representa uma derrota política para o governo; ao mesmo tempo, porém, fortalece a Comissão de Ética, que é um órgão ligado à presidência da república, servindo como demonstração de transparência e pujança democráticas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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11 comentários

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Elson

02 de dezembro de 2011 às 08h45

A Presidenta parece que resolvel bancar a permanencia de Lupi , talvez ela só esteja dando tempo para que o ministro peça prá sair .
Hoje o matutino dos homens bons ( Bom dia Brasil ) , na chamada do inicio anunciou que a Presidenta decidiu ir contra o conselho de ética . Más quem assistiu a edição toda viu que a Presidenta quer que o tal conselho mostre os motivos que embasaram sua decisão .
Lupi vai cair , resta saber quando .

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spin

01 de dezembro de 2011 às 23h37

As decisões desta comissão só ganham destaque na imprensa quando atendem aos anseios do pig, com certeza vamos ver essa decisão em destaque no pig por muito tempo.

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spin

01 de dezembro de 2011 às 23h35

Hoje usei um táxi cujo motorista assistia à TV Globo num aparelho GPS. Ele me informou que era pelo sistema digital, via satélite, e que só pegava Rede Vida, Globo e SBT. Esses aparelhos vão sem vendidos como água, o cara comprou por 200, 00 reais no Wall Mart. Foi quando me lembrei que quando da escolha do sistema digital para operar no Brasil a Globo mexeu com os pauzinhos. Enfim, estou em dúvida como esta nova mídia contribuirá para o fortalecimento da concentração da informação quando deveria ser o contrario. Que tal um post sobre este assunto TV Digital.

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Dias

01 de dezembro de 2011 às 18h31

Impressão minha ou deveria ser o da CULATRA?

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Elson

01 de dezembro de 2011 às 14h43

Bem , agóra a Presidenta tem uma justificativa sólida para demitir o ministro , afinal ela foi justa ao esperar as investigações da PF e CGU e do próprio Conselho de Ética.

Este conselho como o nome já diz trata de questões morais . Então , se tal colegiado considerou que Carlos Lupi faltou com um dos mais básicos requisitos para quem atua na esféra pública ,significa que ele não é digno de ocupar o posto de Ministro de Estado .

Neste caso a presidenta saiu ganhando , pois não cometeu nenhuma injustiça contra LUpi e desta forma não ficará refém do PDT , pois o partido de Lupi não irá contra um conselho formado por pessoas notórias da sociedade .

A mídia pode até comemorar uma vitória , más sabe que no fundo quem está ganhando a guerra é Dilma .

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Miguel do Rosário

01 de dezembro de 2011 às 11h07

Oi Monica, não acho que seja assim. O governo federal tem se aprimorado muito nos últimos anos também em função desse jogo de forças entre as instituições. Se o resultado fosse um governo enfraquecido, até concordaria contigo, mas não é o que vemos. Ao contrário, tanto Lula quanto Dilma emergem mais fortes de cada crise. As crises ministeriais não tem provocado nenhuma paralisação na admnistração pública federal, e quem representa o eleitor é a presidente Dilma, não seus ministros.

Em repúblicas parlamentaristas, vemos governos inteiros caírem sem que isso represente traumas para a sociedade, embora vejamos casos também de outros que duram às vezes por quase duas décadas (como foi Margaret Tatcher).

Você incluiu a Polícia Federal como órgão que trabalham "principalmente" para ferrar o governo federal. Não acho. Acho sim que esses órgãos se vêem forçados às vezes, por conta da pressão midiática, a adotar uma postura quase que de oposição para demonstrar independência. Existe, porém, uma razão republicana para isso: eles precisam provar que são independentes não para os simpatizantes do governo, mas sobretudo para os não-simpatizantes.

Concordo somente que há, de fato, contaminação midiática em todo o aparato institucional de controle e investigação. Mas isso faz parte do jogo (às vezes sujo, quase sempre brutal) da democracia contemporânea capitalista.

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    Fernando SP

    01 de dezembro de 2011 às 15h28

    Miguel, esse mesmo Conselho de Ética calou-se em relação aos 5 ministros que deixaram o governo Dilma. Das duas uma: ou os 5 ministros foram inocentados pelo Conselho ou esse Conselho não deve ser levado a sério.

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      Miguel do Rosário

      01 de dezembro de 2011 às 15h49

      Fernando, o Conselho não é um tribunal de exceção. Ele não inocenta nem culpa ninguem. Ele faz recomendações à presidente, e é um órgão do Estado, da própria Presidencia da República. O que ele fez antes foram em circunstâncias diferentes. Eu acho que ele nem teve tempo de analisar os outros casos. Os caras pediram para sair antes disso. De qualquer forma, a Presidente não poderá fazer ouvidos de mercador ao Conselho de Ética, não sem prejuizo político. Os trâmites foram legais. Argumentar se foi uma decisão justa não vem mais o caso, pois o que importa é o fato político. O Conselho de Ética reprovou Lupi. Agora ele rodou. Dilma vai poder demiti-lo com uma razão. Não concordo com as análises apocalípticas que estão fazendo do caso. Uma coisa é procurar identificar a manipulação da notícia e a notória campanha midiática para derrubar Lupi, outra é aceitar como um fato democrático, que não vai derrubar a República. As teses de que Dilma será derrubada por causa disso são paranóicas.

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Mônica Santos

01 de dezembro de 2011 às 10h29

Como diria o ex-presidente Lula,nunca antes na história deste país tivemos instituições(TCU,PF,Procuradoria e Conselho de ética) tão transparente,democrática e independente,que trabalham principalmente para ferrar o Governo Federal.Ontem a decisão do Conselho de Ética colocou a presidente Dilma na maior saia justa deste governo e seja qual for a decisão da presidente,Dilma e o governo sai desmoralizado.Dilma que se cuide, porque agora além de se preocupar com o "inimigos" tradicionais,agora a presidente ver a lista de desafetos aumentar e de onde menos se esperar pode vir a mais nova crise.

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    Gilson Raslan

    01 de dezembro de 2011 às 11h50

    Mônica, de "lista de desafetos", afinal de contas o Conselho de Ética fez o seu papel.
    A decisão de orientar a exoneração do Min. Lupe foi unânime. Logo o Min. Sepúlveda Pertence também votou pela exoneração. E se o Min. Pertence, homem sério e honesto, votou pela exoneração é porque tem algo errado com o Min. Lupe.
    De observar que e recomendação do Conselho de Ética foi pela EXONERAÇÃO, ato administrativo que é DIFERENTE de DEMISSÃO.
    EXPLICO: exoneração é ato de interesse da administração; demissão é um ato administrativo com caráter de punição.
    Neste caso, a decisão do Conselho de Ética significa que o Min. Lupe cometeu um deslise ético, não um ato de corrupcão.

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