Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Mídia em parafuso

Por Miguel do Rosário

02 de janeiro de 2012 : 07h11

O Cafezinho inicia o ano com mudanças. Agora todos os posts têm algum conteúdo livre. A primeira análise de mídia vem mais concisa e publicada cedo, por volta das 7 horas. Os outros posts serão publicados até o meio dia.

Nas últimas semanas do ano passado, os jornais publicaram alguns textos pesadamente oposicionistas, a maior parte deles ainda refletindo as emoções despertadas com a publicação do livro Privataria Tucana. Refiro-me, especificamente, aos textos quase histéricos de Merval Pereira e Marco Antonio Villa, e ao artigo paranóico de José Serra.

Entretanto, o primeiro dia de 2012 amanheceu com editoriais e colunas que negavam o teor dos primeiros.

Por exemplo, a Folha publicou, neste domingo, um editorial intitulado “Dilma, ano 1”, surpreendentemente favorável ao governo petista, e não só à gestão Dilma como também à anterior, de Lula.

Confira os dois primeiros parágrafos:

A administração se saiu bem em vários aspectos, mas falta arrojo para desatar nós que emperram a economia e elevar o padrão da educação.

Sucessora de um presidente que fez bom governo e deixou o cargo sob consagração popular, era natural que Dilma Rousseff pautasse sua estreia pela continuidade. Devia o cargo à indicação de Lula, de quem herdou até mesmo boa parte do ministério.

No Globo de domingo, encontrei duas colunas, escritas por personalidades muito influentes da área cultural, que citam elogiosamente o livro de Amaury Ribeiro, que dias antes havia sido tratado com desprezo e até mesmo ódio por outros colunistas do mesmo jornal.

Aldir Blanc abre sua coluna de domingo de maneira impiedosa:

Abro a cortina do passado para melhor encarar 2012. Estou lendo “A privataria tucana”, de Amaury Ribeiro Jr, nos contando sobre o Brasil de FHC I e II, “vendendo tudo”, principalmente o que pertencia a nosotros. Não adianta nhe-nhe-nhem porque o jornalista e escritor tem três prêmios Esso, quatro Vladmir Herzog, e sofreu um sério atentado, investigando assassinatos de menores pelo tráfico no entorno de Brasília. O livro contém lama para mensalão nenhum botar defeito. Só um tira-gosto: o insuspeito Nobel de Economia (2001) J. Stiglitz cunhou o termo “briberzation”, ao invés de privatization. Bribe é coisa roubada, na gíria de ladrões ingleses, desde o século XIV. Infelizmente, não achei, durante a leitura, nada sobre um pretenso compêndio escrito pelo Serra, sob pseudônimo: “O ócio de Aécio no cio”.

Talvez embalada pelo slogan da tucanagem, “vender tudo”, a operadora de telemarketing, amiga de Adriano Ruínas do Imperador, tenha se apresentado — Luzes! Ação! — para depor na delegacia com aquele modelito Das pu Bangu Trois. Gastando um pouquinho meu francês aprendido na Praça Paris foi vraiment une efemèrde.

O outro colunista global que cita o livro é ninguém menos que Caetano Veloso, que aborda o tema, porém, de maneira bem mais comedida que Blanc e compensando com uma tremenda rasgação de seda em prol de Fernando Henrique Cardoso.

Dizem que 2011 foi o ano do livro “A privataria tucana”.  (…) “A privataria tucana” tem estilo jornalístico vibrante.

Ainda no domingo, Jânio de Freitas faz uma referência sarcástica e algo misteriosa ao texto de Villa:

Por fim, Marco Aurélio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos e colaborador de jornais, escreve que o best-seller “A privataria tucana”, do repórter Amaury Ribeiro Jr., “foi produzido nos esgotos do Palácio do Planalto”.

Aí há duas possíveis metáforas e uma informação. As primeiras são “nos esgotos” e o próprio historiador e professor de história. É a informação que justifica o desejo inalcançável: ver provar-se, por qualquer meio inequívoco, que “A privataria tucana” “foi produzido” no Palácio do Planalto, mesmo que na garagem ou no abrigo das emas.

Com essas referências, pode-se dizer que o livro de Amaury, o grande acontecimento político do segundo semestre de 2011, finalmente conseguiu romper o bloqueio midiático e provocou um alvoroço interessante, forçando colunistas e intelectuais a tirarem a máscara, oferecendo ao leitor uma postura editorial confusa, contraditória, mas extremamente saudável do ponto-de-vista democrático.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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spin

02 de janeiro de 2012 às 22h21

A respeito do montante roubado na venda do Banestado:

“(…) De suas 6.000 contas que totalizam US$30 bi, 1.000 foram em 2005 parar na Justiça, em processos onde abundam provas, e delações premiadas de doleiros já presos e condenados ( “farol da colina” ). Apesar de serem os menores dentre os menores (tucano de plumagem mais vistosa tinha método mais seguro que este posto a disposição da “turma do demo”), totalizando mísero US$1 bi, nem mesmo esses 1.000 processos serão julgados. A próxima notícia sobre os mesmos será dada quando eles prescreverem… .(…)”
http://www.viomundo.com.br/politica/privataria-tu

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Comendador Phyntias

02 de janeiro de 2012 às 16h35

Surpreendente pelo conteudo, este post. Eu que não leio habitualmente um ou outro, fiquei encafifado. será que se abriram as portas do inferno??? Que assim seja!!!

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João Paulo

02 de janeiro de 2012 às 12h07

Mensalão do PT deve ser julgado pelo STF em 2012. Já o do PSDB…
Denúncia aceita há dois anos pelo Supremo Tribunal Federal contra o tucano Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, não anda. Justiça passou 2011 sem achar duas testemunhas-chaves e à espera de laudo da Polícia Federal sobre assinatura de Azeredo em recibo por repasse de R$ 4,5 milhões de empresa de Marcos Valério.
André Barrocal
BRASÍLIA – No último dia do ano judiciário em 2011, 19 de dezembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa mandou aos colegas relatório preliminar, de 122 páginas, sobre a ação penal contra o “mensalão do PT”. Resposta inclusive a pressões internas do STF – o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, deu entrevista no fim do ano dizendo que os supostos delitos poderiam prescrever -, o gesto de Barbosa torna possível o início do julgamento do processo em 2012.

Leia mais http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMos

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    José Vitor

    02 de janeiro de 2012 às 17h16

    Denúncia aceita há dois anos pelo Supremo Tribunal Federal contra o tucano Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, não anda.

    Falando de orelhada (porque não li o livro do Amaury), e o processo "secreto" onde Verônica Serra consta como indiciada, e que ninguém sabia que existia ? Pelo que vi, é de 2003 (ou antes, pois pesquisei superficialmente). Como é que "eles" (Serra, PIG et caterva) conseguiram esconder isso em 2010 (ano aleitoral) é um mistério pra mim, o que posso imaginar é que o próprio Judiciário colaborou para encobrir. Enquanto isso, a "pobre" Verônica fazia papel de vítima na propaganda eleitoral de papai…

    Responder

_spin

02 de janeiro de 2012 às 11h25

Miguel vc tem o valor aproximado do preju dado ao Brasil pela privataria tucana?

Fiz este comentário no blog do Eduardo Guimaraes

O total de propinas nas privatizações, calculado pelo livro, ultrapassa a casa dos 2 bilhões de reais.(Eduardo Guimarães)

Este valor só se refere a desvios para alguns bolsos. Há uma outra cifra a ser levada em conta: Qual foi o valor do causado pela privataria ao Brasil? Quanto o Brasil deixou de faturar se tivesse sido um jogo limpo, com preço justo, a venda da Vale, Sistema Telebrás(aqui se incluem Embratel e as teles estaduais, centro de pesquisa avançada na área de telecomunicação) e, além destas, outras 200 empresas que entraram na jogatina. Os prejuizos passam de 1 trilhão de reais.

Como se sabe, mesmo depois de abrir mão de todo o seu patrimônio, logo em seguida o Brasil mendigou junto ao FMI, o país assumiu débitos fiscais e trabalhistas das empresas privatizadas,,etc etc

P.S.- Edu, vc foi muito modesto ao contabilizar a roubalheira da privataria. Senão vejamos, só para citar um exemplo. No TO a Celtins(Centrais Elétricas do Tocantins) foi privatizada, ficando nas mãos do atual governador Siqueira Campos(psdb-TO), não sei ao certo se do próprio ou de laranjas. Espero que a CPI da Privataria funcione ao menos como uma espécie de Comissão da Verdade e coloque isso em pratos limpos. Quero saber quem são os donos da Celtins. Dizem que é um consórcio que administra, mas essa coisa de consórcio é convesa prá boi dormir. Na CEMIG uma turma de tucanos tentou ficar com a CEMIG. Uma senhora que assina pelo nome de Landau. Enfim, um trabalho e tanto calcular a roubalheira ocorrida na privataria. Mas seria bom se tudo isso fosse colocado em pratos limpos. Haja pratos…rsss

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Castor

02 de janeiro de 2012 às 10h39

Prezado Elson
Esse acordo (reação) sugerido NÃO é a cara da nossa mídia. É inteligente demais…
Abraço
Castor

Responder

    elson

    02 de janeiro de 2012 às 20h33

    Caro Castor .
    Se , a CPI sair , muita coisa será desenterrada , e então as oposições e sua mídia terão que dar explicações a sociedade .
    Será que nossa mídia , tão zelosa quanto a moral e a ética no trato com a coisa pública irá admitir que incensou , defendeu e se beneficiou das privatizações ?
    É por isso que eles estão dando folga ao governo , eles pensam que podem pautar a política . Porém , se depender da blogosfera , essa CPI sai , doa a quem doer .

    Responder

elson

02 de janeiro de 2012 às 08h16

Essa reação dos jornalões , primeiro ignorando e depois resolvendo dar atenção ao livro a Privataria Tucana , alem dos elogios a administração Dilma podem ser uma estratégia , ou uma propósta de trégua para assim tentar cooptar o governo a barrar a CPI da privataria , tipo assim : "Voces não investigam nada , e nós deixamos voces governar em paz" .

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