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Bezerra emprega “tia da mulher do filho”

Por Miguel do Rosário

11 de janeiro de 2012 : 09h40

Essa é até engraçada. O Estadão acusa Bezerra de “empregar parentes”, e cita o “tio da mulher do filho”.  Desde quando isso é parente? Se formos tratar como parente cada tio de mulher de filho, teríamos que considerar também, por coerência, os sobrinhos das esposas dos tios, os filhos dos tios da mulher de nossos primos, e assim ad infinitum, até descobrirmos que somos parentes de toda a cidade!

 

Outra curiosidade na matéria é o seu gran-finale:

A crise na pasta da Integração já dura mais de uma semana, apesar das ações do Planalto.

Ora, ora, pelo que eu entendo, essa “crise” pode durar por mais quatro anos, desde que a imprensa publique, diariamente, alguma nova picuinha sobre o ministro. Que ele é suspeito de ter roubado a caixinha da igreja em 1955, por exemplo. A mídia agora resolveu fazer uma devassa na vida do ministro. Ou seja, ela praticamente confessa que não tem importância que os fatos que originaram a atual “crise” (quais eram mesmo?) não configuram nenhum ilícito, nem sequer nenhuma irregularidade ética. Sendo a bola da vez, a mídia vai cavucar a vida de Bezerra até o fundo.

Ainda bem que não sou ministro, senão revelariam a todo país que eu roubei um chocolate das lojas americanas em 1985, com 9 ou 10 anos de idade. Nem minha mãe sabe disso.

Isso tem um lado bom, que é estimular os políticos a andarem na linha. A sociedade pode até desconhecer hoje o que um político faz, mas daqui a vinte anos o malfeito pode vir à tôna.

Pena que o rigor jornalístico pela ética seja tão miseravelmente seletivo!

Quanto aos outros parentes na reportagem, entenda-se o seguinte: pai da mulher do filho e tio da mulher do filho não são parentes. Isso é ridículo. Além disso, já não tem ligação nenhuma com a pasta. Quanto ao tio do ministro, trata-se de uma simples comissão não-remunerada sobre irrigação e o tio passou a vida defendendo a bandeira da irrigação. Não há nada de ilegal, imoral ou aético. O irmão de Fernando é diretor da Codevasf antes da chegada de Bezerra ao ministério, por nomeação de Lula, e assumiu interinamente a presidência por ser o diretor mais antigo da instituição.

 

Link da foto da capa.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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rildoferreiradossantos@gmail.com

11 de janeiro de 2012 às 10h22

Novo manual da velha mídia: “em toda boa notícia há que se encontrar uma desgraça para explorar”.

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