Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Olhando para 2014

Por Miguel do Rosário

03 de fevereiro de 2012 : 16h26

Por Marcos Coimbra

Ao longo do ano, Dilma tornou-se candidata fortíssima a vencer a eleição em 2014 e a permanecer no cargo até 2018. Com isso, a repetir a performance de Lula e a completar um período de 16 anos de hegemonia petista à frente do governo federal.

A possibilidade sempre existiu. Desde quando foi aprovado o instituto da reeleição (não esquecendo que por iniciativa e intenso trabalho do PSDB e de Fernando Henrique Cardoso), foram raros os casos de ocupantes de cargos executivos – presidente, governador ou prefeito – que perderam a eleição de renovação do mandato.
São as exceções, governantes cuja gestão era considerada péssima ou que enfrentaram adversários notáveis. A regra é vencer, mesmo quando as administrações não enchem os olhos. Na dúvida entre o razoável, mas seguro, e o ótimo, porém incerto, a maioria das pessoas costuma preferir o conhecido. Sem contar que é comum a convicção de que quatro anos não são suficientes para pronunciar-se sobre o trabalho de alguém.

Dilma tinha o problema dos que venceram mais pelo prestígio de um patrono que por seus próprios atributos. Sua vitória veio apesar de quase ninguém a conhecer e de não haver vínculos emocionais entre ela e o eleitor. Seu julgamento poderia, portanto, ser mais severo, e maior o risco de muitos se decepcionarem com ela.

Mas era a sucessora de Lula e se beneficiaria da aprovação das políticas que estavam em andamento e que permaneceriam. E seria, em 2014, a presidente em exercício.

Tudo considerado, era fácil imaginar que Dilma poderia, em tese, ser uma candidata com chance de vencer a reeleição. Salvo se seu governo fosse uma catástrofe.

Terminado 2011, o que vimos foi aumentar a avaliação positiva de seu trabalho. As pesquisas de dezembro e janeiro confirmaram o que já se podia perceber desde o início do ano passado: tendência de melhora dos índices de satisfação da população com o governo.

Ela atravessou o desgaste de uma série de problemas no ministério e no segundo escalão, atingidos por sucessivas denúncias, das quais algumas eram verdadeiras e exigiram providências. Enfrentou um ano de complicações crescentes na economia mundial, com reflexos relevantes no nosso desenvolvimento.

Foi aprovada pela vasta maioria da opinião pública e, de candidata potencialmente forte, tornou-se forte no sentido concreto.

É claro que é cedo e que muita água ainda vai correr por baixo da ponte até 2014. Mas é assim que ela começa o segundo ano de governo.

Hoje, o PT tem, portanto, dois muitos bons candidatos à Presidência: Lula – não se precisa demonstrar -, e Dilma. Qualquer um deles, se tivéssemos uma eleição agora, venceria (provavelmente com folga). E ambos têm idade (ele aos 66, ela aos 64) para disputar algumas mais nos próximos anos.

E AS OPOSIÇÕES?

Como mostram as pesquisas, só têm dois nomes nacionais, de políticos que a maioria da população identifica: FHC e Serra. Nenhum, no entanto, em condições de disputar novas eleições: o primeiro diz que não deseja, o segundo não tem apoio sequer em seu estado e entre seus (ex-) amigos.

O mínimo que deveriam fazer era lançar, o quanto antes, seu candidato “óbvio”, como diz Fernando Henrique. Aécio precisa ser logo identificado como o rosto da oposição, o político que vai representar o “outro lado” em 2014.

Os próximos três anos são indispensáveis para alguém que apenas 20% da população conhece um pouco melhor. Talvez não resolvam, mas não podem ser desperdiçados.”

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do “Instituto Vox Populi”.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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alex

09 de fevereiro de 2012 às 15h59

CONVERSAS COM MR DOPS

Da Agência A Publica

Globo, Folha, Bradesco – e Niles Bond

Aos 80 anos, José Paulo Bonchristiano conserva o porte imponente dos tempos em que era o “doutor Paulo”, delegado do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo, “o melhor departamento de polícia da América Latina”, não se cansa de repetir.“O DOPS era um órgão de inteligência policial, fazíamos o levantamento de todo e qualquer cidadão que tivesse alguma coisa contra o governo, chegamos a ter fichas de 200 mil pessoas durante a revolução”, diz, referindo-se ao golpe militar de 1964, que deu origem aos 20 anos de ditadura no Brasil.

(…) Bonchristiano é um dos poucos delegados ainda vivos que participaram desse período, mas ele evita falar sobre os crimes. Prefere soltar o vozeirão para contar casos do tempo em que os generais e empresários o tratavam pelo nome. Roberto Marinho, da Globo, diz, “passava no DOPS para conversar com a gente quando estava em São Paulo”, e ele podia telefonar a Octávio Frias, da Folha de S. Paulo “para pedir o que o DOPS precisasse”. Quando participou da montagem da Polícia Federal em São Paulo, conta, o fundador do Bradesco mobiliou a sede, em Higienópolis: “Nós do DOPS falamos com o Amador Aguiar ele mandou por tudo dentro da rua Piauí, até máquina de escrever”.

(…)

Gaba-se de ter sido enviado para “cursos de treinamento em Langley” nos Estados Unidos, pelo cônsul geral em São Paulo, Niles Bond, que admirava a “eficiência” da polícia política paulista. E o chamava de “Mr. Dops”.

Orgulha-se também de outro apelido – “Paulão, Cacete e Bala” – que diz ter saído da boca dos “tiras” quando “caçava bandidos” na RUDI (Rotas Unificadas da Delegacia de Investigação), no início da carreira, com um “tira valente” chamado Sérgio Fleury. Anos depois, os dois se reencontrariam na Rádio Patrulha, de onde saiu a turma do Esquadrão da Morte, levada para o DOPS em 1969, quando Fleury entrou no órgão.

Leia matéria completa: http://apublica.org/quem-somos/

## A Pública é uma agência independente de jornalismo investigativo sem fins lucrativos e livre reprodução de conteúdo (creative commons).

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easonnascimento

06 de fevereiro de 2012 às 11h32

Eduardo Campos vai esperar até 2018?

por Eason Nascimento

Em 2012, os eleitores brasileiros vão eleger prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em 5.566 municípios. O primeiro turno das eleições municipais será no dia 7 de outubro e o segundo turno no dia 28 de outubro.

Embora muitos observadores da política nacional entendam que eleições municipais não tenham influência na disputa à Presidência da República, muitas alianças que começam a ser discutidas para a conquista das principais prefeituras brasileiras, apontam no sentido oposto. A candidatura de Fernando Hadad em São Paulo é um exemplo. Para tucanos e aliados que vivem uma turbulenta situação política, serem derrotados em seu maior e principal reduto eleitoral, seria catastrófico no já difícil cenário nacional.

Mesmo estando na primeira metade de seu mandato, se sabe que a presidente Dilma Roussef deve ser candidata à reeleição, fato que só deverá ser modificado caso Lula, por algum motivo maior, entre no jogo. Com Dilma ou com Lula no cenário atual, nada aponta para dificuldades de vitória do PT, apesar da distância do pleito.

Do lado oposicionista, não surgiu até a presente data quem possa disputar a próxima eleição com reais chances de barrar a trajetória petista que já se estenderia por 12 anos seguidos. José Serra não é mais o candidato natural dos tucanos, embora ainda aspire, cada dia mais solitário, este sonho cada vez mais distante. Recentemente ao assegurar que não concorrerá à sucessão de Kassab, Serra indica que ainda não jogou a toalha. Até mesmo o amigo FHC, já indica Aécio Neves como mais apto para enfrentar a aliança comandada pelo PT.

Embora Aécio não seja o candidato capaz de empolgar seus pares, não resta alternativas no ninho tucano. Pelo andar da carruagem, caminham para a quarta derrota consecutiva, a menos que um tsunami destrua o cenário altamente favorável a continuidade do governo Dilma. Antevendo as dificuldades, a própria Rede Globo, parte integrante da mídia que se opõe ao reinado Lula/Dilma, lança a minissérie O Brado Retumbante, indicativo claro que ela vai apostar suas fichas no senador mineiro e trabalhará para alavancar sua candidatura.

Ciro Gomes, o falastrão político cearense, filiado ao PSB, partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não desistiu de pleitear a sua candidatura. Quando da desistência de se lançar candidato em 2010, ficou evidente que além de Lula, esta decisão teve a mão do neto de Arraes no seu caminho. Eduardo, forte liderança em plena ascensão, enxerga em Ciro seu adversário inicial a ser batido, pois ele próprio aspira alcançar a presidência.

A indagação que paira no ar, é se o governador pernambucano continuará como aliado de Dilma ou se compõe com Aécio, pleiteando a vaga de vice em 2014, ou ainda, se espera 2018, para lançar seu nome como candidato principal. Não nos parece provável que o PT de imediato venha a interromper a aliança com o PMDB trocando-a pelo PSB. De qualquer forma os passos de Eduardo Gomes serão a grande novidade da política brasileira a curto e a médio prazo.

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