Fundador do Instituto Ideia vê chance de Lula vencer no 1° turno

Juros despencam Cachoeira abaixo

Por Miguel do Rosário

19 de abril de 2012 : 16h23

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(Ilustração na capa: Madonna, de Giotto).

A mídia corporativa já está conformada, pelo jeito, e agora só lhe resta fingir satisfação, como se pode constar pela coluna do Merval Pereira (onde, porém, inicia dando loas à CPI mas acaba desviando o assunto, como era de se esperar, para o “mensalão”).

Um rápido clipping das principais notícias relacionadas ao tema CPI do Cachoeira:

Lula e Sarney orientam blindagem – O Globo.

Bem, é normal que as lideranças governistas se preocupem com a estabilidade política do governo. A administração federal tem à sua frente desafios descomunais. Precisa focar toda a sua energia política na superação dos gargalos do desenvolvimento nacional. Será lastimável que o Congresso atrapalhe em vez de ajudar. Mas a corrupção é também um desses principais gargalos. O conluio entre máfia e imprensa, idem. Então a CPI pode ajudar, muito, o desenvolvimento do país, ao combater essas duas pragas.

Imprensa livre é imprensa transparente – Estadão.

Nesse artigo, Bucci aplica um ultraelegante, suave, revestido com veludo duplo, tapinha na imprensa brasileira. Mas, por isso mesmo, eficaz.  Reproduzo o final do texto:

Muitos defensores da imprensa livre afirmam – com razão – que ela não pode ser pautada pelo Estado. Pela mesma razão, deveriam também afirmar que ninguém, em nome da liberdade de imprensa, deve pretender pautar o que os militantes políticos dizem ou deixam de dizer. Se dirigentes partidários lançam mão de palpites infelizes sobre a função dos jornais, o papel dos defensores da liberdade é desmontar esses palpites, mostrando que eles são infelizes. Insistir na mera desqualificação pessoal do autor do palpite é dar curso a um procedimento discursivo igualmente autoritário, que não contribui para que o público entenda melhor o jornalismo.

Uma imprensa que não se antecipa a compartilhar com a sociedade os seus critérios editoriais, os seus métodos e as suas condutas operacionais tem menos chances de ser defendida ativamente pelo seu próprio leitor. É ele, o público leitor, que tem direito à imprensa livre – é, portanto, a ele que a imprensa livre deve prestar contas. O cidadão tem mais apreço pelo jornalismo quando é convidado a compreendê-lo, a fiscalizá-lo e a sustentá-lo.

No mais, uma imprensa que não pratica a transparência tem menos autoridade para cobrá-la do Estado.

Perillo teria pedido reunião com Cachoeira – Estadão.

Governador de Tocantins também conheceu Cachoeira – O Globo

A matéria não traz nenhuma denúncia concreta que possa prejudicar o governador de Tocantins, José Wilson (PSDB). Cito-a aqui apenas como prova de que é preciso separar muito bem o joio do trigo nesse festival de “denúncias”. A notícia indica, porém, que Cachoeira tentou (não se sabe até que ponto conseguiu) expandir seu esquema para toda a região centro-oeste.

Há uma série de denúncias relacionando Delta, o esquema Cachoeira e campanhas demotucanas em Goiás, sobretudo a de Marconi Perillo e Demóstenes Torres. Folha e Estadão deram destaque à informação. O Globo não. A Folha deu uma capa forte contra Perillo (manchete na metade inferior):

Vale observar, aliás, que os jornais de hoje deram grande destaque à vitória da presidente Dilma em sua luta contra os spreads e os juros extorsivos dos bancos. Essa capa da Folha, por exemplo, explica porque a popularidade da presidenta cresce enquanto a oposição definha.

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Vejamos as capas de outros jornais:

O noticiário econômico de hoje, aliás, é só alegria. Os bancos privados, após suas bravatas, cederam à queda-de-braço e reduziram juros. Não fizeram isso, certamente, por generosidade, mas porque detectaram movimentos de migração em massa de seus clientes para os bancos públicos. Não consegui link para essa notícia, então reproduzo uma fotografia do jornal impresso:

Leia essa matéria do Globo:

Bancos privados jogam a toalha

Onde se relata a derrota política dos grandes banqueiros, que tentaram (risivelmente) arrancar reduções de imposto do governo em troca de redução do spread e juros. Outra nota que relata essa derrota, está no Estadão:

 

Outras notícias econômicas relevantes:

Banco do Brasil volta a reduz juros – Folha.

Compare as taxas entre os bancos (site da Folha).

Dólar sobe a R$ 1,88 – Globo.

A sinalização do Ministério da Fazenda, de que procurará manter o dólar mais próximo de R$ 1,90, deve ter causado um forte suspiro de alívio para os exportadores.

Finalizando com chave de ouro: Com a decisão do BC de reduzir o juro básico de 9,75% para 9%, o Brasil atinge a menor taxa de juro real de sua história: descontada a inflação, o juro real brasileiro está em 3,3% ao ano. Em julho de 2009, apesar da taxa Selic ter chegado a 8,75%, o juro real foi de 3,9%.

Abaixo, um lindo infográfico publicado no jornal O Globo de hoje:

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Paulo

03 de maio de 2012 às 22h57

Esse blá-blá-blá tá tirando o foco.
Só sei que é muito bom que o governo trabalhe para diminuir o spread bancário, mas é uma medida que não atinge todos os brasileiros. 40% não tem acesso a conta bancária e dos que tem não são todos que pagam juros aos bancos pelo simples fato de não fazerem empréstimos ou não terem limite na conta.
Já impostos TODOS (100%) dos brasileiros pagam de uma forma ou de outra e o que ouço são rumores de aumento de impostos. O governo deveria dar exemplo e cortar benefícios desnecessários aos políticos ( e isso tem de monte), aplicar melhor os recursos e fiscalizar melhor. Também punir melhor. Seria um belo exemplo baixar os próprios juros.

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    Miguel do Rosário

    03 de maio de 2012 às 23h27

    Juros e spread afetam 100% dos brasileiros, porque afetam todas as empresas, que geram 100% dos empregos.

    Responder

Paulo

03 de maio de 2012 às 20h27

No meu comentário anterior confundi Finlândia com Islândia, outro país Nórdico. Esse sim tem a carga tributária menor que o Brasil e com qualidade de serviços públicos melhores.
Agora, observar arrecadação per capita como indicador de baixa arrecadação de impostos é o mesmo que pegar 9 mendigos e o Bill Gates, calcular a média patrimonial e chegar a conclusão que se tem 10 milhonários.

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    Miguel do Rosário

    03 de maio de 2012 às 20h49

    É muito fácil ter serviços públicos bons num país com 403 mil habitantes. Quero ver fazer o mesmo num país com 200 milhões de pessoas!

    Responder

Paulo

02 de maio de 2012 às 10h04

Acho que está tendo uma visão míope da situação sobre a luta do governo contra o spread bancário.
Antes que me joguem pedras e me acusem de ser troll, quero deixar claro que é louvável a atitude do governo em forçar os bancos a reduzirem os juros.

Só que uma pesquisa recente do IPEA mostra que 40% do brasileiros não têm conta bancária (então não pagam juros aos bancos, não tem acesso a crédito,…) A porcentagem é ainda maior na Região Nordeste: 52,6%. Já a Região Sul aponta a menor porcentagem, com 30% da população sem acesso a bancos.

Agora quero ver o governo reduzir os próprios juros e taxas, impostos e obrigações que 100% do povo brasileiro tem que pagar diariamente.

Exemplos:
Gasolina: 55 % de imposto
Cachaça: 83,07% de imposto
Refrigerante: 47% de imposto
Televisão: 44,94% de carga tributária
Geladeira: 37,88% de imposto
Livros: 15,52% de carga tributária
Roupas: 34,67%.

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    Miguel do Rosário

    02 de maio de 2012 às 14h51

    Paulo, até concordo com a redução dos impostos, mas entenda que a arrecadação per capita no Brasil ainda é muito baixa. Se baixar o imposto demais, não vai sobrar dinheiro nenhum para fazer obras de infra-estrutura e melhorar a educação. Veja esse post. http://oleododiabo.blogspot.com.br/2011/04/falaci

    Responder

      Paulo

      02 de maio de 2012 às 23h37

      Discordo que a arrecadação de impostos no Brasil não possa ser baixada drasticamente sem afetar os serviços ao cidadão. Nossa carga de impostos é das mais altas do mundo. Países como Finlândia, Nova Zelândia, Dinamarca, tem carga de imposto muito inferior à nossa e os serviços são muito superiores aos nossos. O problema é o desvio das verbas, a roubalheira, os cabides de empregos e excessos de benefícios para políticos.

      Responder

        Miguel do Rosário

        03 de maio de 2012 às 08h18

        Nunca li tamanha mentira. Cargas tributárias de Finlândia são muito superiores a do Brasil. Mas eu nem falo de carga tributária aqui e sim de arrecadação per capita. Nesse quesito, o Brasil é bem pobre. Arrecadamos bem pouco.

        Responder

Mucuim

20 de abril de 2012 às 18h35

"Não foi apenas a oposição que perdeu a credibilidade, mas a banda de música do DEM e do PSDB passou a ser menos crível numa mídia que acuou o governo passado, mas está acuada agora." by Maria Inês Nassif http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMost

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Marcelo Cougo

20 de abril de 2012 às 14h45

As tuas análises tem me ajudado entender melhor essa infoxicação midiática!!

Coisa interessante é que o jornalismo nunca debate o jornalismo, aliás, ninguém pode debater ou discordar, senão é censura!!

Um abraço!

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Adriano Matos

19 de abril de 2012 às 23h06

Oi Miguel!

Agora é recarregar as baterias para acompanhar e pressionar quanto possível os resultados que a CPI for fazendo aparecer. Buscar estar informado é agora, mais do que nunca, um dever cívico.

Dos textos linkados li somente o do Bucci. É bom, tem humor, mas discordo que o tema da imprensa seja paralelo aos principais objetivos da CPI. Formalmente, a CPI julgará o envolvimento de agentes do setor público e também do setor privado nas ações criminalmente qualificadas no âmbito das operações delta e monte carlo.

Na minha opinião, a CPI deve revirar as caixas pretas do "quarto poder" na sua relação com os crimes imputados à quadrilha de Carlos Cachoeira, doa a quem doer!

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Elson

19 de abril de 2012 às 21h13

Só espero que essa CPMI não seja pautada pela imprensa e que não acabe em uma enorme pizza . Vamos ver com que capa a veja sai no domingo , afinal é o dela que também está reta , tem muito político querendo dar o troco e esta é a oportunidade .
Sobre a queda dos juros na banca privada , já era esperada , afinal ninguém quer perder negócios . e , é capaz que as taxas caiam ainda mais , vai ter gerente de banco pegando cliente à laço .

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Eloy

19 de abril de 2012 às 21h10

E o povo ainda achava que o Lula que era bom…Dilma da de 10 no Lula, basta lembrar que no governo Lula ela era a Mãe do PAC. Sem falar que ela é mt mais transparente e honesta que o Lula. Até hj ninguém explica como os filhos do Lula ficaram milionários…

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Leonardo

19 de abril de 2012 às 20h51

Queria que Dilma fizesse com as teles o que fez com a banca… Pena que para isso precisaria investir horrores em backbones (hoje nas mãos dos privatistas) novamente…

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Helena Vargas

19 de abril de 2012 às 16h30

Começo a acreditar que as coisas estão melhorando.

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Viviane Fonseca

19 de abril de 2012 às 16h29

Valeu, Miguel. Você presta um bom serviço à sociedade. Sobre a decisão dos bancos, públicos e agora também os privados, de reduzirem spread e juros, isso representa uma mudança profunda de paradigma entre o setor financeiro e a população brasileira, e vai contribuir para desatar forças poderosas. Empreendedorismo, criatividade, disposição para o trabalho, são virtudes que os juros altos criminalizavam.

Beijos!

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