Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

Mendes botou raposa no galinheiro

Por Miguel do Rosário

26 de maio de 2012 : 20h14

O blog Nassif conseguiu matar uma boa charada. Tipo de coisa que a imprensa faria facilmente se o PT estivesse envolvido, mas que silenciam e se negam a informar como são seus aliados que estão na roda.

PS: Leitora pediu informações mais didáticas. Vamos lá:

  1. Gilmar Mendes era presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) no ano de 2008.
  2. A Polícia Federal e a ABIN estavam chegando perto de Cachoeira. O esquema ficou paranóico. Gilmar Mendes e Demóstenes Torres inventam um grampo, com o que produzem um factóide que derruba o diretor da Abin, Paulo Lacerda.
  3. Gilmar Mendes chama Jairo Martins para ser seu consultor de contra-espionagem dentro do STF.
  4. Em 2012, a PF desbarata o esquema Cachoeira. Descobre que Demóstenes Torres era um dos cabeças do esquema, e Jairo Martins, um de seus principais operadores.
  5. Gilmar Mendes, desesperado, dá entrevista à Veja, tentando se blindar, acusando Lula de lhe chantagear (como se fosse possível a Lula, em tempos de informação aberta, impedir que a CPI descobrisse as eventuais falcatruas de Gilmar). Segundo Mendes, a chantagem de Lula se deu dentro do escritório de Nelson Jobim, com presença deste.
  6. Jobim nega peremptoriamente o conteúdo da Veja, e ainda afirma que Lula não ficou sozinho um só momento com Gilmar.
  7. Outros ministros do STF também negam que Lula tenha feito qualquer insinuação que possa ser interpretada como pressão.
  8. Veja consegue o impossível: ir mais fundo que o nono círculo do inferno, até então considerado por Dante como o último. Não era. Há um outro círculo: Veja o estreou.

Comentário de Nassif: De certa forma, confirma o receio do Procurador Geral da República que, caso a denúncia sobre Demóstenes Torres chegasse ao Supremo, as investigações ficariam comprometidas.

Gilmar colocou no coração do Supremo o principal operador da conexão Cachoeira-Veja.

Notícia do Estadão de 30 de abril de 2011

Medo de espionagem leva até STF a pagar agentes

Desde o suposto grampo contra Gilmar Mendes, em 2008, Supremo foi dominado pela paranoia da espionagem

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo

Desde o escândalo do suposto grampo contra o ministro Gilmar Mendes, em 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) também foi dominado pela paranoia da espionagem, a exemplo do setor público em geral. O próprio ministro teria, deste então, um “personal araponga” – que lhe dá assessoria informal quando a ameaça vem de fora.

O trabalho é feito pelo ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Jairo Martins [um dos principais arapongas do esquema Cachoeira], hoje um dos nomes mais requisitados do mercado. Ele nega essa condição profissional.

Em razão da natureza de seu trabalho, todos os ministros têm proteção especial – mas alguns são mais preocupados que outros. É o caso de Marco Aurélio Mello, que costuma pedir mais varreduras no seu gabinete, e do atual presidente, Cezar Peluso.

O STF tem até uma Secretaria de Segurança Judiciária, que faz treinamento permanente de suas equipes em ações de inteligência. Esse cuidado confirma a preocupação crescente da Corte com a proteção de seus documentos e com a chamada “segurança orgânica das instalações”.

O Supremo recusou-se a dar informações sobre tamanho, forma e estrutura de sua área de inteligência. Conforme denúncia investigada em 2008, arapongas da Abin teriam grampeado uma conversa entre Mendes, então presidente da Corte, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Embora nunca confirmado, o suposto grampo derrubou o diretor da Abin, Paulo Lacerda. Na sua gestão, a agência havia sido reestruturada, os salários tiveram significativo aumento e o último concurso reforçou o quadro, que chegou a 2 mil profissionais.

Desde então, a Abin nunca mais reencontrou seus rumos e vem perdendo poder. O quadro atual, de 1.560 servidores, entre agentes, técnicos e oficiais de inteligência, vem sofrendo com a evasão. Um quarto desses servidores pertenceu ao Serviço Nacional de Informações (SNI), criado na ditadura militar (1964-1985) para vigiar adversários, até ser extinto no governo Fernando Collor.

O Gabinete da Segurança Institucional, ao qual a Abin é subordinada, centralizou as ações do órgão, depois que alguns dirigentes da categoria se recusaram a fazer parte da “tropa do Elito”, como alegaram de forma jocosa em relação ao general José Elito de Carvalho, titular da pasta. Até o fechamento desta edição, o GSI não respondeu ao questionário do jornal sobre evasão.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Marly Rosa

28 de maio de 2012 às 08h33

Meus pensamentos sobre o assunto.

Plagiando o PIG: O outro lado da notícia.
http://marlyrosa13.blogspot.com.br/2012/05/o-outro-lado-de-uma-noticia.html

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Roberto Locatelli

28 de maio de 2012 às 01h54

Prezado Miguel, o PIG poderia ter entregue os anéis (Demóstenes, Perillo e Policarpo) para não perder os dedos. Mas parece que resolveu ir para o tudo ou nada. Agora não há mais volta.

Parece que a direita, nesses tempos de crise aguda do capitalismo, resolveu mesmo agir assim. Vide Grécia: quiseram sugar até a última gota de sangue do povo grego. Podiam ter tentado pactuar um meio-termo. Agora o povo grego partiu pra forra…

De qualquer forma, no caso da CPI, não pode haver meio-termo. É preciso esquadrinhar todas as ramificações e todos os implicados no esquema Cachoeira. Acho que o Gilmar e a Veja perceberam que estão com problemas, sérios problemas.

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Helena Vargas

27 de maio de 2012 às 21h42

Miguel, aproveitando sua ideia de numerar. Aqui vai a minha lista:

1) Lula não está sendo julgado no mensalão. Ele não perde muita coisa se todo mundo for condenado.
2) Gilmar Mendes, indicado por FHC, sempre foi oposição a Lula. Não tem sentido Lula procurar um inimigo.
4) Outros ministros citados pela Veja negaram peremptoriamente qualquer pressão de Lula.
5) Todo mundo quer saber: que grande podre Lula teria de Gilmar, a ponto de querer trocar sua “blindagem” por adiamento do mensalão.
6) Que adianta adiar o mensalão? Os réu políticos, como Dirceu, querem logo acabar com essa tortura. Já se defenderam, não tem razão, portanto, para adiarem.
7)Jobim é amigo de Gilmar Mendes, tanto que estão até fazendo um trabalho juntos. Jobim foi demitido por Dilma, então teria até razão para alimentar algum ressentimento contra o PT. Se Jobim negou que Lula tivese feito qq pressão sobre Gilmar, e que o dois não ficaram sozinhos por um momento, creio que sua opinião vale muito mais.
8) Jobim afirmou que Lula não visitou a cozinha de seu escritório. Mendes disse que conversou com Lula na cozinha.
9) Todos os indícios da história apontam para uma mentira de Gilmar Mendes para produzir um factóide político e se autoblindar, assim como à Veja.

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Adriano Matos

27 de maio de 2012 às 21h17

Cara! Gilmar tem culpa no cartório, só pode!

E a veja, revistinha de merda, nem se deu o trabalho de entrevistar e ouvir a negativa da única testemunha da cena: nelson jobim.

Bateu o desespero. É a hora de atacar a besta acuada, com força total. Trabalho pro Congresso e o STF quem tem condições para tal.

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Gerson Todd

27 de maio de 2012 às 12h36

Isso não vai dar em nada. Gilmar Mendes continuará ministro e a Veja continuará sendo a maior revista do Brasil. E a CPI não vai prender mais ninguém além dos já presos. Acordem, crianças!

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    Helena Vargas

    27 de maio de 2012 às 21h43

    Você é patético.

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Carlos

27 de maio de 2012 às 10h27

O cara trabalha para o ministro e tem ligações com o Cachoeira e esse povo ainda vem aqui dar uma de injustiçado – aulas de interpetação de texto?

Só acreditam no que querem, se for notícia boa para o PT, o jornal é chapa-branca, se for ruim para o PT, o jornal é íntgro, pelo amor de deus…

Se os senhores não sabem, os blogs conseguem mais acessos únicos do que as tiragens de vários jornais famosos no país. Sem contar que aqui ninguém compra acesso para expor no consultório do dentista.

Gerson Todd, o Brasil realmente precisa saber a verdade, mesmo que ela seja amarga para o senhor, encare os fatos não seus desejos.

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Elson

27 de maio de 2012 às 06h04

Isto tudo faz sentido, uma PF fraca é o sonho de consumo de qualquer criminoso, porém a manobra de afastar Lacerda da Abin não deu muito resultado, pois as investigações contra o bicheiro continuaram, e foi até melhor, pois o Brasil todo pôde conhecer os comparsas do contraventor e quem é quem na República.

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Gerson Todd

27 de maio de 2012 às 02h34

Continuem com seus bloguinhos, que ninguém lê. Veja tem tiragem de mais de 1 milhão de exemplares. O Brasil saberá a verdade.

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    J Fernando

    28 de maio de 2012 às 14h13

    É até um pouco cansativo explicar, mas vamos explicando:
    – A tiragem de uma revista é impressa pela sua editora. O IVC (Instituto Verificador de Circulação) só verifica isso.
    – Se a revista é devolvida aos montes (exemplares não vendidos são devolvidos), o IVC não, frise-se: NÃO, contabiliza estes exemplares que retornaram.
    – Somente o governo de SP tem milhares de assinaturas desta revista (não é uma para cada escola, é uma para cada professor). Os professores que tentam cancelar estas assinaturas não conseguem, porque a assinatura não é deles, é do estado.
    – São distribuidos milhares de exemplares gratuitos, entre promoções e cortesias. Eu recebo a revista vez ou outra, em promoção. A revista Veja BH, que acaba de ser lançada para o público mineiro é enviada de graça para minha casa.

    Não é feita a continha básica de exemplares de tiragem, menos os exemplares devolvidos. Também colocam no mesmo balaio os exemplares para governos, brindes e cortesias.

    Essa tiragem de 1 milhão e tanto de exemplares é uma ilusão muito boa dos defensores da revista.

    Responder

      Helena Vargas

      28 de maio de 2012 às 17h07

      Muito obrigada por este comentário, Fernando!

      Eu acho ainda que deveriam mudar a lei da publicidade estatal, que é extremamente antidemocrática. Quem tem maior tiragem, recebe mais dinheiro do governo. Isso é um ciclo concentrador, porque quem recebe mais dinheiro, acaba podendo fazer tiragens maiores.

      Tem que investir na imprensa média!

      Responder

Gerson Todd

27 de maio de 2012 às 02h33

Impressionante como a petralhada está feliz com a corrupção! Bando de ditadorzinhos. Querem fechar a Veja pra criar uma espécie de Granma tupiniquim.

É claro que Jobim não confirmaria. Foi ministro de Lula, tem rabo preso também.

A casa caiu é pra vocês. Lula vai terminar sua convalescença na Papuda.

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    Elson

    27 de maio de 2012 às 06h08

    Ninguém quer fechar a veja, ela mesma está se enterrando, quando inventa matérias para atacar seus adversários políticos, se associa ao crime organizado e assassina reputações. Veja só circula ainda por conta dos amigos tucanos de São Paulo que compram assinaturas sem licitação, é por isso que a veja só ataca os petistas e esconde as maracutaias tucanas.

    Responder

    Elson

    27 de maio de 2012 às 06h09

    Lula não vai para a Papuda, pois lá é a residencia oficial de férias do DEM/PSdB.

    Responder

Herval

27 de maio de 2012 às 02h29

Miguel, reproduzo aqui comentário do Otto no blog do Pax (http://politicaetica.com/2012/05/18/vaccarezza-e-o-pecado-da-soberba-quem-paga-a-conta-e-odair-cunha-e-o-pt/).

Otto disse

26/05/2012 às 19:48

De um comentário de Daniel Quireza:

A matéria é totalmente inverossimil por dois motivos:

1) Gilmar Mendes não tem poder algum sobre a data de julgamento do processo do mensalão. Há 3 ministros como poder sobre a data: O presidente do STF, Ayres Brito, o relator do processo Joaquim Barbosa e o revisor do processo, Ricardo Lewandovisk. Repetindo, Gilmar Mendes não tem nenhum ingerência sobre a data que será o julgamento. Portanto não faria sentido algum Lula apelar ou precionar quem não tem poder de agir em supostamente seu benefício.

2) Lula indicou a maioria dos ministros do STF. Indicou Peluzo, Lewandowisk, Brito, Tofolli, Barbosa, Carmen Lúcia. Dilma ainda indicou Fux e a Rosa Weber. Celso de Melo foi o Sarney, Marco Aurelio foi indicado pelo Collor e o Gilmar Mendes por FHC, ou seja, em tese, o mais oposicionista em relação a Lula. Não faz sentido algum, se Lula quisesse fazer algum tipo de pressão, que a fizesse sobre Gilmar Mendes quem nem amigo dele é. Se fosse para fazer, o faria sobre algum outro, possivelmente os 3 com poder de alterar a data. Mas claro que teriam que haver provas e não uma mera reportagem.

Agora, que ficou muito estranha essa estória dele ter se encontrado em Berlim com o Demóstenes e possivelmente com o Cachoeira ficou. Provavelmente essa matéria é cortina de fumaça para o que pode vir a aparecer daqui para frente entre Gilmar Mendes, Demóstenes e possivilmente Cachoeira.

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Carlos Lenin Dias

26 de maio de 2012 às 22h36

Só desesperados,e bota desesperado nisso,vai tão longe

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