Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Análise das eleições em São Paulo

Por Miguel do Rosário

06 de junho de 2012 : 13h00

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As novidades da eleição paulista são o apoio do PR ao Serra e a decisão, finalmente, do PSB de integrar a chapa de Haddad. O presidente estadual do PSB no estado, Marcio França, deixou o governo Alckmin, liberando a legenda para apoiar o PT na capital. O PT, por sua vez, fez a vontade de Eduardo Campos, presidente nacional dos socialistas, e tirou João da Costa, desafeto de Campos, da disputa para a prefeitura de Recife, impondo como candidato o senador petista Humberto Costa.

Com isso, o tempo dos principais candidatos à prefeitura paulistana deverá ficar assim:

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Antes de continuar a análise do quadro paulistano, relembremos alguns dados:

400 bilhões de reais, este é o PIB do município de São Paulo – o motivo da importância estratégica das eleições na cidade. Fosse um país, São Paulo estaria à frente de países como Israel e Egito.

É um monstro urbano com 11 milhões de habitantes e 8,5 milhões de eleitores. Para se ter uma ideia, a Finlândia tem 5,4 milhões de habitantes.

Em virtude desta magnitude financeira e populacional, a conquista da prefeitura paulistana tem um grande significado político, mas este ano há um outro fator em jogo.

A capital tornou-se uma das últimas grandes fortalezas da oposição ao governo federal. Esta foi a razão pela qual o PSDB escolheu seu candidato mais forte para disputar o pleito: José Serra, que tem um enorme recall em virtude de sua recente participação nas eleições presidenciais, além de um longo histórico de mandatos e batalhas eleitorais.

No segundo turno de 2010, Serra obteve 53,6% dos votos válidos no município, ou 3,42 milhões de eleitores. Dilma, que levou o troféu a nível nacional, recebeu 46%. O número de votos válidos em 2010 ficou em 6,4 milhões. Abaixo o quadro com o resultado em 2010 das eleições presidenciais na cidade de São Paulo:

 

No último Datafolha, a situação ficou da seguinte maneira:

Repare que Serra tem 40% de preferência entre os que ganham mais de 10 salários. E aí que reside o núcleo central de sua força política: entre a poderosa elite paulistana.

Haddad, por sua vez, representa apenas um potencial. Sabe-se que o PT tem aproximadamente 30% do eleitorado paulistano, e a aposta do partido é que a popularidade de Lula ajude a carrear votos, mas não será um pleito fácil.

O melindre de Marta Suplicy, preterida em favor de Haddad na disputa, tornou-se um ponto fraco na campanha petista. A mídia paulista, que tende a apoiar majoritariamente o tucano, percebeu isso e tem procurado insuflar o ego da senadora. Diariamente, colunas e editoriais louvam a postura “independente” e “democrática” de Marta Suplicy.

O Estadão deu voz, inclusive, a um boato de que Marta poderia se desfiliar do PT e migrar para o PMDB. Embora incrível, Marta dá motivos a esse tipo de falatório, ao manter um silêncio cheio de mistério.

Eu recuperei também os resultados das eleições de 2000, para a gente ver o desempenho do PT numa eleição ganha em São Paulo:

 

Repare que Marta se beneficiou, no primeiro turno, de uma direita dividida em três candidatos: Maluf, Alkmin e Romeu Tuma. No segundo turno, a petista se beneficiou de uma situação bem especial. Covas orientou o PSDB a apoiar Marta, contra Maluf, e a mídia, que vinha tentando derrubar o malufismo para substituí-lo pelo tucanato, não podia apoiar aquele que vinha satanizando há algum tempo. De maneira que Marta tornou-se uma espécie de anti-Maluf, o que lhe valeu a vitória.

Desta vez, ao contrário, os seguintes fatores favorecem Serra:

  1. A grande mídia (não só a paulista), que talvez seja a principal força política na cidade, já entrou de sola na campanha tucana.
  2. A direita está unida: PSDB, DEM, PR, o conservadorismo religioso. Todo mundo bem coesa em defesa de Serra.
  3. A militância antipetista atuará com muita força, em função das circunstâncias políticas nacionais.
  4. O atual prefeito não hesitará em usar a poderosa máquina administrativa da prefeitura em seu favor.
O último item não pode ser subestimado. As grandes metrópoles na América do Sul tem contrariado tendência nacionais. Buenos Aires e Caracas, por exemplo, são bastiões da oposição aos governos centrais.
O único ponto fraco de Serra é o seu alto índice de rejeição. Segundo o Datafolha, 30% dos entrevistados não votariam nele “de jeito nenhum”. Mas esse fator não é supresa: corresponde justamente ao eleitorado cativo do PT.

Quer dizer, Serra tem outros pontos sensíveis, muitos aliás, todos ligados às denúncias que circulam na blogosfera de esquerda contra sua pessoa. Algumas de suma gravidade. Mas a mídia paulista bloqueia titanicamente qualquer informação desse tipo, e o processo eleitoral tende a vulgarizar esse tipo de denúncia, considerado golpe de campanha.

Enfim, se Haddad parecia flutuar no melhor dos mundos quando foi escolhido, em função da confusão no tucanato, e da popularidade olímpica de Lula e Dilma, que oferecem melhores números que o próprio governador, hoje a situação se inverteu.  Haddad agora é uma espécie de zebra na eleição paulistana. Mas uma zebra de luxo, em virtude de seus padrinhos e da enorme pujança política e financeira que vive o PT atualmente.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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25 comentários

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elsonfidofilo@hotmail.com

06 de junho de 2012 às 23h58

O Serra já bateu no teto, não tem mais para onde crescer. Além disso, sua cria Kassab já está queimada, quem é que vai querer um prefeito alienado da realidade de sua cidade, um elemento que jogou os paulistanos aos leões em troca de um projeto pessoal? Somente a mídia, que dá apoio à políticos desprovidos de senso comum!

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Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 19h57

PSDB exibe propaganda em que Aécio fala de ‘ética’ e racha diante das dúvidas sobre Perillo

Josias de Souza

O PSDB atravessa uma quadra paradoxal. Exibe na tevê inserções publicitárias em que seu presidenciável, Aécio Neves, fala de um “sonho”. O sonho “de que a política possa, um dia, ser o espaço da ética.” Simultaneamente, o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, desponta nos telejornais do horário nobre como protagonista de um pesadelo.

A falta de conexão entre propaganda e noticiário leva incômodo ao tucanato. Antes unido na defesa de Perillo, o PSDB dividiu-se. Uma parte acha que a legenda deve proteger o governador goiano dos ataques do PT na base do vai ou racha. Outra ala, minoritária, acredita que a biografia de Perillo, já rachada, não vale o sacrifício.

A divisão manifesta-se, por ora, apenas em privado. Mas integrantes do grupo dos insatisfeitos começam a manifestar o desejo de explicitar suas opiniões às claras. Em conversa com o blog, uma das vozes desse bloco explicou o que se passa. Disse que se formou no PSDB um consenso.

Avalia-se internamente que a suspeita de infiltração de Carlinhos Cachoeira na administração de Perillo já comprometeu o plano do governador de disputar a reeleição em 2014. Se é assim, por que deveríamos nos associar incondicionalmente a um caso perdido?, pergunta-se o tucano.

O grande receio do pedaço do partido que olha de esguelha para Perillo é o de que o PSDB saia do Cachoeiragate mais ensopado do que o DEM. Recorda-se que o parceiro de oposição livrou-se de Demóstenes Torres no alvorecer do escândalo. Ouvido, um dirigente do ninho contra-argumentou: os indícios que pesam contra Perillo ainda não autorizam a equiparação com Demóstenes.

A turma do contra não digere essa tese. Olha ao redor e conclui: do ponto de vista político, Perillo tornou-se, sim, uma espécie de Demóstenes. Por quê? Suas explicações já não são levadas a sério. Teme-se que a tática da proteção a qualquer custo converta em pó o núcleo do discurso do PSDB contra o PT. Um discurso que se escora na tese segundo a qual Lula e o alto comando do petismo “passam a mão na cabeça” dos réus do mensalão, contemporizando com os transgressores.

Ao empurrar o PT para dentro da CPI, um dos objetivos de Lula era justamente o de silenciar as cornetas do mensalão num instante em que o STF prepara-se para julgar o processo. Na origem do escândalo, em 2005, Perillo irritara Lula ao propalar a informação de que o avisara sobre a contaminação monetária de sua base congressual. Algo que pôs em dúvida o lero-lero do “eu não sabia”.

O tucano que falou ao repórter insistiu: a forma mais adequada de responder ao Lula seria o PSDB se diferenciar dele. Não devemos e não podemos tapar o Sol com a peneira, disse. Em seguida, repisou: o DEM foi implacável com Demóstenes. E nós ainda não definimos nem o que fazer com o Leréia. Refere-se ao deputado do PSDB de Goiás Carlos Alberto Leréia, um membro do ‘Clube Nextel’ pilhado nos grampos da Polícia Federal em diálogos vadios com Cachoeira.

Nesse contexto, as dúvidas relacionadas à venda de uma casa de Perillo, adensadas nesta terça (5), compõem o cenário como mero detalhe. É parte de um pano de fundo que, tomado em seu conjunto, leva a um cenário radioativo.

Inclui, por exemplo: o aparelhamento da polícia goiana, posta a serviço da jogatina ilegal de Cachoeira; a chefe de gabinete do governador, afastada depois de soar nos grampos; a entrega de postos estratégicos como o Detran-GO a prepostos do contraventor; o jornalista que diz ter recebido de empresa fantasma de Cachoeira a remuneração por serviços prestados à campanha de Perillo; e um enorme etc..

Convocado, Perillo falará à CPI na próxima terça-feira (12). Será crivado de indagações ácidas. O PT dispõe até de um roteiro com dados de extraídos do papelório recebido da PF e do Ministério Público. No dia seguinte, 13, irá ao banco da CPI o governador petista de Brasília, Agnelo Queiroz. O tucanato arma-se para ir à forra.

O PT acredita que, na comparação, Perillo sairá mais chamuscado que Agnelo. Admite-se que os autos da Operação Monte Carlo revelam que Cachoeira tramava ocupar também a administração de Brasília. Porém, a PF teria estourado a quadrilha numa fase em que o contraventor chegara apenas aos arredores de Agnelo. Nessa versão, o esquema ruiu antes que Cachoeira desse o definitivo bote.

Seja como for, um pedaço do PSDB não parece satisfeito com a ideia de travar nas manchetes uma batalha do tipo sujos versos mal lavados. O problema é que os tucanos, à moda dos intelectuais, costumam entregar-se a um estranho fenômeno: a lamentação depois do fato. Vem daí que, a despeito do incômodo crescente, ainda não surgiu um bico com coragem suficiente para grasnar sob holofotes.

Na propaganda institucional que começou a ser veiculada no último final de semana, Aécio declara: “Com coragem para enfrentar os problemas, com transparência e cuidado com cada centavo do dinheiro público, é possível, sim, mudar de verdade a vida das pessoas. Nós do PSDB acreditamos muito nisso. E você?”

A peça promocional compõe um pacote de 40 inserções nacionais que o PSDB decidiu regionalizar. Aécio está sendo levado ao ar em vários Estados. Ao cotejar o “sonho” da propaganda com o pesadelo que vem de Goiás, o eleitor fica tentado a responder ao presidenciável: ‘Não acredito muito nisso.’

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Gerson Todd

06 de junho de 2012 às 19h38

Outra notícia pertinente:

O pesadelo do DEM não acaba: agora é Cesar Maia

DEPOIS DE SEU MAIOR EXPOENTE NO SENADO, DEMÓSTENES TORRES, CAIR EM DESGRAÇA POR AMIZADE COM CARLINHOS CACHOEIRA E O PRESIDENTE NACIONAL DO PARTIDO, AGRIPINO MAIA, SE ENROLAR EM ESCÂNDALO DE INSPEÇÃO VEICULAR NO RIO GRANDE DO NORTE, EX-PREFEITO DO RIO PERDE DIREITOS POLÍTICOS POR 5 ANOS
06 de Junho de 2012 às 17:43

Brasil 247

247 – O pesadelo do Democratas não tem fim. Depois de perder seu grande expoente no Senado e ver seu presidente nacional enrolado com esquema de corrupção na inspeção veicular do Rio Grande do Norte, o partido levou mais uma bordoada. O ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia foi condenado ontem (5) à perda dos direitos políticos por cinco anos, em processo na Justiça do Rio de Janeiro.

A ação que desembocou na condenação foi proposta pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro e questionava um contrato feito em 2004 pela Rio-Urbe, uma autarquia municipal, e a Studio G Construtora Ltda para a construção da Igreja de São Jorge, na Zona Oeste da cidade. À época, a obra, que custou R$ 149.432,40, foi considerada ilícita pelo Ministério Público.

Além dos direitos políticos suspensos, Cesar Maia e outros três réus foram condenados a ressarcir os cofres públicos com o valor da obra. Ainda cabe recurso à decisão. O ex-prefeito disse ao site G1 que vai recorrer da decisão, apesar de ainda não conhecer seu teor. “Sequer sei do que se trata. Mas, como é na primeira instância, o recurso esclarecerá tudo. Aliás, como tem sido”, disse Cesar Maia.

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Gerson Todd

06 de junho de 2012 às 19h32

Lula não respeita nenhuma lei… Pobre Brasil…

POLÍTICA
Lula elogia Eduardo Paes, que antecipa a campanha no Rio
Cassio Bruno, Globo

Já em clima de campanha eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez vários elogios ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato à reeleição pelo PMDB, na manhã desta quarta-feira (6), durante a inauguração da Transoeste, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio.

Além de Lula e Paes, o palanque contou com a presença do governador Sérgio Cabral, do senador Lindberg Farias, e do pré-candidato a vice-prefeito na chapa de Paes, o vereador Adilson Pires, do PT.

– Em 2008, eu cheguei ao aeroporto da base aérea de Santa Cruz, e o governador Sérgio Cabral pediu para que eu apoiasse o Paes para ser prefeito do Rio. Confesso que, por eu não conhecê-lo, eu tinha dúvidas. Mas fui convencido por Cabral a apostar nesta figura (Paes). Hoje eu posso dizer para vocês que valeu a pena pedir votos para Eduardo Paes. Posso te dizer, Eduardo, que, em 2012, eu tenho muito mais convicção – discursou Lula, sendo aplaudido por uma plateia formada por trabalhadores da obra, moradores da região e cabos eleitorais de vereadores e deputados.

No fim do discurso, Lula puxou Eduardo Paes pelas mãos, o abraçou, e disse:

– É com muito orgulho que eu posso dizer ao povo do Rio de Janeiro: um dia, eu tive coragem de ir para a televisão e pedir votos para este moço. Posso dizer que valeu a pena os votos que vocês deram a ele.

Antes do ex-presidente, Paes também fez discurso. Na ocasião, ele enalteceu uma série de realizações da sua administração. E agradeceu a população da Zona Oeste os votos que recebeu nas eleições de 2008.

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Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 19h29

Miguelito, parece que a novela finalmente vai acabar.

06/06/2012 – 18h54
Supremo marca julgamento do mensalão para o dia 1º de agosto
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DO VALOR, EM BRASÍLIA

Atualizado às 19h09.

O STF (Supremo Tribunal Federal) marcou para o dia 1º de agosto o início do julgamento do mensalão. A data foi definida em reunião administrativa entre os ministros nesta quarta-feira.

A proposta de começar o julgamento no dia 1º de agosto foi feita pelo decano do STF, ministro Celso de Mello. Ele ressalvou que a confirmação dessa data depende da liberação do processo pelo ministro revisor da ação, Ricardo Lewandowski.

Lewandowski não estava presente na reunião que definiu o início do julgamento. Ele teve de se ausentar por motivo de viagem. Por meio de sua assessoria, o ministro informou que vai liberar o caso para julgamento ainda neste mês. Ainda segunda a assessoria, Lewandowiski concordou com a data de início do julgamento.

Segundo a proposta de Celso de Mello, o STF vai fazer sessões diárias de julgamento a partir do dia 1º de agosto exclusivamente para o mensalão.

Entre o dia 1º até o dia 14, as sessões serão dedicadas à leitura do relatório e às sustentações dos advogados de defesa e da acusação, que será representada pelo Ministério Público.

A partir do dia 15, o tribunal deve começar a proferir os votos.

Celso de Mello explicou que, assim que os ministros começarem a votar, o que deve acontecer no dia 15, as sessões serão realizadas às segundas, quartas e quintas-feiras.

O cronograma foi aprovado por unanimidade pelos ministros do STF presentes à sessão administrativa. Dos 11 integrantes do STF, apenas Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli não participaram da sessão.

Responder

Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 19h23

A “antecipação” das campanhas, por Marcos Coimbra
Enviado por luisnassif, qua, 06/06/2012 – 09:00
Do Correio Braziliense

A “Antecipação” das Campanhas

Por Marcos Coimbra

Semana passada, esta coluna tratou dos prazos de campanha, um aspecto controverso de nossa legislação eleitoral. Em tela, o caso de São Paulo.

Este ano, dois dos principais candidatos à prefeitura da cidade já receberam punição por fazer “propaganda antecipada”. José Serra e Gabriel Chalita – e os diretórios estaduais do PSDB e do PMDB – foram condenados a pagar multa de R$ 5.000,00.

Face ao que se gasta para fazer política no Brasil, uma ninharia. Mas relevante no plano simbólico.

A discussão foi a respeito do uso promocional dos horários que a Justiça Eleitoral reserva – a cada semestre – aos partidos.

Nos termos da legislação, esses só podem ser usados para três finalidades: a “difusão dos programas partidários”, a “transmissão de mensagens aos filiados” e a “divulgação da posição dos partidos em relação a temas político-administrativos”.

A lei veda, especificamente, que neles se faça a “divulgação de candidatos a cargos eletivos”. (Não deixa de ser curioso que a proíba na mesma frase em que veta a “defesa de interesses pessoais ou de outros partidos”. É como se nossos legisladores entendessem que mostrar seus candidatos é tão condenável quanto defender causas privadas ou extra-partidárias.)

Não foi – a rigor -, portanto, por “propaganda antecipada” que Serra, Chalita e seus partidos mereceram castigo. Sofreram a sanção por mau uso do tempo – e não por fazê-lo naquele momento.

Como disse, em seu despacho, o juiz que multou Serra: o tucano fizera “propaganda dissimulada”, aproveitando-se do horário partidário para se promover. É isso que a lei não permite, independentemente de quando.

Outra coisa é a “propaganda antecipada”, também reprimida por nossa legislação.

Ao contrário do que pensam alguns – entre os quais muitos comentaristas, que deviam conhecê-la melhor – a lei não coíbe os pronunciamentos políticos antes da eleição.

Seria absurdo se o fizesse.

Ela autoriza, nominalmente, “a participação de filiados a partidos políticos e pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos (…)”. O que não permite é “o pedido de votos”. (E requer das emissoras tratamento isonômico para todos os candidatos.)

Ou seja: as lideranças e os candidatos não estão proibidos de se apresentar, discutir a eleição e revelar propostas. O que não podem, antes do início oficial da campanha, é solicitar, explicitamente, o voto – mesmo porque só há candidaturas efetivas depois das convenções.

A fronteira entre a discussão política – autorizada – e o pedido de votos – reprimido – não é clara. Quando, por exemplo, uma liderança afirma que considera melhor o candidato de seu partido, comete crime? Deveria ser punido por “propaganda eleitoral antecipada”?

Quando Lula foi ao programa do Ratinho e afirmou que achava que “São Paulo precisa de um prefeito que tenha o mesmo entusiasmo que Fernando Haddad mostrou quando era ministro da Educação”, cometeu um crime?

A julgar pela crítica quase unânime que recebeu de nossa “grande imprensa”, pareceria que sim. E dos mais graves.

Não há, no entanto, nenhuma diferença fundamental entre o que fez Lula e o que fizeram Serra e seus simpatizantes quando a candidatura do tucano foi lançada. Ele mesmo esteve na televisão, para dar longas entrevistas, falando como candidato. Os amigos – agindo legitimamente – ressaltaram suas qualidades e sublinharam que a cidade precisava de alguém como ele.

Mas talvez haja uma distinção. Lula falou para o “povão”, em um programa popular, conversando com um apresentador popular. Os defensores de Serra preferiram os jornais – especialmente os “grandes” – e os talk shows de fim de noite.

Ninguém vê crime em declarações desse teor à “grande imprensa” – e não há mesmo.

Por que haveria quando elas são feitas na televisão popular?

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Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 19h22

Mídia tentou evitar CPI para poupar Perillo do que se vê
Posted by eduguim on 06/06/12 • Categorized as Análise

Por Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

Quando Willian Bonner aparece na telinha lá pelas oito e meia da noite, durante o Jornal Nacional, fico prestando atenção em suas expressões faciais. Por mais que seja hábil em disfarçar o que pensa ao dar uma notícia, para mim ele é um livro aberto.

Contentamento e contrariedade, medo e arrogância, clareza ou dissimulação podem ser medidos se você sabe que aquela notícia que está sendo dada é verdadeira ou não ou se sabe qual é a posição de quem noticia este ou aquele assunto.

Analisando como se comportam as expressões de alguém conforme o que pensa sobre o que diz, você passa a conhecer a pessoa. Willian Bonner, para este blogueiro, é um livro aberto…

Exemplo: foi instrutivo ver o âncora do Jornal Nacional relatar a intervenção federal no Banco Cruzeiro do Sul sem citar que a instituição, ora acusada de fraude, pertence à família do ex-candidato a vice-presidente na chapa de José Serra em 2010, Índio da Costa.

Vi a expressão de Bonner quando mentiu – ou omitiu, o que dá no mesmo. Este é apenas um exemplo da técnica que uso para “conhecer” aqueles que precisam de vigilância. Com base nas expressões faciais em situações de mentira, omissão ou sinceridade, você aprende sobre a pessoa.

Nos últimos dias, as expressões desse e de outros âncoras de telejornais que diuturnamente tratam de tentar manipular o público, demonstram desalento. O que os desalenta é a CPI do Cachoeira, que já começa a chegar ao ponto em que a mídia e a oposição tanto temiam.

A mídia tentou impedir a abertura da CPI. Fez ameaças, previu que se voltaria contra o PT, esgrimiu com a tese absurda de que oposição não pode ser investigada por CPI porque esta é “instrumento da minoria”, o que, se fosse verdade, tornaria essa minoria inimputável.

Instalada a CPI, Globo, Folha, Veja, Estadão e assemelhados desandaram a decretar que terminaria “em pizza”, que haveria acordo entre tucanos e petistas porque os dois lados estariam igualmente envolvidos. E, supremo caradurismo, equiparou Agnelo Queiroz e Sergio Cabral a Marconi Perillo.

Colunistas do PIG como Reinaldo Azevedo, Eliane Cantanhêde, Merval Pereira e Ricardo Noblat chegaram a dizer que havia mais indícios contra Agnelo e Cabral do que contra Perillo, que, simultaneamente, diziam um inocente alvejado pelo “desejo de vingança” maligno de Lula.

O que se vê, agora, é muito diferente do que a media “previu”. Até o momento, a CPI não se voltou contra seus autores – que a mídia chegou a negar que eram os governistas, apesar da teoria da “vingança”. Pelo contrário, o que vai ficando claro é que o esquema Cachoeira era, essencialmente, demo-tucano.

Não foi preciso usar informações de fontes sobre a Operação Monte Carlo, apesar de existirem, para concluir que Carlos Cachoeira integrava a máquina denuncista da mídia contra Lula, PT e aliados. Para comprovar, basta analisar as informações que passava à revista Veja.

Durante os oito anos de Lula e o primeiro ano de Dilma, as denúncias de Cachoeira à Veja tiveram um só foco: o governo do PT e seus aliados. Ora, como é possível que estes integrassem o esquema do bicheiro se ele vivia fazendo denúncia contra governistas?

É tão simples, é tão lógico que chega a ser constrangedor ter que dizer isso. É um truísmo, uma platitude, de tão óbvio.

O que a lógica mostra, também, é que a mídia sabe muito menos sobre a Operação Monte Carlo do que insinua. Talvez menos do que blogueiros que vinham dizendo o que aconteceria, ou seja, que o desenrolar dos trabalhos faria com que recaíssem sobre a oposição.

Mas, também, sobre a mídia. Assim como havia informações de que as provas contra Perillo se amontoariam quando a CPI começasse a avançar, também se sabia o que em mais algum tempo ficará mais claro do que já está: Veja e Globo compactuaram com os crimes de Cachoeira em troca de informações que ele levantava contra o governismo.

E a cumplicidade cachoeiro-demo-tucano-midiática não para por aí. Em troca de informações contra o governo federal, contra o PT e seus aliados, alguns dos meios de comunicação acima citados publicavam matérias contra desafetos do esquema de Cachoeira.

Você leu neste e em outros blogs que Perillo iria entrar na roda, e entrou. Agora anote aí, leitor: os próximos serão Gilmar Mendes, Veja e Globo. E contra Agnelo e Cabral não verá nada de relevante simplesmente porque estão do outro lado.

Não se diz, aqui, que o governador de Brasília ou o do Rio de Janeiro são santos. Podem – eu disse, apenas, que podem – ser até dois gangsters, mas no esquema Cachoeira não surgirá nada contra eles. Simplesmente porque o bicheiro trabalhava para a oposição midiática.

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Jorge Struddel

06 de junho de 2012 às 19h19

Miguel, depois comenta esse texto do Nassif, se puder.

A luta contra o PIBinho
Enviado por luisnassif, qua, 06/06/2012 – 08:00
Coluna Econômica – 06/06/2012

Ontem houve reunião da equipe econômica com a presidente da República Dilma Rousseff. O objetivo foi um balanço das medidas tomadas até agora e as próximas etapas da luta para impedir que o PIB desabe.

O ponto central de discussão é a posição férrea do Ministro da Fazenda Guido Mantega e do Secretário do Tesouro Arno Agustin em não abrir nenhuma possibilidade de refresco nas metas de superávit primário.

Na mesa, havia duas sugestões do ex-Ministro Delfim Netto. Uma, a de permitir a depreciação acelerada de máquinas e equipamentos adquiridos agora. Outra, o de postergar por três meses o pagamento de impostos, permitindo recomposição de capital de giro das empresas.

A primeira poderia ter efeito direto sobre investimentos. A segunda, nem tanto.

De qualquer modo, as discussões estão emparedadas pela intransigência de Guido em avançar fora do convencional.

A luta contra o PIBinho depende de duas frentes relevantes: flexibilização do superávit com medidas eficientes de estímulo ao investimento; agilização no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), cujo ritmo de liberação de recursos tem provocado inclusive críticas internas no governo.

Não se trata de propor nenhuma imprudência fiscal, mas em um desafogo com data marcada para terminar.

A imagem que se tem, internamente, é a de um time de futebol com dois volantes, que acaba de levar um gol – o PIBinho do primeiro trimestre – e precisa virar o jogo. Para tanto, necessita de atacantes.

E aí se esbarra em dois aspectos do estilo Guido. Um, o da dificuldade em ousar – como o governo fez na crise de 2008. Outro, o discurso descolado da realidade, insistindo desde o começo do ano no crescimento de 4,5% do PIB.

Na época, foi alertado que uma conjugação de fatores não recomendava otimismo. Aliás, uma das normas do discurso econômico é não avançar em prognósticos excessivamente otimistas em relação ao PIB. Pelo contrário, há que se ser otimista na ação, cauteloso na previsão. Sendo conservador, qualquer resultado melhor será comemorado e ajudará a injetar ânimo nos agentes econômicos. Sendo excessivamente otimista, o mesmo resultado provocará frustração.

Guido tem o hábito de inverter a equação. Precisa ser empurrado para decisões mais ousadas; e contido nas projeções irrealistas.

Poucos dias antes do PIBinho insistiu nos 4,5%. No dia do PIBinho, veio com a história de crescimento de 4,5% na ponta (isto é, no último trimestre). Internamente, no governo, teme-se inclusive que o PIB possa ficar abaixo de 2%, devido aos problemas climáticos, aos fatores China e Índia e à dificuldade em uma nova rodada de consumo após a rodada inicial do ano passado.

Há uma estratégia clara delineada:

Todo estímulo ao investimento.
Recomposição do mercado de consumo, através de renegociação das dívidas de uma parte dos consumidores, e de paciência com a outra – aguardando o vencimento dos financiamentos tomados na primeira rodada.
Aproveitar a queda nas cotações de commodities e na economia chinesa para uma intervenção mais vigorosa no mercado cambial.
Não são plantios para serem colhidos este ano, mas nos próximos anos. Inclusive porque a recomposição da safra agrícola deverá ser outro fator positivo para inverter o PIBinho.

Responder

Ricardo

06 de junho de 2012 às 19h18

Miguel, a CPI do Cachoeira agora engrenou de vez. Parabéns a você e outros blogueiros pela luta para evitar que ela saísse dos trilhos.

Abraço!

Responder

Vania

06 de junho de 2012 às 19h17

Eu entendo o Miguel, ele estuda esse troll como um fenômeno sociológico… Eu também, como psicóloga e estudiosa da relação entre psicologia e politica, me interesso por casos assim.

Repare que ele vê um mundo completamente binário, um preto e branco radicais.

Responder

Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 19h15

Não sei como o Miguel ainda tem paciência com esses trolls doentes.

Responder

Francisco de Alcântara

06 de junho de 2012 às 16h16

Pobre Pinguço de 9 dedos.

Pobre Haddad do Kit Gay ( ele quer que haja aula de Homoafetividade para crianças de 6 anos nas escolas)

Esses aí nao se elegem nem para guarda noturno de rua, em SP…
.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/1101089-marta-chama-de-bobagem-especulacao-sobre-saida-do-pt.shtml

O GATO COMEU SUA LINGUA, MIGUEL?
NA FALTA DE TER ALGO A DIZER,, É MELHOR DELETAR NÉ?

NAO ESQUENTA. CADA POST MEU AQUI TEM UM PRINT SCREEN QUE VAI DIRETO PARA AS REDES SOCIAIS, MOSTRANDO O NIVEL DE ARGUMENTAÇAO DA PTRALHADA..HEHEHEHEHEHEEHEHEHEH

VOU TE DEIXAR FAMOSO….

ABS…

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    admin

    06 de junho de 2012 às 16h21

    Tô vendo o seu nível…

    Responder

      Francisco de Alcântara

      06 de junho de 2012 às 16h40

      Martaxa Suplicio ja avisou a Liga GBLT do PT que NAO vai na Parada Gay, em protesto ao PT.

      Lula 9 Dedos e o PT estao apodrecendo por dentro.

      E vcs soltam rojoes aos 0,000002% de crescimento do Brasil Lulo PTralha..

      COMENTE, MIGUEL SEM LINGUA……….

      Responder

        admin

        06 de junho de 2012 às 16h48

        Você não faz outra coisa o dia inteiro? Vá no site do PT e faça seu comentário. Eu não sou filiado ao PT. Estou só admirando seu admirável nível intelectual, rs…

        Responder

      Francisco de Alcântara

      06 de junho de 2012 às 16h48

      Só mais duas para vc comentar , SE PUDER, Miguel:

      TODO MUNDO SABE que LULA PINGUÇO e BANDILMA do PT dependem de ANALFABETOS votando, em troca de Bolsa Miséria, para se elegerem.

      E os estudantes dessas RIDÍCULAS Universidades Federais, que se f….
      .
      http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,ufabc-adere-a-greve-e-numero-de-federais-paralisadas-chega-a-50,882675,0.htm

      Responder

        admin

        06 de junho de 2012 às 17h01

        É mesmo? Ué, eu conversei outro dia com um empresário, bem sucedido, extremamente culto, que falou que sempre votou no Lula e sempre votará. Acho que você está por fora.

        Responder

    elsonfidofilo@hotmail.com

    06 de junho de 2012 às 23h37

    Se desqualificar as pessoas for argumento de alto nível, eu prefiro continuar fazendo parte da ralé, pelo menos, nós não acreditamos em Papai Noel, coelho da páscoa, PSdB/DEM, José Cerra, Veja, Rede Globo e afins!

    Responder

Pepe

06 de junho de 2012 às 13h55

Também mudando o tema. Olha que cara de pau, Miguel.

De Ilimar Franco / O Globo

A coluna Panorama Político de Hoje (6) no jornal O Globo.
Gilmar e o PT

Reação do ministro Gilmar Mendes (STF) ao documento da assessoria do PT sobre os citados na investigação da PF: “Não é um fato normal. É coisa de canalha, de gangster mesmo. Passar isso (o conteúdo das escutas da PF) para a mídia é coisa de fascistas. Eles (os petistas) estavam extorquindo o Toffoli e o Fux (ministros do STF). Oprimindo os dois. Estou indignado com essa estória de Berlin. Não vamos tratar como normal o que não é normal. Estamos lidando com bandidos”.

Responder

    Antonio Olinto

    06 de junho de 2012 às 13h58

    Cara de pau mesmo. O cara acusa todo mundo sem prova, com base em fofoquinha! E ainda envolve outros ministros, que calhorda! Será que o sujeito não vai se calar nunca!

    Quanto ao documento do PT, o problema do Gilmar é se informar apenas pela Veja. Aì qualquer um fica biruta mesmo.

    Tenho pena é do STF.

    Só mesmo FHC pra nomear um cara como esse.

    Responder

    Vera Pinto

    06 de junho de 2012 às 19h20

    O Gilmar está completamente destrambelhado.

    Responder

    elsonfidofilo@hotmail.com

    06 de junho de 2012 às 23h32

    Quem dá atenção a esse elemento, amigo de bandidos do colarinho branco e estupradores!

    Responder

Helena Vargas

06 de junho de 2012 às 13h54

Miguel, fora do assunto do post:

A inflação baixou bastante em maio. Viva!

IPCA de maio fica em 0,36%

IBGE, 06 de junho de 2012

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA do mês de maio apresentou variação de 0,36%, reduzindo-se a pouco mais da metade da taxa de 0,64% registrada no mês de abril. Com este resultado, o acumulado no ano fechou em 2,24%, bem menos do que os 3,71% relativos a igual período de 2011.

Considerando os últimos doze meses, o índice situou-se em 4,99%, o mais baixo resultado desde setembro de 2010 (4,70%) e inferior aos doze meses imediatamente anteriores (5,10%), mantendo a trajetória decrescente iniciada de setembro para outubro do ano anterior

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