Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

A estratégia de Lula em SP

Por Miguel do Rosário

21 de junho de 2012 : 02h49

Uma taça para Lula: a avenida Paulista

Por Paulo Ghiraldelli Jr., em 19/06/2012

Haddad não significa nada. Nunca significou. E eu duvidei que Lula repetisse com Haddad o que fez com Dilma. Duvidei e ainda duvido. Mas tudo indica que Lula vai me dar um tombo de novo. Ele vai eleger o poste chamado Haddad! Ele tinha uma carta na manga que eu não esperava: Maluf. Eu devia esperar, mas eu sou filósofo, faço conjecturas racionais usando uma razão global. Lula é político, ele trabalha colocando na frente a razão instrumental. Ele não pode perder de mim.

Já escrevi várias vezes que Lula aprendeu a fazer política com os melhores que este país já produziu: Ulisses Guimarães, Montoro, Brizola, Tancredo, Quércia, Sarney, FHC e … Maluf. Sim! Quando olhamos no palanque das “Diretas Já”, vemos Lula ali pendurado como o mais novo entre todos os grandes líderes. No palanque não havia, é claro, Maluf – mas também com este Lula aprendeu. E quando ele se viu sozinho, após o “mensalão”, ele decidiu que seu melhor aliado era, além de Dona Marisa, ele mesmo. Cortou de vez os intelectuais que falavam na orelha dele. E se livrou do encosto chamado José Dirceu, que, apesar de ser seu amigo, já estava passando da conta no que fazia e desfazia sem os cuidados necessários. Lula, então, passou a correr o Brasil e exercer tudo que havia visto e peneirado entre essas lideranças todas citadas. Ele logo notou que havia se tornado uma mistura de todos eles, e que podia fazer melhor, pois havia aprendido também a não repetir os erros deles, inclusive não repetir o erro de Collor – pois este mesmo o avisou: “não despreze o Congresso”. Lula jurou que não iria nem cair e nem dar um tiro no peito. Que iria sair do “Mensalão” e cumprir seu destino. E cumpriu. Tornou-se o presidente que deixou Mantega e sua equipe fazer a política econômica e social correta, e, com isso, deixar o Brasil praticamente imune à crise exterior por meio do aquecimento do mercado e da integração neste de brasileiros que jamais sonharam em estar onde estão (que Dilma arrume a casa para além dos populismos e falhas aqui e acolá, se puder!).

Para o mal e para o bem, Lula se tornou um político tão habilidoso que Vargas. Pois uniu tudo aquilo que estava disperso em vários outros, e que um dia estivera unido em Vargas. Mas Lula ficou bem melhor que Vargas. Pois Lula tem algo que nenhum outro político tem: sorte. Quando tudo dá errado para ele, aí é que ele acerta mais ainda. É claro que ele acerta, também, porque é diferente de qualquer outra pessoa: pensa 24 horas por dia em política. Lula é político profissional como nenhum outro político jamais foi. Mais do que antes do “Mensalão”, Lula analisa agora cada adversário e, mais que isso, aprendeu a somar, subtrair, dividir e multiplicar como ninguém outro pode fazer com estatísticas. Ele calcula cada voto e cada reduto. Ele parece ler na mente de eleitores e grupos de eleitores o que eles farão nas urnas. E acerta.

Lula aprendeu com os políticos que quem tem princípios não pode fazer política, pois política democrática é, antes de tudo, negociação contínua, e princípios são princípios, ou seja, são coisas que “vem antes”. Nada pode vir antes na negociação. A negociação é tudo. Só importa nela o resultado, ou seja, o acordo fechado contra o adversário comum. Saber costurar isso e, ao mesmo tempo, medir as conseqüências disso no eleitorado é uma arte que não é para qualquer um. Só Lula sabe fazer isso, hoje, no Brasil. O resto é amador.

Maluf tem a parte do eleitorado que, se tivesse um pouco de pendor à esquerda, seria de Lula. Essa faixa de baixa escolarização, que poderia vir para a esquerda, mas que nunca veio, é a faixa que Lula e Brizola, em São Paulo, nunca conseguiram ganhar. É uma parte desescolarizada e conservadora. Ao colocar Maluf dentro do PT e deixá-lo ainda esnobar e dizer que fez o que fez “por amor a São Paulo”, Lula entende que pode abocanhar esse eleitorado que sempre lhe faltou na hora “H”. Com isso, a essa hora, já fez Serra tremer. José Serra sabe que já perdeu de novo. FHC também sabe e, como sempre, vai abandonar Serra sozinho. Outros políticos próximos de Serra e que já estavam achando ruim ficar contra Dilma, vão debandar e virão comer na mão de Lula. Tucano adora mamão papaia e Lula foi buscar a fruta em casa sírio libanesa, onde esse tipo de coisa é servido no licor de primeira qualidade.

Caso tudo corra nesses trilhos, então, empurrando seu poste, Haddad, para o segundo turno, Lula agarrará Chalita. Isso será café pequeno, pois Chalita já é de Dilma. Assim, Lula irá adiante para ganhar aquilo que mais sonhou em ganhar, tanto quanto a presidência: São Paulo. Esta era a última taça que ele não havia conseguido (a gestão de Erundina não vale, pois Lula, nessa época, não era autônomo).

A taça chamada São Paulo é importante demais. Pois São Paulo é o segundo berço dos nordestinos e, ao mesmo tempo, é o berço das elites mais anti-Lula, como já foram anti-Vargas, de todo o Brasil. Ganhar São Paulo com um candidato que não é nada a não ser sua cria fará de Lula, então, o melhor estrategista de toda a história da República. A essa altura do campeonato, em casa, Lula deve estar rindo ao imaginar a cara de Serra! Lula está comemorando. E ele pode fazer isso. Ele é o melhor na sua profissão

E de quebra, Lula se livrou de Erundina e, com isso, pode agora negociar o posto de vice de maneira a ampliar ainda mais a aliança para eleger seu poste Haddad. É demais!

© 2012 Por Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Pedro Cruz

23 de junho de 2012 às 14h54

O texto e a analise são muito boas. Agora, a raiva e o ódio destilados por alguns comentários acima, são sintomáticos, não se referem ao texto, vão na intimidade, na jugular do autor. Será ódio e preconceito de algum amigo dos “da privataria”????

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Anônimo

21 de junho de 2012 às 13h19

Para complementar a estratégia de Lula: ele também conseguiu uma super-exposição na mída de um candidato desconhecido. Como diz o velho ditado: Falem mal mas falem de mim. Xeque-mate!

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Rildo Ferreira

21 de junho de 2012 às 13h01

Esse Ghiraldelli é um escroto que pode até fazer conjecturas, mas racionais? Duvido!

Ghiraldelli é um tipo de pessoa que, tal como disse Roterdam, “tem olhos de lince para ver os defeitos dos outros e de toupeira para ver os próprios”.

Um recalcado que lutou desesperadamente por um emprego de Reitor numa universidade em São Paulo ignorado peremptoriamente pelos proprietários. Não se aproveita uma linha do que esse energúmeno escreve.

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Ulisses

21 de junho de 2012 às 10h29

É bom demais. Sabia que o Lula tinha uma estratégia. Será que finalmente São Paulo se livrará do pior que existe de política no Brasil? Provado nos 8 anos de FHC? Aí, só faltará o Estado.

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Valdir Fiorini

21 de junho de 2012 às 09h15

Nem li essa e esse bosta: Ghiraldelli é desprezível como ser humano e tal qual Olavo de Carvalho tem a cara de pau de dizer-se “filósofo”. Passa o dia no Google procurando menções a si próprio e divulgando fotos da esposa nua.

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