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A arte de converter notícia boa em desgraça

Por Miguel do Rosário

24 de junho de 2012 : 13h30

Sinceramente, estou cansado de escrever sobre isso. Hoje o Globo traz longa matéria para mostrar que a geração de empregos caiu. O título é “Menos 440 mil empregos”.

Ocorre que o desemprego no Brasil chegou a seu nível mais baixo em maio, segundo o IBGE: 5,8%.

Acho incrível que uma confusão matemática, por burrice ou má fé, esteja durando tanto.

Se cai o desemprego, cai também o número de mão-de-obra ociosa, disponível. Cai portanto, necessariamente, o nível de geração de emprego.

Não dá para gerar milhões de empregos, se todo mundo já está empregado.

Que cansaço, meu Deus!

Como é possível que a mídia transforme uma situação de emprego quase pleno numa notícia ruim!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Mauricio

02 de julho de 2012 às 16h45

Os editores sabem que a noticia ruim é a que vende mais. Por isso, noticia ruim é noticia boa.

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Adriano Matos

26 de junho de 2012 às 11h29

Oi Miguel!

Infelizmente, camarada, é com o que há de mais óbvio que precisamos empregar a maior parte da energia.

Os golpistas não descansam!

E essa tentativa, ridícula, canhestra, de inverter o entendimento de um número (a que ponto chegamos) é isso mesmo, golpe, sabotagem.

Tenho um sonho, um dia o PIG vai tomar vergonha na cara e vamos discutir em outro patamar: O projeto de país que queremos e os meios, as renúncias e o impacto, as prioridades e os prazos… Enquanto isso, a situação exige que desçamos à lama pra fazer o contraponto no terreno deles.

Uma pequena crítica à apresentação da tabela: Seguindo o fluxo temporal, a coluna correspondente aos dados de maio/2012 poderia ser a última! É bobagem, eu sei, mas eu confundi-me porque tava esperando o contrário.

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Otto

25 de junho de 2012 às 15h15

Oi, Miguel,
qual é o número de criação empregos anual necessário para manter a taxa estável? Isto é, quantos chegam ao mercado de trabalho por ano (subtraído por quantos saem, por morte ou aposentadoria)?
No mais, adoro suas análises, espacialmente as econômicas.

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Joselito

25 de junho de 2012 às 11h34

Por essas e outras, a regulação da mídia é de suma importância.
O que vemos hoje, infelizmente, é a pesquisa esquartejada, afim de que os argumentos expostos sejam mais “convincentes”.
Obviamente, para aqueles minimamente esclarecidos, tal artifício jamais funcionará, contudo, quanto aos menos esclarecidos…..
não estou falando de nível de escolaridade, mas senso crítico)

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SLT

25 de junho de 2012 às 05h50

Eu também já notei isso. É uma mania de ver a metade vazia do copo. Um descaramento completo. Me pergunto se é só pra vender jornal.

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