Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Neogolpistas em crise

Por Miguel do Rosário

03 de julho de 2012 : 18h52

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(Ilustração capa: Edward Munch, Gólgota)

Os jornalões de hoje amanheceram perplexos com a informação de que foi a presidenta Dilma em pessoa quem bancou a entrada da Venezuela no Mercosul.

A informação, porém, é confusa. Veio do chanceler do Uruguai, que está totalmente desorientado. Pelo que entendi, ele tem ligações com a oposição e a direita, e está tentando vender a teoria de que a culpa é da Dilma para salvar o bom nome de Mujica junto à mídia antichavista de seu país. Como Dilma é mais forte, e ninguém tem coragem de atacá-la, botem a culpa nela.

A decisão de incluir a Venezuela foi consensual entre os mandatários do Mercosul. Dilma, Cristina e Mujica decidiram juntos. O resto é fofoca.

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O Estadão publicou editorial hariovaldiano, em tom quase histérico, dizendo que o golpe no Paraguai não foi golpe, mas a entrada da Venezuela no Mercosul, aí sim, foi golpe.

Entretanto, o radicalismo do Estadão beira o ridículo, porque a entrada da Venezuela possibilitará a realização de milhares de negócios lucrativos para os empresários brasileiros, que por isso mesmo são em sua maioria favoráreis  (com exceção de um ou outro fanático de extrema direita, que põe seu fanatismo acima dos negócios). Chávez está de passagem. A parceria com a Venezuela é uma viagem de longa distância.

Note-se ainda que o Estadão, infantilmente, diz que o governo não usou a palavra “golpe”. Ora, o Itamaraty não fala palavrão: usou a palavra “ruptura da ordem democrática”, que é rigorosamente a mesma coisa.

Outro assunto muito abordado pelos jornalões hoje foram as divergências entre PSB e PT. A oposição midiática sonha com a implosão da base aliada, única maneira de criar uma brecha para que um candidato do PSDB tenha chances mínimas de vitória em 2014.

Folha e Globo vieram com gráficos mostrando o declínio das parcerias entre os dois partidos. Entretanto, o cálculo é inflado pelos acontecimentos intempestivos de Recife, Fortaleza e Belo Horizonte, onde havia um acordo de parceria, que explodiu a partir de problemas de ordem local, e não por divergências a nível nacional.

Os gráficos são bonitos:

Merval Pereira, que há um tempo falava descaradamente em possível parceria entre Aécio Neves e Eduardo Campos, agora já admite que a ideia está longe da realidade (como ficcionista, ele tem liberdade para ventilar qualquer tese absurda, sem precisar se justificar em seguida). Mas também tenta botar lenha na fogueira criada com os recentes atritos entre PSB e PT. O título de sua coluna de hoje chega a ser tosco (em sua mal disfarçada tentativa de implodir uma aliança fundamental para o governo Dilma): PSB e PT, pouco a ver.

Os gráficos, além disso, pecam por mostrar apenas capitais. Não saberemos se a parceria entre PT e PSB cresceu ou caiu sem uma observação das alianças em todos os municípios brasileiros.

*

Também temos hoje farta manipulação do noticiário econômico, com a venda de desgraças que não existem. Por exemplo, todos os jornais vieram com a notícia de que a “balança tem o menos saldo em 10 anos“. É verdade, mas é possível contar mentiras dizendo a verdade. Basta descontextualizar. Eles não dizem, por exemplo, que a corrente de comércio quadruplicou em 10 anos.

Vamos conferir diretamente na fonte dos dados, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).

Em primeiro lugar, observem o desempenho do comércio exterior nos últimos 12 meses:

Acumulado de doze meses (Julho-2011/Junho-2012) Em períodos de doze meses, as exportações somaram US$ 254,951 bilhões. Sobre o período julho/2010-junho/2011, quando as exportações atingiram US$ 231,031 bilhões, houve crescimento de 10,4%, pela média diária. As importações totalizaram US$ 231,033 bilhões, aumento de 12,3% sobre o mesmo período anterior, de US$ 205,805 bilhões, pela média diária. O superávit comercial, em doze meses, acumula cifra de US$ 23,918 bilhões, valor 5,2% abaixo de equivalente período anterior (US$ 25,226 bilhões). A corrente de comércio cresceu em 11,3%, pela média diária, de US$ 436,836 bilhões para US$ 485,984 bilhões.

Ou seja, as exportações brasileiras cresceram 10% nos últimos 12 meses e bateram novo recorde histórico. Só que as importações cresceram ainda mais, e o saldo final, US$ 24 bilhões, ficou 5% abaixo do registrado no período anterior. Nada demais. Uma nação cuja sociedade se desenvolve e ganha poder aquisitivo, necessariamente, verá suas importações crescerem. É um processo inevitável e natural. Pelo contrário, é doentio pretender que os saldos comerciais do Brasil fiquem batendo recordes ano a ano, pois isso só aconteceria se as importações parassem de crescer, o que por sua vez só poderia se dar se houvesse uma queda brutal do poder aquisitivo da população.

Vejamos os gráficos com o desempenho no período Jan/Jun. Fazemos alguns comentários abaixo dos gráficos.

 

De fato, o superávit caiu para US$ 7 bilhões, meno4 desde 2003. Mas veja a diferença: em Jan/Jun 2003, nossas exportações totalizaram US$ 33 bilhões. Em 2012, atingiram US$ 117 bilhões.  O que gera emprego não é superávit, é exportação.

 

 

A corrente de comércio simplesmente soma exportação e importação. É um número importante para vermos o peso do comércio exterior no mundo. Quanto maior a corrente de comércio, maior a participação do país no comércio internacional. Pode-se ver, por aí, que o Brasil multiplicou por quatro a sua corrente de comércio desde 2003.

 

 

Agora, uma tabela importante para fazermos uma análise qualificada.

 

Observe na tabela acima que a exportação de manufaturados foi que a que apresentou a menor queda, somente 1%, em Jan/Jun 2012, elevando com isso a sua participação no total das exportações brasileiras para 36,9%, contra 36,7% em 2011.

 

 

Na tabela acima, repare que o item Combustíveis e lubrificantes foi o principal responsável pelo aumento das importações. A importação de petróleo e derivados cresceu de US$ 16 para US$ 18,8 bilhões em Jan/Jun 2012.  Ou seja, o superávit caiu por que estamos consumindo mais combustível.

Vamos agora ver exatamente que setores manufaturados registraram queda ou crescimento em Jan/Jun 2012.

Observe que a exportação de aviões cresceu 40% em 2012, atingindo US$ 2,06 bilhões em Jan/Jun 2012.

Quem está sofrendo ainda muito com a concorrência estrangeira é o setor de calçados, cuja exportação caiu 21% no primeiro semestre deste ano.

A exportação de plataformas de perfuração também sofreu uma queda abrupta, provavelmente em virtude do cancelamento de pedidos, reflexo da crise internacional.

Houve queda também na exportação de automóveis, autopeças e motores para veículos, da ordem de, respectivamente, 3,7%, 4,4% e 5,9%. O mundo está em crise e é normal que haja retração no setores que dependem de produtos de alto valor agregado.

De qualquer maneira, o setor de autopeças não pode reclamar. As medidas do governo começaram a surtir efeito e as vendas em junho subiram 22%.

*

Queria comentar sobre a queda na produção industrial. Também há um tanto de manipulação nesses números. Mas fica para amanhã.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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FranciscoD.A.

05 de julho de 2012 às 11h12

(Tal qual Denzel washington em “Filadélfia”) Me expliquem como se eu tivesse 6 anos de idade:

A postura Comunistóide de Dilma, afastando o paraguay , e trazendo a Cancerígena Venezuela Chavizta, causou:

– A liberação pelo Paraguay para a instalaçao de uma Base Norte Americana na Zona do Iguaçú, na Tríplice Fronteira, ou, resumindo, ADEUS ao domínio territorial daquela área;

– O ingresso do Paraguay no Grupo do Pacífico, menina dos olhos de México e EUA.

– Implantaçao de Livre comércio entre Paraguay e EUA, obviamente, dando prioridades comerciais a aquele país, em detrimento da industria /Comércio Brasileiro.

Entao, a pergunta:

Onde exatamente o Brasil Lulo PTralha Ganhou???

Responder

    admin

    05 de julho de 2012 às 11h24

    Ah tá, agora Paraguai virou uma GRANDE ECONOMIA. Venezuela é paiseco sem importância. Rs.

    Responder

      FranciscoD.A.

      05 de julho de 2012 às 11h39

      Nao , Miguelito.

      Só os Luleteiros nao veem que Venezuela acende vela para Deus e para o Diabo ao mesmo tempo, brincando de Bolivariana mas mantendo vendas maciças de petróleo aos EUA.

      Chavez ganhará muito com a entrada no Mercosul, pois tem mais compradores.

      Ja o Mercosul, o Brasil, a Soberania regional, perdsem, e muito.

      E tudo isso por causa do enésimo equívoco do Luizinho Inácú, incapaz de pensar alem de 2 segundos no futuro.

      Ah, quase esqueci, Zé “Lider dos Mensaleiros” Dirceu, consultor designado por Lula para a Venezuela, agradece, obrigado….

      Responder

        admin

        05 de julho de 2012 às 11h44

        Venezuela é grande mercado para produtos manufaturados do Brasil, o resto é papo para onanistas de direita.

        Responder

wepiana@gmail.com

04 de julho de 2012 às 08h32

Não li o MerDal Pereira pq o tempo é curto pra desperdiçar assim, mas é faato que em BH e MG o PSB é muito mais Aécio-PSDB/DEMO que PT. Público e notório…

Responder

spin

04 de julho de 2012 às 07h45

E o Chico Oliveira, sociólogo uspiano, dando sua inestimável para o golpismo no Roda Viva, o video encontra-se postado aqui
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/dilma-e-as-eleicoes-municipais-de-porto-alegre

Responder

elsonfidofilo@hotmail.com

04 de julho de 2012 às 06h52

Os golpistas paraguaios deram um tiro pela culatra, eles nunca quiseram a Venezuela de Chaves no Mercosul, tanto que seu congresso nunca referendou o ingresso desta nação no bloco. Pena que eles sejam tão burros a ponto de não ver que a Venezuela é um parceiro rico, que possui muito petróleo e, necessita comprar alimentos e equipamentos, essa é a oportunidade que qualquer nação que quer crescer não pode desperdiçar.
Infelizmente, os congressistas paraguaios, estão defendendo os interesses do colonizadores, e, não do povo de seu país.

Responder

elsonfidofilo@hotmail.com

04 de julho de 2012 às 06h43

Miguelito, ontem ouvi a urubóloga do Bom dia Brasil criticando a Petrobras por vender gasolina abaixo do preço de custo, pois é, a turma critica (vide o Sardenberg) também quando essa mesma empresa investe na construção de novas refinarias. Se dependesse deles, nossa gasolina estaria custando R$5,00. E, eles ainda estariam criticando a Petrobras e o governo.

Quanto a queda da balança comercial, isso é normal, pois os maiores consumidores mundiais estão enfrentando uma crise econômica, onde a ordem é salvar os banqueiros responsáveis pela dívida, penalizando os trabalhadores, assim caminha a humanidade, “privatiza-se o lucro e socializa-se o prejuízo”.

Responder

FranciscoD.A.

03 de julho de 2012 às 19h49

Sardemberg, mais que nunca, certíssimo, quando diz:
.
“…A ordem agora é morder canelas.
Um dos alvos preferidos de qualquer matilha são os carteiros. No delírio lulista, somos todos carteiros. O que não deixa de fazer sentido, pois o lulopetismo sempre preferiu agredir o mensageiro em vez de examinar a mensagem…”

Responder

    elsonfidofilo@hotmail.com

    04 de julho de 2012 às 06h57

    O Sardenberg é uma besta fera, ele critica tudo oque é prá frente, por ele, o Brasil seria uma colonia dos EUA.

    Responder

Mucuim

03 de julho de 2012 às 19h24

A senadora Lucía Topolansky (também primeira-dama do Uruguai) afirmou que o “Parlamento do Uruguai há muito tempo aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul” e a Frente Ampla, base de partidos que sustentam Mujica tem posição oficial, favorável à entrada da Venezuela no bloco. “Isso não quer dizer que algum companheiro não possa pensar outra coisa isoladamente” Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/entrada-da-venezuela-no-mercosul-provoca-crise-no-uruguai/

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