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Demóstenes e seus advogados

Por Miguel do Rosário

12 de julho de 2012 : 08h35

(Ilustração capa: Basquiat)

A imprensa amanheceu hoje com manchetes garrafais sobre a cassação de Demóstenes Torres. Colunistas, secretários de redação, editorialistas, todo mundo deu pitaco. Chamou-me a atenção, contudo, a interpretação da Folha, expressa em dois textos, um de Alan Gripp, secretário-assistente de redação, outro de Janio de Freitas, colunista.

Ambos amenizam descaradamente os crimes de Demóstenes Torres, e abribuem sua cassação antes à uma espécie de vingança corporativa do Senado.

Em sua análise, Alan Gripp diz o seguinte:

O que fica é a conclusão de que este foi um caso diferente. E que o Senado não teve um arroubo ético. Parlamentares mais enrolados que ele continuarão a se salvar.

Longe de mim pretender que não haja outros bandidos no Senado brasileiro, mas a interpretação de Gripp é leviana. Torres foi cassado porque havia áudios, documentos e relatórios da Polícia Federal mostrando que Demóstenes era um despachante de luxo de Carlinhos Cachoeira. O mafioso menciona inclusive o pagamento de milhões de reais de propina para o senador. “O milhão do Demóstenes”, diz Cachoeira a um de seus secretários.

Janio de Freitas, por sua vez, tem se caracterizado por uma estranha defesa do Clube Nextel. Em sua coluna de hoje, volta a se posicionar em favor do grupo, ao amenizar as acusações contra Demóstenes.

Freitas faz uma bizarra defesa de Demóstenes, atacando inclusive o relator do seu processo de cassação. E ataca mais ainda Renan Calheiros, que não estava sendo julgado.

Diz Freitas, defendendo o senador bandido:

Não há dúvida de que no rol de acusações a Demóstenes Torres há afirmações infundadas, e não por equívoco.

(…)

Ainda assim, o relatório do senador petista Humberto Costa foi mais político do que objetivo. E com erros de informação e afirmação inadmissíveis, como Demóstenes Torres demonstrou.

Eu gostaria de saber que erros foram esses. Entretanto, mesmo que o relatório de Costa tenha erros, quem acompanhou o escândalo Cachoeira desde o início sabe que as provas de que Demóstenes era um bandido a serviço de outro bandido são fartas, múltiplas e estas sim, incontestáveis.

Inadmissível, a meu ver, é ver um jornalista probo e respeitável como Janio de Freitas defendendo um crápula nojento como Demóstenes Torres, que recebia dinheiro de Carlinhos Cachoeira, e integrava um esquema mafioso, envolvendo a Veja, a Delta e o jogo do bicho em Goiás.

Curiosas também são as asserções sobre o reflexo da cassação de Demóstenes na CPI do Cachoeira. Em editorial, O Globo diz que a cassação “pressiona a CPI do Cachoeira”, enquanto a Folha diz, com base em fontes anônimas do Congresso, que a CPI “tende a perder força”. A matéria não explica o porque, todavia. É uma asserção misteriosa.

Também senti falta, nos jornalões, de uma reflexão sobre as consequências partidárias da cassação de Demóstenes. Com a queda do senador, o DEM – e por tabela toda a oposição – sofre mais um duro golpe.

*

O Banco Central decidiu ontem reduzir os juros básicos do Brasil em 0,5%, levando-os a 8%, a menor da taxa da história. Descontando a inflação, a taxa fica em 2,3%.

Uma das consequências mais importantes da queda determinada ontem pelo BC é que ela permitirá uma economia superior a R$ 30 bilhões ao governo federal, dinheiro que era gasto com juros, e que poderá ser aplicado em investimentos.

E pensar que a taxa básica chegou a 45% nos “bons tempos” tucanos…

A queda nos juros, somada à entrada de grande volume de recursos por parte de partidos e candidatos, para financiar as eleições deste ano, deverão promover uma choque positivo na economia deste segundo semestre.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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alex

12 de julho de 2012 às 11h41

Jânio está gagá!
quando jornalista começa a defender bandido, ou está gagá ou está levando por fora.
Agora sabemos que existe um monte de periodistas que fazem parte dos mensalões da vida.
Jânio não é disso.
Mas ao defender Cachoeira e sua gangue, digo: Jânio está gagá

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Jose Mario HRP

12 de julho de 2012 às 10h17

Um sujeito com tudo não mão para ser grande , mas abraça a arrogância, a cupidez, a convivencia com poderosos e finalmente perde a noção de limites e da bondade e caridade!
Saiu humilhado, reclamão e arqueado com as asas podadas!
Não fiquei alegre ou com qualquer bom sentimento, pois ver um homem sangra assim é triste, embora ele tenha perseguido isso.

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e

12 de julho de 2012 às 09h47

Com a queda do ex demo Torres só sobrou a oposição se aliar aos golpistas paraguaios e a mídia. E pelo andar da carruagem muitas cabeças vão rolar.

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Adriano Matos

12 de julho de 2012 às 09h11

Não sei onde li que na defesa do seu relatório Humberto Costa acusou Demóstenes de ter vazado para Cachoeira uma iminente operação policial. A operação era armadilha para comprovar vazamento mas se fosse pra valer poderia ter colocado em risco a vida de policiais.

Sobre o outro assunto, da redução da Selic, vemos agora como foi bem conduzida a troca das dívidas públicas em dólar para Real, realizada no mandato de Lula. Agora a redução da dívida é regida por um índice sobre o qual o Estado tem autonomia.

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