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Caixa baixa juros e é campeã em lucro

Por Miguel do Rosário

10 de agosto de 2012 : 09h25

O resultado financeiro da Caixa, que promoveu forte redução dos juros e spreads prova que as instituições financeiras no país assaltaram os brasileiros por muitos anos, ao praticarem taxas acima do necessário. Pior, adotaram mentalidade burra, medieval, que prejudicou toda a economia nacional, e inclusive os próprios bancos. Talvez o Proer, até hoje elogiado pelos neoliberais, que consumiu quase 90 bilhões de reais (em valores atualizados) não fosse necessário se houvesse determinação do governo e dos bancos de reduzir juros. Baixando juros, a Caixa teve um crescimento de seu lucro duas vezes maior que o registrado pelos bancos privados, e inadimplência caiu para 2% (no Itaú é mais que o dobro, 5%).

A queda na inadimplência rompe outro tabu, o de que ela tem como origem a incompetência das famílias brasileiras e uma suposta crise econômica. A principal razão da inadimplência dos brasileiros são os juros extorsivos praticados por bancos e empresas de cartão de crédito.

Leia a notícia abaixo:

Lucro da Caixa no 1º semestre tem alta de 25% e bate recorde
Autor(es): Paulo Justus
O Globo – 10/08/2012

SÃO PAULO Com um crescimento duas vezes maior que o registrado pelos bancos privados em sua carteira de crédito, a Caixa Econômica Federal (CEF) fechou o primeiro semestre com lucro líquido de R$ 2,85 bilhões, valor 25,2% maior que o do mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, o ganho foi de R$ 1,68 bilhão, alta de 15,1% sobre o ano anterior. A carteira de crédito do banco encerrou junho com saldo de R$ 297,6 bilhões, um avanço de 44,6% em relação ao mesmo período de 2011. Itaú e Bradesco, os dois líderes privados do setor bancário, tiveram no mesmo período aumentos de menos de 15% no volume de seus empréstimos.

– A Caixa conseguiu comprovar, com esse resultado, que é possível reduzir juros, aumentar a base de clientes, aumentar a oferta de crédito, manter a inadimplência sob controle e ainda ter o melhor lucro da história do banco – disse ontem Jorge Hereda, presidente da Caixa, referindo-se ao lucro recorde para um primeiro semestre.

A forte expansão das operações de crédito nos últimos 12 meses é creditada ao Programa Caixa Melhor Crédito, lançado em abril, que promoveu a redução de juros nas principais linhas de financiamento do banco e ofereceu novos produtos financeiros. Diante de tal desempenho, a instituição revisou a projeção de crescimento da carteira de crédito em 2012 para 42%, ante a alta de 33% esperada no início do ano.

A inadimplência também ficou muito abaixo das taxas médias das instituições privadas, em 2,04% No Itaú, a taxa média para empréstimos com mais de 90 dias de atraso foi de 5,2%, e no Bradesco, de 4,2%. Hereda aproveitou essa diferença para provocar a concorrência. Segundo ele, elevar a concessão de crédito é uma medida preventiva dos bancos contra o calote, que é maior na medida em que o prazo dos empréstimos é mais longo.

– Nos bancos que seguram a concessão de crédito, em que as carteiras de crédito não se oxigenam, é natural que a inadimplência suba – afirmou.

O resultado do PanAmericano, banco cujo controle a Caixa divide com o BTG Pactual, porém, foi a nota ruim do dia: um prejuízo de R$ 262,5 milhões, contra lucro de R$ 2,9 milhões no trimestre anterior. Hereda, que é presidente do Conselho de Administração do PanAmericano, disse que a perda do banco reflete um processo de reestruturação em curso na instituição.

– Neste trimestre o banco resolveu não vender carteiras de crédito. Para ganhar sustentabilidade, acreditamos que é preciso reter e ampliar a carteira – afirmou.

O vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, diz que o crescimento acelerado do crédito vai elevar a participação de mercado do banco estatal. Segundo ele, a Caixa deve fechar o ano com 15% do mercado de crédito brasileiro, contra a fatia de 13,7% que detém atualmente.

O movimento de queda de juros da Caixa foi também alvo de uma ação judicial coletiva por parte da Proteste – Associação de Consumidores. A entidade informou ontem ter entrado na Justiça contra o banco pedindo que clientes com financiamento imobiliário anteriores a 4 de maio de 2012 também sejam beneficiados com a queda de juros promovida pelo banco. Em nota, a Caixa esclareceu que os juros já contratados não podem ser alterados nem para mais nem para menos.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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