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Dilmão libera R$ 100 bi pra infraestrutura

Por Miguel do Rosário

10 de agosto de 2012 : 09h42

Rodovias, ferrovias e portos terão investimentos de R$ 100 bilhões

DA FOLHA
VALDO CRUZ e DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA

O governo Dilma Rousseff anuncia na próxima quarta-feira um pacote de concessões que passará ao setor privado rodovias e ferrovias em obras estimadas em R$ 90 bilhões nos próximos cinco anos.

Será a primeira etapa do conjunto de ações encomendadas pela presidente para tentar reativar a economia brasileira, que neste ano pode crescer menos de 2%, abaixo dos 2,7% de 2011.

O pacote de quarta, que será anunciado em reunião com um grupo de 30 grandes empresários, inclui a concessão de rodovias no Sudeste, no Centro-Oeste e no Nordeste com a exigência de duplicação de 5.700 quilômetros (algo como ir de São Paulo a Belém, no Pará, e voltar).

Também será anunciada a concessão de 8.000 quilômetros (oito vezes a distância entre São Paulo e Brasília) de novas ferrovias que serão construídas e operadas pela iniciativa privada.

O ganhador das concessões terá de bancar os investimentos de ampliação e renovação das rodovias previstos pelo governo e oferecer a menor tarifa de pedágio.

No fim do mês, o governo deverá concretizar o plano de conceder três portos novos, no Amazonas, no Espírito Santo e na Bahia, com investimentos de mais R$ 5 bilhões, e o destravamento de outros R$ 5 bilhões de investimentos privados em portos já concedidos.

No total, serão R$ 100 bilhões para infraestrutura.

AEROPORTOS

Em setembro, será a vez das concessões de aeroportos, das medidas de desoneração da folha de pagamento e do programa de redução do custo de energia elétrica, ainda não fechados.

As duas últimas ações dependem do espaço fiscal disponível no próximo ano, o que será conhecido depois de elaborado o Orçamento de 2013, a ser enviado ao Congresso até 31 deste mês.

NOTÍCIAS POSITIVAS

O governo decidiu fatiar seu pacote de medidas para gerar notícias positivas na economia ao longo dos próximos 30 dias. Além disso, quer evitar a repetição de erros cometidos no lançamento de outros programas, quando o número excessivo de ações deixou algumas sem destaque e repercussão.

A expectativa no mercado é que o governo leve de seis meses a um ano para concluir os projetos de cada empreendimento e período igual para realizar as concorrências que definirão os vencedores.

Com isso, os investimentos de fato só devem começar a partir do segundo semestre de 2013. Não haverá cobrança de outorga nas rodovias (quando se cobra uma espécie de luvas para ter direito à concessão), mas o ganhador deverá bancar os investimentos combinados com o menor pedágio.

Serão criados mecanismos para evitar que as obras atrasem, como vem ocorrendo com as concessões de estradas feitas entre 2007 e 2009.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Filipe

11 de agosto de 2012 às 10h36

Comemorar privatizações é lamentável…
Um dos motivos do Brasil não transportar passageiros nos trilhos é a gente não ter estatal para ferrovias.

Responder

    admin

    11 de agosto de 2012 às 15h49

    Prezado Felipe, é dinheiro para melhorar infra-estrutura. Tem que comemorar. Quanto a ferrovias, não as temas porque destruimos os trilhos que tínhamos e o governo deixou de investir no setor.

    Responder

      Filipe Rodrigues

      12 de agosto de 2012 às 15h49

      O governo não quis investir porque privatizou as ferrovias, ou seja: acovardou, omitiu… enquanto o dinheiro do BNDES indo para as multis, em vez de projetos estratégicos…

      Nos anos 60 transportávamos muito mais passageiros nos trilhos que hoje. EUA, Europa, China, Japão ainda são os maiores transportadores do mundo.

      Já que os aeroportos estão lotados, vamos investir nos trilhos e não ficar legitimando a classe média alta despolitizada, preconceituosa que não suporta os “farofeiros” nos aeroportos.

      Responder

Leonardo M. G.

10 de agosto de 2012 às 17h45

E nada para navegação de cabotagem? Um dos transportes com mais eficiência vai ser deixado de lado por um país com gigantesco litoral? O lobby das montadoras/empresas de ônibus/etc é maior do que se pensa, pelo jeito…

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