Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Notas pós-eleitorais

Por Miguel do Rosário

01 de novembro de 2012 : 11h06

Caravaggio, Davi segurando cabeça de Golias

Nesta eleição, vimos a derrocada de vários mitos midiáticos.  Durante meses, colunistas discorreram sobre o desencanto na política, a falta de militância, etc. Pois bem, o que aconteceu foi o contrário. Tivemos um pleito extremamente politizado, com muita militância nas ruas e nas redes. E a abstenção, que realmente foi alta em algumas cidades, agora sabe-se que foi influenciada pela falta de recadastramento do TSE. Os ministros do TSE preocuparam-se demais em fazer propaganda do “vote limpo” e de menos em levarem o recadastramento a todo país. Nas cidades onde conseguiu fazer, porém, a abstenção caiu fortemente, conforme se constata nos gráficos abaixo:

 

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A Folha, tentando agradar a oposição, deu uma página inteira no caderno Eleições, com direito a chamada na capa, ao crescimento dela nas regiões metropolitanas. Aí eu fui ver os gráficos… Separei o gráfico da região metropolitana de São Paulo.

PSDB e DEM cresceram, de fato, na soma total das regiões metropolitanas porque haviam quase sumido nas últimas eleições, e agora ganharam algumas capitais, como Manaus e Salvador.  Os números de São Paulo mostram que as duas legendas podem até ter ganhado uma sobrevida em algum lugar, mas continuam perdendo espaço em sua própria fortaleza.

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Nota na coluna do Ancelmo hoje traz explicação para a derrota de Serra em São Paulo:

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Capa do Estadão de hoje merece alguns comentários:

Delação premiada não foi feita para premiar bandido. Marcos Valério terá de explicar, em primeiro lugar, a origem de tudo, ou seja, o mensalão tucano. Depois, tem de entregar o que sabe sobre o banqueiro Daniel Dantas. E apresentar provas, que deve ter. Depois de condenar petistas sem provas nos autos, será até engraçado ver a Justiça condenar com base em testemunho de bandido em desespero.

Na verdade, a derrota do PSDB em São Paulo representou também – principalmente – uma derrota da mídia tucana, e a manchete do Estadão é a tentativa de realização de um terceiro turno. Uma vingança de baixo nível, visto que se trata de informação requentada, referente a um depoimento realizado há dois meses, e que não traz nenhuma acusação, nenhum fato concreto, contra Lula, Palocci ou qualquer outro petista graúdo.

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Notinha na coluna da Dora Kramer:

A notícia foi mais ou menos a mesma em todos os jornais. Que a CPI do Cachoeira chegou ao fim. Acontece que não é verdade. Ela foi prorrogada por mais 45 dias, e já resultou na quebra do sigilo de dezenas de políticos, empresários e funcionários públicos. Os deputados têm centenas de toneladas de documentos, áudios, vídeos, computadores, para analisar e depois entregar às autoridades.  Acontece que, à diferença de uma investigação do Ministério Público, CPI não condena ninguém. Ela reencaminha as provas para o Ministério Público, que por sua vez faz as denúncias. É profundamente irônico que a mídia procure desmerecer uma CPI que obteve provas documentais concretas, áudios, emails, vídeos, testemunhas, os quais incriminam o governador Marconi Perillo, o senador Demóstenes Torres e mais uma penca de graúdos, e transforme o julgamento do mensalão, que usou criatividade máxima para condenar sem provas, com base em ilações e “domínio do fato”, em modelo máximo de combate à corrupção. Na verdade, a mídia e o STF premiaram a incompetência. O discurso do mérito foi pro beleléu. Uma investigação que tem o mérito e a competência de obter áudios, vídeos, documentos e testemunhas, que provam o crime, é desvalorizada, e uma outra que não tem nada disso, baseada apenas em ilações e matérias de revista, é alçada à glória.

Quem deve dar continuidade à CPI do Cachoeira é o Ministério Público. Vamos ver se o senhor Gurgel demonstra tanta sede de justiça agora. E veremos o que fará o Supremo.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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11 comentários

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Luiz (@LuizAlaca)

03 de novembro de 2012 às 10h12

Notas pós-eleitorais – http://t.co/B8UgwVx0

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Érico Cordeiro (@ricocordeiro)

02 de novembro de 2012 às 20h39

Notas pós-eleitorais – http://t.co/vQw5M9i0

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Leonardo

02 de novembro de 2012 às 11h19

Que bom que você voltou, xará. Já estava fazendo falta.

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Fábio Brito

02 de novembro de 2012 às 10h54

Miguel, me corrija se estiver errado, o que a oposição está reclamando é, exatamente, que a data estipulada para o fim da CPI do Cachoeira irá impedir que se averigue a ligação do PMDB do Rio de Janeiro, do governador, principalmente, e, embora realmente haja muito material já em mãos da CPI, critica-se, também, que restaria quebrar o sigilo de outras empresas “laranjas” que fariam parte do esquema, pelo que se informa estas teriam ligações com o mesmo governador e sua administração, desta forma o material que será enviado ao MPF estaria incompleto. Haveria então, por parte da CPI um tratamento privilegiado oferecido a quem faça parte da base governista. Se este for o fato, mesmo sendo petista, não posso concordar, pois passar a mão no erro de nossos aliados é o mesmo que dar um tiro no pé. No entanto, claro, seria burrice o governo atacar quem faz parte de sua base de sustentação, ao que eu saiba, quando o MPF receber as provas encaminhadas pela CPI, ele poderá solicitar novas quebras de sigilo e a produção de mais provas quando julgar necessário, será que estou equivocado?

http://semtravasnalingua.wordpress.com/

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    Miguel do Rosário

    02 de novembro de 2012 às 12h44

    Fábio, a investigação volta para o Ministério Público Federal, que tem autonomia institucional para investigar quem quer que seja. CPI é importante, mas seria exagero tb querer que os parlamentares ficassem um ano inteiro dedicados a isso. O Brasil precisa ir em frente, há outros problemas a tratar.

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Fabrício

02 de novembro de 2012 às 08h28

Flávia Piovesan não é procuradora federal, mas procuradora do Estado de São Paulo.
E não faz parte do Judiciário, mas, sim, do Executivo de SP.

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    Miguel do Rosário

    02 de novembro de 2012 às 12h29

    É isso, procuradora do Estado. Ministério Público tb não pode ser envolver em atividades políticos partidárias. Vou corigir, valeu.

    Responder

      Fabrício

      03 de novembro de 2012 às 10h51

      Miguel, ela não faz parte do Ministério Público também. Procurador do Estado faz parte da Procuradoria do Estado, vinculada ao Poder Executivo (são os advogados do Estado).
      Quem faz parte do Ministério Público são os Promotores de Justiça (MP Estadual), Procuradores da República (MP Federal), Procuradores do Trabalho (MP do Trabalho) e Promotores Militares (MP Militar). O Ministério Público é como se fosse um 4º Poder, não é vinculado a nenhum dos demais. E não são advogados (têm independência funcional).
      No caso, a Flávia Piovesan seria uma advogada do estado de SP (fazem parte da chamada advocacia pública).
      Abraço

      Responder

        Miguel do Rosário

        03 de novembro de 2012 às 11h16

        Caramba, que ignorância a minha então! Vou corrigir. Valeu de novo!

        Responder

        Miguel do Rosário

        03 de novembro de 2012 às 11h18

        Apaguei logo a nota. Chega de escrever besteira!

        Responder

          Miguel do Rosário

          03 de novembro de 2012 às 12h14

          Refiro-me às besteiras que eu escrevi, nessa nota, bem entendido.


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