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Caravaggio

Campos nega rompimento com Dilma

Por Miguel do Rosário

09 de novembro de 2012 : 13h38

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Caravaggio

Com as declarações de Eduardo Campos após o jantar com Dilma Rousseff, divulgadas hoje pelo jornal, encerra-se, provisoriamente ao menos, o ciclo de intrigas que oposição, mídia e setores mais sectários e pouco inteligentes do PT, fomentavam com vistas a separar as duas legendas.

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No Estadão:

No jantar com a presidente Dilma Rousseff, na quarta-feira, no Palácio da Alvorada, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, disse que “fofoqueiros” de seu partido e do PT fazem de tudo para intrigá-los e assim levá-los a um rompimento político. “Mas não vão conseguir”, afirmou ele. Dilma respondeu que ninguém conseguirá afastá-los, porque o projeto político dela e de Campos é “trabalhar” pelo futuro do País.

Apuradas as urnas do segundo turno, e ratificada a derrota estrondosa da oposição, seus colunistas passaram a jogar pro alto os confetes de uma absurda aliança entre Aécio Neves e Eduardo Campos em 2014. Merval Pereira menciona a hipótese como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Não é normal. O PSB cresceu no rastro das mudanças provocadas pelo lulismo, ocupando as lacunas deixadas por DEM e outras legendas conservadoras. O Bolsa Família, a criação do Ministério das Cidades (que permite relação direta de prefeitos com o governo federal, para liberação de verbas essenciais), o Luz pra Todos, o Minha Casa Minha Vida, ajudaram a acelerar o fim do coronelismo nordestino. Mas não o fim das lideranças políticas. O PSB cresce não só porque apoiou o lulismo, mas possuía uma base forte de lideranças estabelecidas, como a família Gomes e o grupo de Eduardo Campos, herdeiro político de Miguel Arraes. Além disso, o PSB consegue driblar com mais facilidade os preconceitos ideológicos dos quais o PT é o alvo preferencial, por ser o partido que tem o controle do governo federal. E a característica do PSB, de ser um partido mais de quadros do que de militância (ao contrário do PT), ajuda-o a se ajustar melhor à cultura do Nordeste, ancorada na figura do chefe político.

Há alguns dias, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, fez uma declaração duríssima sobre o tema, que a meu ver corta qualquer possibilidade de acordo entre o partido e o PSDB, com vistas à eleição de 2014.

Vice-presidente nacional do PSB, o ex-ministro Roberto Amaral não quer saber de vincular seu partido à oposição a Dilma Rousseff e rejeita qualquer aproximação com o PSDB.

“Eles (o PSDB) passam por uma crise de impotência e querem nos usar como Viagra. Os tucanos e a grande mídia não devem contar conosco para quebrar a esquerda, não seremos joguete de ninguém”, dispara.

Com esses elementos está descartada uma traição do PSB ao projeto popular representado pelo governo Dilma. Traição esta, verdade seja dita, que nunca passou de intriga, embora atiçada pelos atritos (inevitáveis) entre os dois partidos durante as eleições municipais deste ano.

A ficha de mais essa derrota parece ter caído junto aos militantes da mídia. Dora Kramer, em sua coluna de hoje, lamenta a reviravolta no cenário. Engraçado constatar que atualmente a direita brasileira parece não só alimentar utopias, ela acredita nelas.

Confira essa notinha de Kramer:

Ilusão à toa. Começa a circular uma ideia lançada pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, de que o PT poderia se comprometer desde já a ceder a cabeça da chapa presidencial para Eduardo Campos em 2018, em troca a permanência do governador de Pernambuco no campo governista em 2014.

Campos pode até continuar aliado do Planalto. Por razões de estratégia política, mas não motivado pela perspectiva de um acerto feito com seis anos de antecedência cuja moeda é nada menos que a melhor cadeira da República.

Digamos que esteja crescidinho demais para acreditar nesse tipo de promessa.

Ora, a ideia de Wagner é apenas uma ideia, mas a meu ver mais racional do que aquela outra, que o Merval andou repetindo inúmeras vezes nos últimos meses: uma chapa presidencial formada por Aécio e Campos. A sugestão do governador da Bahia tem o significado de uma cenoura: possui um valor político, com força simbólica suficiente para acalmar (e satisfazer) um pouco o entusiasmo de figuras do PSB com a nova perspectiva de poder aberta pelo sucesso eleitoral. Tendo a meta de encabeçar uma chapa em 2018, os partidários de Campos esquecem a ideia maluca de entrarem no pleito ainda em 2014, dividindo a esquerda e beneficiando o PSDB.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Elson

11 de novembro de 2012 às 04h20

Eu sabia que passadas as eleições municipais as coisas voltariam ao eixo, Campos e o PSB não são burros de entrar numa empreitada como a eleição presidencial contra Dilma e o PT e ainda mais com Lula como cabo eleitoral. É normal que partidos aliados se afastem durante as eleições municipais, pois cada um tem seus interesses e quer crescer para ter musculatura para as eleições estaduais.
Para o PSB se aliar ao tucanato é um péssimo negócio, pois sua trajetória e ideologia diverge e muito da dos tucanos, isso sem falar que pegaria mal, pois passaria ao eleitorado a ideia de oportunismo.

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Marola

10 de novembro de 2012 às 18h38

Tudo muito bem, tudo muito bom, mas convidar Aires Brito para ser o candidato do PSB ao Senado por Brasília definitivamente não ajuda.

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Adriano Matos

09 de novembro de 2012 às 18h56

Tá parecendo a estória do terceiro mandato de Lula: Ele negou um milhão de vezes e mesmo assim a estória rendia.

Mas, realmente, acho que dessa vez vão parar. Não pela declaração de Eduardo Campos, mas pela do vice-presidente do PSB Roberto Amaral que o PSB não é viagra pra potencializar o PSDB e que não ia se prestar a ser quinta-coluna pra dividir a esquerda.

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migueldorosario (@migueldorosario)

09 de novembro de 2012 às 13h38

Campos nega rompimento com Dilma http://t.co/KY1ssnDP

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