Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe”

Por Miguel do Rosário

13 de dezembro de 2012 : 23h40

Manual do Golpe, por Mauro Santayana*

Cúrzio Malaparte escreveu, em 1931, seu livro político mais importante, Técnica del colpo di Stato: envenenamento da opinião pública, organização de quadros, atos de provocação, terrorismo e intimidação, e, por fim, a conquista do poder. Malaparte escreveu sua obra quando os Estados Unidos ainda não haviam aprimorado os seus serviços especiais, como o FBI – fundado sete anos antes – nem criado a CIA,em 1947. De lá para cá, as coisas mudaram, e muito. Já há, no Brasil, elementos para a redação de um atualizado Manual do Golpe.

Quando o golpe parte de quem ocupa o governo, o rito é diferente de quando o golpe se desfecha contra o governo. Nos dois casos, a ação liberticida é sempre justificada como legítima defesa: contra um governo arbitrário (ou corrupto, como é mais freqüente), ou do governo contra os inimigos da pátria. Em nosso caso, e de nossos vizinhos, todos os golpes contra o governo associaram as denúncias de ligações externas (com os países comunistas) às de corrupção interna.

Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos norte-americanos, e contaram com a participação ativa de grandes jornais e emissoras de rádio. A partir da renúncia de Jânio, em 1961, a televisão passou também a ser usada. Para desfechá-los, sempre se valeram das forças armadas.

Foi assim quando Vargas já havia convocado as eleições de 2 de dezembro de 1945 para uma assembléia nacional constituinte e a sua própria sucessão. Vargas, como se sabe, apoiou a candidatura do marechal Dutra, do PSD, contra Eduardo Gomes, da UDN. Mesmo deposto, Vargas foi o maior vitorioso daquele pleito.

Em 1954, eleito pelo povo Vargas venceu-os, ao matar-se. Não obstante isso, uma vez eleito Juscelino, eles voltaram à carga, a fim de lhe impedir a posse.A posição de uma parte ponderável das Forças Armadas, sob o comando do general Lott, liquidou-os com o contragolpe fulminante. Em 1964, contra Jango, foram vitoriosos.

A penetração das ONGs no Norte do Brasil, e a campanha de coleta de assinaturas entre a população dos 7 Grandes – orientada, também, pelo Departamento de Estado, que financiava muitas delas – para que a Amazônia fosse internacionalizada, reacenderam os brios nacionalistas das Forças Armadas. Assim, os norte-americanos decidiram não mais fomentar os golpes de estado cooptando os militares, porque eles passaram a ser inconfiáveis para eles, e não só no Brasil.

Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em Honduras e no Paraguai.  Articula-se a mesma técnica no Brasil. Nesse processo, a crise institucional que fomentam, entre o Supremo e o Congresso, poderá servir a seu objetivo – se os democratas dos Três Poderes se omitirem e os patriotas capitularem.

* Melhor colunista político do Brasil, segundo O Cafezinho.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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@rogeriocorreia_

14 de dezembro de 2012 às 22h13

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe” – http://t.co/8WQFYlat”

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@leilajinkings

14 de dezembro de 2012 às 19h48

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe” http://t.co/FLMaZFr3 vía @sharethis

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@leilajinkings

14 de dezembro de 2012 às 19h47

Desde a destituição de Getúlio, em 29 de outubro de 1945, todos os golpes, no Brasil, foram orientados pelos… http://t.co/ey1nyKcT

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@lorenzobmb

14 de dezembro de 2012 às 16h56

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe” – http://t.co/xoCfHj8w

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@MariaCBSouza

14 de dezembro de 2012 às 16h02

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe” – http://t.co/eXmeiiUE

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josaphat

13 de dezembro de 2012 às 23h46

Também tô achando perigoso. Eu que não me deixo levar por paranoias e acredito mais na força coletiva da consciência do povo.

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migueldorosario (@migueldorosario)

13 de dezembro de 2012 às 23h40

Washington optou hoje pelos golpes brancos, com apoio no Parlamento e no Poder Judiciário, como ocorreu em… http://t.co/f4pQNZuJ

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migueldorosario (@migueldorosario)

13 de dezembro de 2012 às 23h40

Santayana: “se os patriotas capitularem, teremos outro golpe” http://t.co/ZFjpYfGx

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