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Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador”

Por Miguel do Rosário

20 de dezembro de 2012 : 16h23

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Há um ponto a favor de Lula, nessa campanha histérica dos meios de comunicação contra ele. É a falta de noção de ridículo de seus detratores.

Editorial do Estadão desta quinta-feira, por exemplo, chama Lula de “Grande Manipulador”, assim mesmo, em caixa alta.

O epíteto revela o esforço  desesperado, beirando a esquizofrenia, para atribuir as vitórias eleitorais do PT não à preferência do povo por candidato comprometidos com seu bem estar, e sim por algum tipo de poder mágico de Lula, o “Grande Manipulador”.

A estratégia seria risível, e a perseguição à Lula e ao PT, por parte da imprensa, não seriam mais que episódios curiosos e naturais da nossa vida política. É saudável que as forças governistas tenham oposição. Alarmante, porém, é a disposição renitente das forças conservadoras de pretenderem ganhar no tapetão a batalha que não conseguem resolver nas urnas.

O editorial do Estadão me parece extremamente parecido com outros que li na Biblioteca Nacional, quando estudei o comportamento da imprensa brasileira nas semanas imediatamente anteriores e posteriores ao golpe de Estado de 1964. Em lugar do STF, ponha-se os militares. O discurso é o mesmo.

Lula não tem poder de manipular ninguém porque não detêm meios de comunicação para tal. Sintomático que o Estadão o acuse disso, porque na verdade é algo que ele deveria encontrar num espelho.

Vamos analisar o editorial. É uma peça golpista, repleta de mentiras, distorções, exageros. Usarei aquele sistema de comentários intercalados. Meus textos seguem em negrito.

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O STF faz história

Sim, com certeza faz história, para pior…

O julgamento da Ação Penal 470 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) constitui-se, desde já, num marco histórico que abre para o Brasil a perspectiva de um significativo avanço institucional, representado pela consolidação do estado de direito, muito particularmente no que diz respeito ao princípio de que todos são iguais perante a lei. Esta é a pedra de toque, a razão principal da impressionante mobilização da opinião pública em torno do STF nesses quatro meses e meio em que, com absoluta transparência e respeito à lei penal e aos preceitos constitucionais, os ministros se dedicaram ao exaustivo escrutínio disso que se confirmou como o maior escândalo político da história do País. Ao final, mesmo levando em conta que do ponto de vista processual há ainda um caminho a percorrer antes da publicação do acórdão que produzirá os efeitos penais do julgamento, todos nós brasileiros podemos nos sentir orgulhosos: foi dado um passo importante para resgatar o Brasil do histórico atraso institucional representado pelo estigma da impunidade dos poderosos.

O texto, aliás bem gorduroso, ao estilo fhc, cheio de repetições, clichês e retórica vazia, pode ser lido às avessas. O julgamento do STF representou um retrocesso constitucional, produzindo não apenas insegurança jurídica – o que prejudica inclusive o ambiente econômico – como trazendo à cena política o fantasma de um golpe de estado ao estilo hondurenho. O triunfalismo do texto, além disso, é mentiroso e cínico. O julgamento mostrou que o Brasil não mudou. Daniel Dantas, o homem por trás de Marcos Valério, a origem do poder do publicitário, não foi beneficiado por dois habeas corpus dados por Gilmar Mendes? Não foi depois beneficiado pela anulação (absurda e arbitrária) de toda operação Satiagraha?

A construção da democracia é um processo permanente, complexo e tortuoso porque deve perseguir a unidade do bem comum na diversidade dos interesses conflitantes que caracterizam qualquer corpo social. A evolução desse processo, no modelo preconizado por Montesquieu e adotado pela maioria dos Estados ocidentais modernos, está condicionada à observância de fundamentos como o da separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e o de que todos são iguais perante a lei. No Brasil, é triste mas necessário convir, tais fundamentos nunca foram levados muito a sério. E as consequências disso são particularmente graves no que diz respeito à igualdade perante a lei – o que tem tudo a ver com o desempenho do Judiciário, mas também, quando se trata de investigação criminal, de instituições subordinadas ao Executivo, como a polícia e o Ministério Público.

Parágrafo onde novamente brilha o cinismo mais descarado, sobretudo num momento em que o STF justamente agride a separação dos poderes, e dá aos réus um tratamento contrário a que deu em outros momentos.

O fato de a investigação criminal do mensalão merecer elogios gerais pela eficiência indica que essa qualidade nunca foi exatamente a regra. Por outro lado, o próprio julgamento da Ação Penal 470 demonstra que a legislação brasileira, em particular a processual penal, abre brechas que permitem a procrastinação indefinida dos feitos. Tudo isso tem contribuído para que a opinião que a sociedade brasileira tem da Justiça seja impregnada por alta dose de desconfiança: a Justiça tenderia a proteger os interesses dos poderosos, aqueles que se colocam no topo da pirâmide social, deixando a dura lex para ser aplicada aos cidadãos comuns. Em certa medida, é uma verdade que não se explica necessariamente pela eventual má-fé de legisladores, investigadores e juízes, mas pela complexidade do ordenamento jurídico penal, cujos meandros são geralmente acessíveis apenas a bancas advocatícias muito bem remuneradas.

“a Justiça tenderia a proteger os interesses dos poderosos”… Sim, aí vemos que uma das principais estratégias da mídia para evitar qualquer questionamento a seu poder, é se tornar invisível. É como se ela não tivesse “interesses” e não fosse “poderosa”. Quando fala em “brechas” em processos penais, mais uma vez temos um curioso sentido duplo. O julgamento do mensalão usou, descaradamente, todo tipo de “brechas” para condenar os réus. Agora mesmo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tenta mandar os réus antes do trânsito em julgado para a cadeia mediante uma verdadeira chicana: esperou chegar o recesso para que Joaquim Barbosa, que sempre mostrou disposição condenatória, para encaminhar o pedido de encarceramento.

Foi, portanto, o compreensível sentimento de desconfiança na ação da Justiça que o já histórico julgamento do mensalão conseguiu abalar, provocando o despertar de uma consciência cívica que nos últimos anos vinha sendo mantida em estado ciclotímico graças a uma hábil e deliberada manipulação do sentimento popular – ora excitado com as conquistas econômicas, ora passivo ante as transgressões aos princípios republicanos -, tudo ao sabor dos interesses dos detentores do poder político. Desprezando o sentimento nacional de regozijo com a condenação dos mensaleiros, Lula, o Grande Manipulador, revelou com muita clareza exatamente o que pensa sobre consciência cívica ao declarar sobre o julgamento, então a meio caminho, que “o povo não está preocupado com isso, mas em saber se o Palmeiras vai cair para a segunda divisão e se o Haddad vai ganhar a eleição”. O Palmeiras caiu e Haddad ganhou, mas Lula não percebeu quais eram as preocupações do povo.

“sentimento nacional de regozijo com a condenação de mensaleiros”… “Lula, o Grande Manipulador”. O Estadão, assim como a grande mídia, cria um mundinho paralelo. É uma esquizofrenia deliberada, que gera um exército obediente de leitores furibondos e autoconfiantes, mas cada vez mais desconectados da realidade. É por isso que perdem eleições.

Hoje, diante das evidências que o contrariam, Lula mantém as barbas de molho, certamente por saber que a sociedade brasileira já tem posição formada em relação ao destino que merecem os poderosos que se julgam “mais iguais” perante a lei. Esse é o primeiro passo a ser comemorado no sentido da moralização dos costumes políticos que os ministros do STF balizaram com o julgamento da Ação Penal 470.

Não, senhor. Lula não está com as barbas de molho. O editorial mente mais uma vez, negando inclusive o conteúdo da própria edição, que mostra o ex-presidente discursando na posse do novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, com a presença de representantes dos principais movimentos sociais do país. E os costumes não melhorarão se setores da elite namorarem formas de luta política baseadas não na busca pelo voto mas usarem por aqui esse novo tipo de golpismo branco, onde se aliam grupos de mídia e membros do judiciário.

Por fim, Lula goza ainda de um importante trunfo: ao ser atacado por setores da imprensa, ele cria, em torno de si, uma aura de resistência. E o mais importante: enquanto a oposição conservadora permanece confortável, apenas observando, passiva e gostosamente, o PT ser massacrado na mídia, os militantes de esquerda, mesmo com tantas vitórias eleitorais, permanecem mobilizados. A direita terceiriza a guerra ideológica; a esquerda é forçada a lutar com as próprias mãos. Chegado o momento eleitoral, temos uma direita gorda, preguiçosa e despreparada, e uma esquerda musculosa, experiente e pró-ativa. Essa dialética quase musical às vezes desafina, mas em geral tem dado certo. Por outro lado, não basta ganhar eleições. Carece também obter vitórias políticas, ideológicas e no campo da comunicação. Porque somente aí teremos consolidado valores novos, afirmando a soberania do povo brasileiro na condução de seu próprio destino.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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8 comentários

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@RobotPT

22 de dezembro de 2012 às 11h51

Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador” – O PIG perdeu completamente o senso do ridículo http://t.co/cmOyz4Ip

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ANA (@anabellbar)

22 de dezembro de 2012 às 11h45

Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador” – http://t.co/pAVMEVxg

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Humberto Vieira (@HumbertoVieira7)

21 de dezembro de 2012 às 16h01

Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador”. http://t.co/hgGV1gTg Desespero da direita, beira o ridículo.

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Érico Cordeiro (@ricocordeiro)

21 de dezembro de 2012 às 14h54

Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador” – http://t.co/mlipIzj2

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Messias Franca de Macedo

21 de dezembro de 2012 às 09h50

… [Eterno] Presidente Luiz Inácio Lula da Silva!…

O que é a DIREITONA além de [eterna!] OPOSIÇÃO AO BRASIL?!…

[EM TEMPO DE GOLPISMO: pintemo-nos para a guerra!…]

… República da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista, aloprada, alienada, histriônica, impunemente terrorista, MENTEcapta, néscia, golpista de meia-tigela, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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Messias Franca de Macedo

21 de dezembro de 2012 às 09h46

[O BRASIL DA MONOCRACIA BARBOSIANA – E DO FURIOSO PROCURADOR GURGEL! UM PEQUENO CAPÍTULO DA HISTÓRIA BRASILEIRA AJUDA O NOSSO ENTENDIMENTO ACERCA DAS MAZELAS E FALCATRUAS COMUNS EM NOSSO MEIO!]

“Jeitinho”, expressão brasileira para um modo de agir informal amplamente aceito, que se vale de improvisação, flexibilidade, criatividade, intuição, etc., diante de situações inesperadas, difíceis ou complexas, não baseado em regras, procedimentos ou técnicas estipuladas previamente. “Dar um jeito” ou “Dar um jeitinho” significa encontrar alguma solução não ideal ou previsível. Por exemplo, para acomodar uma pessoa a mais inesperada em uma refeição, “dá-se um jeitinho”.
O “jeito” ou “jeitinho” pode se referir a soluções que driblam normas, ou que criam artifícios de validade ética duvidável.
A expressão “jeitinho” no diminutivo em certos casos, assume um sentido puramente negativo, significando não só driblar mas violar normas e convenções sociais, uma forma dissimulada de navegação social tipicamente brasileira, na qual são utilizados recursos como apelo e chantagem emocional
(…)
Os adeptos do “jeitinho” consideram de alto status agir desta forma, como se isto significasse ser uma pessoa articulada, bem posicionada socialmente, capaz de obter vantagens inclusive ilícitas, consideradas imorais por outras culturas.
O jeitinho caracteriza-se como ferramenta típica de indivíduos de baixo nível de politização, não há o ânimo de se mudar estruturas, o status quo, busca-se exclusivamente obter uma solução de curto prazo para si, às escondidas e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como “molejo”, “jogo de cintura”, habilidade de se “dar bem” em uma situação “apertada”. Não deve ser confundido, porém, com malandragem, que possui seus próprios fundamentos.
(..)
Sérgio Buarque de Hollanda, em “Raízes do Brasil” (Capítulo “O Homem Cordial”), fala sobre o brasileiro e uma característica presente no seu modo de ser: a cordialidade. Porém, cordial, ao contrário do que muitas pessoas pensam, vem da palavra latina cor, cordis, que significa coração. Portanto, o homem cordial não é uma pessoa gentil, mas aquele que age movido pela emoção no lugar da razão, não vê distinção entre o privado e o público, ele detesta formalidades, põe de lado a ética e a civilidade.
Em termos antropológicos, o jeitinho pode ser atribuído a um suposto caráter emocional do brasileiro, descrito como “o homem cordial” pelo antropólogo Sérgio Buarque de Hollanda. No livro “Raízes do Brasil”, este autor afirma que o indivíduo brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade. Deva-se isso ao fato de as instituições brasileiras terem sido concebidas de forma coercitiva e unilateral, não havendo diálogo entre governantes e governados, mas apenas a imposição de uma lei e de uma ordem consideradas artificiais, quando não inconvenientes aos interesses das elites políticas e econômicas de então. Daí a grande tendência fratricida observada na época do Brasil Império, tendência esta bem ilustrada pelos episódios conhecidos com Guerra dos Farrapos e Confederação do Equador.
Na vida cotidiana, tornava-se comum ignorar as leis em favor das amizades. Desmoralizadas, incapazes de se imporem, as leis não tinham tanto valor quanto, por exemplo, a palavra de um “bom” amigo; além disso, o fato de afastar as leis e seus castigos típicos era uma prova de boa-vontade e um gesto de confiança, o que favorecia boas relações de comércio e tráfico de influência. De acordo com testemunhos de comerciantes holandeses, era impossível fazer negócio com um brasileiro antes de se fazer amizade com este. Um adágio da época dizia que “aos inimigos, as leis; aos amigos, tudo”. A informalidade era – e ainda é – uma forma de se preservar o indivíduo.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeitinho

EM TEMPO DE GOLPISMO: hoje, 21 de dezembro de 2012, inicia-se ‘o nosso verão árabe’ – perdão, ato falho -, ‘o nosso verão bananiense’ – sucedendo enquanto prolongamento ‘natural’ a nossa última ‘primavera árabe’ – de novo, perdão pelo ato falho -, a nossa recém ‘primavera bananiense’ marcada, sobretudo, ‘pelo domínio do fato’(!) a la golpismo, ‘doença senil do direitismo’ (sic)…

… República da [eterna] OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascista, aloprada, alienada, histriônica, impunemente terrorista, MENTEcapta, néscia, golpista de meia-tigela, antinacionalista, corrupta… ‘O cheiro dos cavalos ao do povo!’ (“elite estúpida que despreza as próprias ignorâncias”, lembrando o enunciado lapidar do eminente escritor uruguaio Eduardo Galeano)

Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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migueldorosario (@migueldorosario)

20 de dezembro de 2012 às 16h23

Há um ponto a favor de Lula, nessa campanha histérica dos meios de comunicação contra ele. É a falta de noção de… http://t.co/jdVsvwSg

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migueldorosario (@migueldorosario)

20 de dezembro de 2012 às 16h23

Estadão chama Lula de “o Grande Manipulador” http://t.co/Pb3K9Ck8

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