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O migué de Paulo Bernardo

Por Miguel do Rosário

03 de abril de 2013 : 12h03

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Ao final do ano passado, comentei o espetacular “migué” que o recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves, havia dado na mídia e no Supremo Tribunal Federal (STF). Sem dizer nada de concreto sobre o grave conflito entre Congresso e Judiciário que vinha se avolumando desde que o STF decidira cassar mandatos de parlamentares condenados no julgamento do mensalão, tirando uma prerrogativa que, segundo a Constituição, pertence apenas ao Legislativo, Henrique Alves conseguiu produzir uma trégua. Falou algumas abobrinhas óbvias (que sempre iria respeitar o Supremo, etc) e posou para fotos com Joaquim Barbosa, de mãos dadas e sorridentes. Se não pôs um ponto-final na história, tascou ao menos um eficiente ponto-e-vírgula.

Fez bem. Uma guerra entre o Supremo e o Legislativo não interessa ao Brasil, embora talvez fosse útil para os segmentos que procuram permanentemente desqualificar o trabalho parlamentar – com o intuito de ampliar seu próprio poder.

Ontem foi a vez de Paulo Bernando mostrar seu rebolado. O ministro das Comunicações do governo Dilma deu declarações que agradaram a gregos e troianos. A prova é que foi interpretado segundo o gosto do freguês, conforme se pode avaliar apenas vendo o título das matérias.
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Hoje o Cafezinho comenta os seguintes temas: repercussão da fala de Paulo Bernardo na mídia; uma entrevista de Wanderley Guilherme para a Revista Inteligência; e os números do IBGE para a produção industrial. Para continuar a ler, você precisa fazer seu login como assinante (no alto à direita). Confira aqui como assinar o blog O Cafezinho.[/s2If]

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O Globo deu assim:

Já a Folha e o Estadão deram títulos que sugerem uma postura exatamente oposta:

 

Não sejamas, porém, ranhetas. É positivo que Paulo Bernarndo tenha se pronunciado a favor de uma lei para regulamentar a mídia brasileira, aos moldes do que já existe em todos os países desenvolvidos. O seu “migué” já um avanço e uma conquista, e provavelmente PHA tem razão: o ministro reage às cacetadas que levou da revista Carta Capital, onde ele figura, na capa da última edição, como um político aliado aos desmandos da Globo.

 

O professor Wanderley Guilherme dos  Santos concedeu entrevista à revista Inteligência onde aborda alguns problemas políticos enfrentados pelo governo. Recorto alguns trechos, e comento:

(…) O Planalto deveria aos poucos mudar a sua estratégia. Se ele estivesse disposto a favorecer mais determinados partidos na coalizão, abrindo mão de outros, ela provavelmente funcionaria de modo mais barato e eficiente. Uma coalizão menor, administrada de modo mais firme, pode ser tão eficaz quanto a atual, a custo político mais baixo. Para um Congresso de 513, se você tiver uma coalizão de 280, dá.

Santos questiona a solidez da base aliada do governo, observando que é bem menor do que parece, e pondo em risco as reformas pretendidas. O prejuízo é das classes pobres, que em comparação às classes A e B, seriam sub-representadas no Congresso. O cientista diz que seria mais eficiente e barato para o governo ter um núcleo duro de apoio, do que um grupo inchado mas sem confiabilidade. E defende que o governo seja mais severo na cobrança desse apoio, praticando uma estratégia legítima de coerção e repressão a quem traí-lo.

(…) Empregar coerção significa aplicar a cláusula dos ônus presente em toda e qualquer coalizão de governo, independente de que partidos a integrem: sem assumir os ônus, não se leva o bônus. O emprego da coação, ou a ameaça de que ela venha a ser empregada, é um elemento fundamental para assegurar a continuidade
das políticas de um governo por meio do adequado funcionamento da coalizão. É uma lógica do jogo: até os filhos são educados pela expectativa da recompensa e do castigo.

Outra cobrança de Santos é a falta de comunicação do governo:

Não há quem explicite publicamente as linhas do governo. Sinto muita falta de ouvir seus porta–vozes ou intérpretes autorizados declararem qual o seu pensamento político, o que se está se fazendo na administração. Não sei quais são os ministros fortes da Dilma. No governo anterior, o presidente estava todo dia no jornal. Ele viajava o tempo todo, ele falava, e o povo ia atrás. Ele falava com os repórteres na saída, todo dia estava na televisão. O governo atual não se comunica, não fala. Não se vê um deputado ou senador governista subir à tribuna para responder à mídia, para informar o que está acontecendo. Este governo precisa de uma banda de música parlamentar, com as lideranças governistas se revezando na tribuna legislativa para fornecer informações sobre o que se passa no governo. Isso é liderança parlamentar.

*

Ontem o IBGE divulgou a produção industrial de fevereiro. Houve queda de 2,5% sobre o mês anterior. Mas a produção de bens de capital cresceu, tanto sobre o mês anterior (+1,6%) quanto sobre o ano passado (+ 9,1%). No acumulado do primeiro bimestre, a indústria de bens de capital já acumula crescimento de 13,3% sobre o ano anterior.

Além disso, quando se observa o desempenho dos setores mais avançados da indústria, houve crescimento substancial:

(…) na comparação com fevereiro de 2012, entre as nove atividades que ampliaram a produção, os principais impactos foram observados em veículos automotores (6,4%), outros equipamentos de transportes (9,6%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,8%), impulsionados em grande parte pela maior fabricação de caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias, reboques e semirreboques, caminhões e chassis com motor para caminhões e ônibus, no primeiro ramo, aviões, no segundo, e transformadores e fios, cabos e condutores elétricos, no último.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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migueldorosario (@migueldorosario)

03 de abril de 2013 às 12h03

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