Comentários sobre: Lobão mentiu em entrevista https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/lobao-mentiu-em-entrevista/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 04 May 2013 21:52:57 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Por: Guilherme Scalzilli https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/lobao-mentiu-em-entrevista/#comment-25792 https://www.ocafezinho.com/?p=10954#comment-25792 Bobão

Meu comentário sobre as besteiras de Lobão é contraditório. Porque acho que elas deveriam ser soberbamente ignoradas. As reações inflamadas, reproduzindo a grosseria intelectual que pretendem combater, apenas repercutem o que não merece a rápida sinapse necessária ao descarte.

Sempre admirei Lobão, um pouco pelas músicas, mas principalmente por sua militância contra o sistema de gravadoras e jabás radiofônicos. E também pela denúncia contra a hipocrisia nefasta da repressão aos usuários de drogas, da qual foi uma vítima célebre. Que o músico personifique a união dessa bandeira progressista com o repertório do antipetismo hidrófobo é evidência de certa esquizofrenia programática amiúde abordada neste espaço.

Óbvio que ele tem sensibilidade e erudição suficientes para saber que suas bravatas são rasteiras, que não suportariam minutos de um debate sério. Mesmo a relevante questão dos incentivos fiscais a artistas consagrados se perde no discurso tosco e simplificador. Talvez Lobão esteja buscando reconstruir a própria figura pública, vestindo um figurino de polemista indignado “antitudo” que satisfaça melhor suas necessidades intelectuais e financeiras. Até que ponto essa é uma postura honesta, ou coerente com sua trajetória profissional, cabe a ele mesmo e a seus fãs descobrirem.

Resta-nos lamentar que se transforme em outro inocente útil desse folclore ultra-reacionário que vem ganhando adeptos nas redes sociais e na mídia corporativa. Mergulhando na estupidez recalcada por um patológico ressentimento de classe, Lobão perde o último tufo de relevância que ainda guardava. Decadence sans elegance, como diria o roqueiro de antanho.

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Por: Fernando G Trindade https://www.ocafezinho.com/2013/05/02/lobao-mentiu-em-entrevista/#comment-25790 https://www.ocafezinho.com/?p=10954#comment-25790 Interessante perceber como a neopostura reacionária de Lobão guarda simétrica coerência com o deslocamento da classe média tradicional para a direita, que vem ocorrendo nos últimos anos.
Veja-se a reação de setores mais elitistas da classe média tradicional à ampliação da circulação dos setores sociais da nova classe média nos aeroportos e shopping centers.

Perceba-se que um dos alvos de Lobão é Mano Brown, exatamente um dos artistas mais representativos da ascensão política, social e cultural da nova classe média. Dos setores não-conformistas dessa nova classe média, diga-se.

Note-se que outro alvo é Gilberto Gil, que tendo tudo para não se engajar no projeto de mudança hoje vivido no País – ou pelo menos ‘lavar as mãos’ – com ‘ingratidão’, não é Lobão? decide participar ativamente desse processo, a ele se dedicando por cerca de seis anos.

(E que coincidência hein Lobão, Mano Brown e Gil, os dois, artistas negros…)

Enfim, essa inconformidade com a ascensão social do ‘andar de baixo’ que Lobão vocaliza, é o estranhamento, o mal-estar do profissional liberal ou do alto funcionário, que de repente cruza com a família do porteiro no hall do shopping Center outrora reservado ao ‘andar de cima’.

E embora pessoalmente lamentando esse deslocamento para a direita da classe média tradicional tenho para mim que ele é um dos mais significativos sinalizadores de que este País está efetivamente vivendo efetivo processo de ascensão social dos de baixo.

(A propósito, esse deslocamento da classe média tradicional para a direita está sendo eleitoral e politicamente compensado – com ganhos em votos – com simétrico crescimento dos candidatos e das políticas da esquerda nas últimas eleições no eleitorado popular. Vejam-se os resultados das eleições e as pesquisas de opinião).

Por fim, não deixa de ser meio hilário-retrô ver Lobão ecoando a crítica oligárquica à Coluna Prestes e defendendo a ‘família brasileira’ contra a ameaça de seqüestro de seus rebentos pelos comunistas, nos idos de 64…

Em tempo, essa catarse reacionária de Lobão deve ser existencialmente respeitada (embora politicamente criticada) e não afastar o reconhecimento de suas belas canções ‘gauche’. Vou continuar ouvindo o sue CD que tenho tipo ‘autógrafos de sucessos.’

De qualquer modo, para mim a consciência de que o rock’n roll tem bem mais a ver com bom entretenimento do que com mudança sócio-política veio lá nos idos de 1975, assistindo na TV a um clip em que Mick Jagger declarava “I Know, it’s only rock and roll, but I like it”…

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