Análise da reunião ministerial de Bolsonaro

Um governo sitiado

Por Miguel do Rosário

23 de maio de 2013 : 05h34

Wanderley Guilherme denuncia a proliferação de organizações sem autenticidade democrática ou popular, que juntamente com uma imprensa adversativa e adversária, tem conseguido bloquear obras e ações do governo.  Os sindicatos estão dormentes e os parlamentares que teriam obrigação de defender o projeto do partido no governo tem se caracterizado por uma ação pouco mais que medíocre.

 

A imprensa adversativa e o governo sitiado

Por Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político.

Com a adesão nada discreta do diário Valor Econômico, o jornalismo de perfil adversativo alcançou a unanimidade. Nenhuma notícia positiva é impressa sem um embargo – mas, porém, todavia, contudo – seguido de uma desapontadora lembrança má. Algo no seguinte estilo: “a inflação está cadente, mas as contas externas entraram no vermelho”. Esse é o moto universal da imprensa brasileira atual.

O sindicalismo anda entorpecido. Em épocas de emprego farto e ganhos salariais sucessivos, cabe à liderança manter permanente sinal amarelo junto às bases, precisamente para que quase nada mude, isto é, que continue a bonança na oferta de empregos e apropriado aumento na renda. São constantes os alarmes conservadores denunciando pleno emprego e aumento da renda dos trabalhadores como responsáveis por recrudescimentos inflacionários. Estão acontecendo agora, sem que as lideranças sindicais contraponham diagnóstico e terapia alternativas.

Inflação daninha grassa na criação de siglas de organizações sem correspondente mobilização social efetiva. Não são grupos, mas siglas de interesse. Na biografia delas encontra-se a eleição de uma diretoria e a incorporação de meia dúzia de “especialistas”, freqüentes em bombásticas declarações à imprensa. Não possuem legitimidade social nem mobilizam ninguém. São, antes, mobilizadas pela imprensa adversativa nas declarações que antepõem especulações pessimistas aos fatos materiais satisfatórios. Atuam em todos os segmentos da vida econômica e social, com representatividade restrita à diretoria e aos membros fundadores.

Há dez anos, ousado programa de subversão na estratificação social, na inovação econômica e na modernização institucional tem sido responsável por substanciais transformações na infra e na superestrutura do país. A cada ano, aumenta a resistência dos tradicionais setores beneficiados pelos projetos de poder das oligarquias às mudanças na agenda de prioridades dos projetos de governos populares. Hoje, sitiado por uma imprensa adversativa e adversária, por um sindicalismo dormente e por um carrossel de siglas de chantagem, um punhado de figuras no Executivo tem garantido a continuidade, projeto a projeto, conquista a conquista, sem contar senão com uma representação parlamentar de seu partido principal – o PT – disciplinada, mas de qualificação pouco acima de medíocre. Sindicatos, grupos sociais efetivamente vulneráveis e aliados políticos usufruem preguiçosamente das conseqüências de bons governos sem retribuir em defesa e mobilização de apoio. São caronas do sucesso. Ou os interessados mudam ou podem ser obrigados a se mudar.

 

Cafezinho com Wanderley Guilherme é uma coluna semanal escrita pelo cientista político W. G. dos Santos, atualizada às quintas-feiras. 

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Creuza Magalhães

25 de maio de 2013 às 11h45

Prof.WGS fico muito Feliz de poder encontrar suas análises políticas para um maior esclarecimento e com isso fazer a minha parte na defesa do projeto do atual governo. Seja bem-vindo para o bem de todas as brasileiras(os)que almejam um país mais justo!!!!

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Messias Franca de Macedo

25 de maio de 2013 às 08h49

AINDA SOBRE O GOVERNO SITIADO!

DOIS DOS MUITOS PERIGOS À DEMOCRACIA, UM TAL DE ROBERT(o) E MAIS DE UM PSEUDO-JORNALISMO! ENTENDA

O consórcio(?!) folha/UOL estampa:
Caixa alterou Bolsa Família na véspera de boato sobre programa
Matéria divulgada em 25/05/2013 – 03h37

… E ‘o consórcio’ assim o faz com o claro e evidente propósito de desanuviar a clara e evidente possibilidade de os boatos [criminosos?!] sobre a extinção do programa Bolsa Família terem sido orquestrados a partir de interesses inconfessáveis – e, portanto, espúrios!…

AGORA, O TENEBROSO ROBERT(o)!

A manchete assim estampada em evidente(!) destaque!…
Ministro Fernando Pimentel desviou R$ 5 mi de prefeitura, diz Procuradoria
25/05/2013 – 03h51

No entanto, a notícia requentada secunda a versão do acusado: O ministro Fernando Pimentel negou, por meio da assessoria de imprensa do ministério, “qualquer irregularidade de sua parte e da Prefeitura de Belo Horizonte” por ocasião da implantação do programa “Olho Vivo”.
A assinatura do convênio cumpriu todas as exigências da lei, afirmou, em nota, a assessoria. Em 2010, o ministro prestou depoimento à Polícia Civil sobre o caso.
Sobre a manifestação da Procuradoria, a assessoria disse que o fato já havia sido noticiado pela imprensa, inclusive pela Folha, no ano passado. A reportagem referida pela assessoria, contudo, trazia apenas a notícia da denúncia, não seus termos, só agora obtidos pela Folha.
Procurador-geral do município de Belo Horizonte na época, Marco Antônio Teixeira afirmou que, se a Procuradoria-Geral da República tivesse “se detido um pouco sobre o assunto”, teria encontrado “contradições” do Ministério Público estadual.
“A denúncia carrega consigo vícios insanáveis, que tenho certeza levarão ao seu arquivamento”, disse ele [o ministro Fernando Pimentel].

RESCALDO: se o tal ‘consórcio’ exercesse o jornalismo isento e responsável – e considerando os fatos objetivos do processo e a biografia e a história pregressa dos dois *atores da contenda – … se o tal ‘consórcio’ exercesse o jornalismo isento e responsável intencionaria dessa forma ‘a opinião publicada’?!…

LÁ ISSO É JORNALISMO?!… LÁ ISSO É ‘CONSÓRCIO OPOSICIONISTA’?!…

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

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El Canilla

24 de maio de 2013 às 19h38

Que interesante que en Brasil se comience a discutir la posibilidad de una ley de medios.
Como enseñaba Althusser, son importantísima parte de los Aparatos Ideológicos del Estado y como dice por algún lado Emir Sader, son los medios los que conducen hoy la disputa ideológica con los gobiernos pos neoliberales que intentan reformular el Estado en América Latina.

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Pedro Henrique

24 de maio de 2013 às 10h50

Zero Hora – Porto Alegre:
Edição de hoje sexa-feira:
Manchete Pricinpal:

” Campo aumenta salários mas perde trabalhadores”

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Fernando G. Trindade

24 de maio de 2013 às 10h27

Com perspicácia o mestre WGS registra o que como assinante do Valor Econômico venho percebendo de uns tempos para cá. Em termos de linha editorial o Valor, que mantinha relativa distância do oposicionismo reinante na grande mídia, agora se aproxima dos seus meio-irmãos Folha e Globo.

WGS fala das manchetes de perfil adversativo (mas, porém, todavia, contudo etc).

O artigo de WGS foi publicado aqui ontem.

E não deu outra, pois, hoje, sexta feira, 24 de maio, de manhã cedo, ao pegar o jornal na portaria do prédio onde moro aqui em Brasília leio a manchete principal: “Exportação à Argentina dá salto, MAS cenário preocupa”.

Bingo!

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Antonio

23 de maio de 2013 às 13h54

É um grande alívio ler um texto dessa qualidade na blogosfera! Parabéns pela lucidez, professor!

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