O depoimento de Lula à juíza Gabriela Hardt

As revoluções simultâneas de Dilma Rousseff

Por Miguel do Rosário

30 de maio de 2013 : 05h30

 

(Desenho de Juliano Guilherme n.7. David e Golias. Coleção Cadernos)

 

Santos vai na contramão de todas as análises pessimistas e identifica no presente uma série de transformações em curso, muitas das quais silenciosas, mas todas profundas e reais.

O tempo das revoluções simultâneas

Por Wanderley Guilherme dos Santos, cientista político.

A Lei de Responsabilidade Fiscal de Fernando Henrique Cardoso foi um dos últimos atos da república oligárquica brasileira, atenta à estabilidade da moeda e fiadora de contratos. Necessária, sem dúvida, mas Campos Sales, se vivo, aplaudiria de pé em nome dos oligarcas. Mas já não ficaria tão satisfeito com que o veio a seguir. Depois de promover drástica rearrumação nas prioridades de governo, o presidente Lula instaurou no país uma trajetória de crescimento via promoção social deixando para trás, definitivamente, a memória de Campos Sales e de seus rebentos tardios. Milhões de famílias secularmente atreladas às sobras do universo econômico foram a ele integradas como ativos atores e consumidores. Desde agora, para desgosto de alguns e expectativa de todos os demais, a história do Brasil não se fará sem o concurso participante do trabalho e das preferências desse novo agregado a que chamamos de povo.

Com Dilma Rousseff instalou-se a desordem criadora, aquela que não deixa sossegada nenhuma rotina nem contradição escondida. Não há talvez sequer um segmento da economia, dos desvãos sociais e das filigranas institucionais que não esteja sendo desafiado e submetido a transformação. Da assistência universal à população, reiterando e expandindo a trilha inaugurada por Lula, à reformulação dos marcos legais do crescimento econômico, à organização da concorrência, à multiplicação dos canais de troca com o exterior, ao financiamento maiúsculo da produção, aos inéditos programas de investimento submetidos à iniciativa privada, a sacudidela na identidade nacional alcança de norte a sul. A cada mês de governo parece que sucessivas bandeiras da oposição tradicional tornam-se obsoletas. Já eram.

O tempo é de revoluções simultâneas, cada qual com seu ritmo e exigências específicas, o que provoca inevitáveis desencontros de trajetos. Uma usina geradora de energia repercute na demanda por vários serviços, insumos, mão de obra, criando pressões, tensões, balbúrdias. Li em Carta Maior (9/4/13) que a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção informa que, no Brasil, convivem hoje 12.600 obras em andamento e agendadas até 2016. Ainda segundo a mesma fonte, das 50 maiores obras em execução no planeta, 14 estão sendo realizadas no país. Claro que os leitores não serão informados pela mídia tradicional. A monumental transformação do país, que não precisa apenas crescer, mas descontar enorme atraso histórico, produz entrechoques das dinâmicas mais díspares, o que surge, na superfície, como desordem conjuntural. É, contudo, indicador mais do que benigno. Mas disso os leitores só são informados em reportagens e manchetes denunciando o que estaria sendo o atual desgoverno do país. Qual…

Os melhores informativos do estado geral da nação encontram-se nos portais do IBGE, do IPEA e afins. Os antigos jornalões apequenaram-se. São, hoje, nanicos.

 

Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político. Ás quintas, publica a coluna Cafezinho com Wanderley Guilherme.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Rodrigo

03 de junho de 2013 às 17h33

De onde veem os numeros 14 de 50 das maiores obras sao no Brasil? Alguem pode citar a fonte?
Abracos

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airton

30 de maio de 2013 às 18h21

Se tudo o que dos Santos escreve tem a força da verdade, como essa análise se casa com um PIB de 0,9% em 2012 e de 0,6% no 1º trimestre de 2013 ?

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    Marcos Sousa

    30 de maio de 2013 às 19h51

    O Pib está baixo devido às crises Europeia e americana e o arrefecimento do crescimento chinês. O importante é que o Brasil é um dos únicos a diminuir o desemprego e a aumentar a renda dos trabalhadores.

    Responder

Antonio Barbosa de Jesus

30 de maio de 2013 às 10h50

“… das 50 maiores obras em execução no planeta, 14 estão sendo realizadas no país.” Será esse o mesmo Brasil que vemos, dioturnamente na GRANDE imprensa? Que Deus nos ajude e proteja desses canalhas.

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Yuri Stugges

30 de maio de 2013 às 09h46

Melhor texto do mês!!!!

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Hugo T.

30 de maio de 2013 às 09h45

Que bom ler este artigo, professor! Salvou o dia!

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Vera

30 de maio de 2013 às 09h44

Muito bom!

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