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Fascistas mascarados atacam manifestantes no Rio de Janeiro

Por Miguel do Rosário

11 de julho de 2013 : 23h01

Eu quero fazer uma denúncia grave. A manifestação aqui no Rio seguia tranquila. Os trabalhadores marchavam com suas bandeiras. No carro de som, locutores defendiam propostas objetivas. Por volta das 18 horas, quando a passeata ainda estava concentrada junto à Candelária, houve um primeiro incidente envolvendo os “mascarados”, que jogaram pedras nos vidros da Candelária. A polícia veio, pediu para que um deles tirasse a máscara. O sujeito se recusou, o policial o segurou pelo braço. Outros mascarados cercaram o policial. Então a polícia jogou uma bomba de pimenta, causando transtornos em várias pessoas que não tinham nada a ver com os mascarados.

Aí o negócio se acalmou. Os locutores pediram para ninguém usar máscara. Tentou contemporizar.  Esse foi o grande erro.

Mascarados são inimigos dos trabalhadores. Tem que ser expulsos sumariamente das passeatas. São vândalos e fascistas, apesar de alguns usarem o rótulo de “anarquistas”. De anarquistas não tem nada.

Havia pelo menos uns três grupos de mascarados. Um se manteve desde cedo diante do Palácio Guanabara, sede do governo, bem distante das passeatas.

Um grupo ficou na Cinelândia, esperando a passeata. Outro, na parte de trás – foi esse que jogou pedras nos vidros da Candelária.

Em seguida, o grupo de trás se dirigiu para a frente, infiltrando-se no meio da passeata. Havia uns dois que dirigiam os grupos.

Os dois grupos se uniram na frente da passeata e marcharam juntos por algum tempo. Até que, de repente, o grupo inteiro, uns duzentos mascardos, se voltou e passou a marchar na direção da passeata. Posicionaram-se em frente ao carro de som da UGT, e ali permaneceram, bloqueando a passagem de mais de 50 mil manifestantes.

Vários faziam gestos ameaçadores com as mãos. Lançaram bombas. Dirigiram rojões na direção das pessoas.

A polícia entrou em cena com a delicadeza de sempre, lançando gás pimenta, bombas de efeito moral e atirando pro alto. O caos se instalou. As pessoas correram assustadas.

Eu estava com amigos, ao lado do Amarelinho, esperando a passeata chegar. Um grupo de amigos chegou correndo, com olhos ardendo. Levei-os para o escritório da minha esposa, na Alcindo Guanabara.

A passeata terminaria com uma grande assembléia popular para discutir a mídia. Os mascarados estragaram a festa.

Não eram “coxinhas”, apesar de circularem no mesmo universo de ideias e partilharem do mesmo tipo de radicalismo e truculência política. Eram jovens organizados, num esquema de guerrilha.

O serviço de inteligência do governo federal precisa, urgentemente, entrar em ação para descobrir quem está por trás desses grupos. Aliás, o serviço de inteligência precisa, em primeiro lugar, existir. O governo tem de dar estrutura à ABIN. Se não temos poderio militar, o mínimo que esperamos, para nos sentirmos seguros contra a influência externa, é um serviço de inteligência decente.

Os movimentos sindicais, por sua vez, tem de endurecer contra os mascarados. Alguma coisa tem de ser feita.

As bombas jogadas no palácio do governo indicam que o objetivo do grupo é desestabilizar. Qual a proposta que trazem?

Enquanto aguardávamos a confusão se amainar, conversamos sobre o tema. Teorias conspiratórias pipocaram. Um achava que era coisa de partido político, inclusive o PMDB, querendo produzir um clima de instabilidade. A teoria tem uma lacuna importante: que vantagem isso traria ao governador Sérgio Cabral? Ou será algo do PMDB acima do Cabral? Outros mencionaram a oposição: PSDB e DEM. Seja quem for, é gente querendo desestabilizar. Está conseguindo.

A hipótese de interferência estrangeira é algo que tem sido discutida no setor de inteligência do governo. Eu tenho uma fonte na Abin, que mencionou este fato. Na Primavera Árabe, houve muita ingerência externa, especializada em pegar carona em manifestações autênticas, e transformá-las em motivo de instabilidade.

O fato de estar marcada, para o final do ato, uma assembléia para discutir a mídia, também virou tema de nossas teorias de conspiração. Durante a passeata, havia grandes faixas e palavras de ordem contra a Globo. Os locutores cantavam, no alto do carro de som, o refrão mais famoso das passeatas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura.”

Reiterando: dessa vez os mascarados não atacaram prédios públicos. Eles marcharam diretamente contra os próprios manifestantes. Foi uma agressão, uma declaração de guerra.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Guilherme

12 de julho de 2013 às 11h53

“da próxima vez que eu ver um mascarado na minha frente, terei que me controlar muito para não lhe dar um murro”
da próxima vez que eu vir ……

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Horridus Bendegó

12 de julho de 2013 às 07h55

práticas típicas das SA, do freikorps.
neo-nazistas?

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