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Os black blocs sem máscara, por Wanderley Guilherme

Por Miguel do Rosário

31 de outubro de 2013 : 07h00

Black blocs: os primos sem máscara

Wanderley Guilherme dos Santos, Cafezinho 31/10/13

Um leitor bem humorado de Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, sugeriu a aproximação entre os blackbocs mascarados que atormentam a cidade e os economistas da pré candidata Marina Silva. Estes seriam, pela ideologia, blackblocs sem máscara. O exagero normal de piadas não deixa de ter fundamento, neste caso, na convergência real entre ideais confessos de uns e ações delinqüentes de outros.

Mascarados e sem máscara, ou desmascarados, são contra tudo que está aí. Sendo o país altamente complexo em sua produção material, vida associativa e política, “tudo que está aí” é muita coisa para ser conhecida e avaliada no atacado. A menos, deve ser reconhecido, que os juízes estejam possuídos por estereótipos bebidos em fundamentalismos religiosos ou ideológicos. Embora rezando por bíblias diferentes, não há dúvida que blackblocs mascarados e sem máscara confraternizam no credo essencial.

Pelo passado de uns, os desmascarados, e presente de outros, os blackblocs mascarados, todos têm por objetivo o desmanche do patrimônio público, seja por destruição material direta, seja por supressão legal ou, ainda, por alienação a terceiros. A variação e bom gosto no modo de vestir dos sem máscara, em contraste com o militarizado uniforme negro dos mascarados, não disfarça a hostilidade à propriedade pública que compartilham. Com ou sem máscara são todos destrutivos blackblocs.

A mídia tradicional e as redes sociais funcionam como atraentes espelhos das manifestações de violência verbal, escrita ou de comportamento. Exibicionistas, anunciam onde vão agir pela força de paus e pedras ou pela compulsão das leis que pretendem elaborar. Discrição e modéstia não fazem parte do cardápio de moral e cívica desses autoritários em disponibilidade.

Entre as convergências avulta a doentia incapacidade de organizar algo construtivo. São parasitas dos movimentos sociais. Não se conhece uma instituição de defesa de coletividades que tenham criado. Mas estão sempre presentes no aproveitamento das atividades e organizações de construtores sociais, sugando-lhes a fama, a energia ou os propósitos. Foi o que fizeram em tempos idos, os sem máscara, com as empresas estatais criadas com os recursos e sacrifício da população. E voltariam a fazê-lo se lhes fosse concedida outra oportunidade. Não facilitaram a emergência de ações coletivas, empreitada sempre difícil e não raro cheia de perigos. Mas os mascarados se aproveitam das naturais e legítimas mobilizações dos setores mais carentes para sugá-los e macular os propósitos de suas paradas e manifestações.

Desprezam as instituições de representação popular (sindicais, políticas, pacificamente reivindicatórias) a elas dirigindo permanente crítica difamatória e humilhante, no que são coadjuvados pela imprensa blackbloc, muito mais do que marrom. Pontificam nas colunas jornalísticas os acometidos de dandismo intelectual, cheios de si pela ausência de contraditório que lhes devolveria a altura própria. Esnobes, só conversam entre si e acham lindas, exemplos de “democratização da democracia” (redundância charlatanesca), as tentativas selvagens de invasão de assembléias legislativas.

Finalmente, o anarquismo cruzado em benefício próprio. Face às tensões entre interesses populares e mercado, são radicalmente contra a regulação do Estado nos conflitos da sociedade (blackblocs mascarados) e no funcionamento a mãos livres do mercado (blackblocs desmascarados).

Há muito mais parentesco entre os blackblocs mascarados e os sem máscara do que é capaz de imaginar o inocente bom humor de observadores. Daria uma narrativa interessante fantasiar o que aconteceria em uma comunidade submetida à ideologia e à ação desses primos em barbárie. Os dois grupos, enjaulados, provariam da própria medicina.

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Juliano Guilherme, Coleção Cadernos, o Black Bloc sem máscara

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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10 comentários

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Nelson Henrique Habibe

02 de novembro de 2013 às 02h19

Vou repetir o que tenho dito sobre os Black Blocs e os Anonymous:um bando de merdinhas nerds pós-adolescentes burguesinhos, babacas, alguns postando “fotinha” no Instagram pra se exibirem como “revolucionários” que descobriram como realizar suas fantasias aprendidas no GTA.

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Guilherme Preger

01 de novembro de 2013 às 21h22

Acho uma questão muito séria a perspectiva do Cafezinho ser semelhante da Grande Mídia no que diz respeito ao significante: ” As manifestações são violentas”. Vejam agora a tentativa de criminalizar as manifestações chegou a esfera federal. quem é que está dando suporte ideológico a essa virada anti-democrática e anti-constitucional?

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Guilherme Preger

01 de novembro de 2013 às 21h20

como assim, “eles pregam contra a política”? Eles pregam contra as formas de governo, não contra a política. Aliás, política é isso mesmo, ir pras ruas, protestar, bradar, incomodar, parar o trânsito. “Coxinha” é aquele que fica em casa, numa atitude “superior”, menosprezando a política das ruas…

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Miguel Do Rosario

01 de novembro de 2013 às 21h11

marcelo, larga de ser coxinha. vai dizer que eu apoio o bicho papão também?

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Miguel Do Rosario

01 de novembro de 2013 às 21h10

fala sério, guilherme preger, não tô nem aí pro que a globo acha dos black blocs. se a globo falar mal do maníaco do parque, eu sou obrigado a defendê-lo? os black blocs depredam patrimônio público. jogam lixo nas ruas, quebram pontos de onibus, no fim a conta é espetada no cidadão, e eles pregam contra a política. que mudança advirá daí. lembra muito os camisas negras do fascismo. e nem entendem nada de anarquismo. voce usou o termo coxinha, porque sabe muito bem que se aplica a seu argumento. o desenho do andre é totalmente coxinha, por exemplo. coxinha udenista.

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Marcelo Ferreira Silva

01 de novembro de 2013 às 17h18

Esse cafezinho apoia o PT, dilma, cabral, paes, maluf e sarney! Quem protesta e reclama policia, bomba e cachorro! porque é golpista! Pra frente Brasil!

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Guilherme Preger

01 de novembro de 2013 às 15h37

eita texto lamentavelmente coxinha. nos termos do professor, um texto “sem contraditório”. BB são contra o patrimônio público? de onde ele tirou isso? infelizmente, eu já alertei inúmeras vezes, é muito triste ver o Cafezinho disseminar a mesma visão da Globo, da Record, da Bandeirantes, da Veja, do Terra, enfim de toda Grande Mídia, que pretensamente o Cafezinho combate. Agora, a criminalização dos supostos “vândalos” virou uma política federal, mostrando que não existe “contraditório” algum entre a visão federal e a visão da Grande Mídia, todos na defesa midiática dos jogos, haja o que houver. Por fim, uns quadrinhos dos Malvados sobre o mesmo assunto e a ausência do “Contraditório” na GM e no Cafezinho https://www.facebook.com/photo.php?fbid=752010941481340&set=a.256460607703045.87870.100000173225553&type=1&theater

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Mario Alexandre Teixeira

31 de outubro de 2013 às 13h00

E outra, esse Wandeley tem que se informar mais sobre o BB para parar de falar bobagens.

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    andre

    31 de outubro de 2013 às 14h53

    Esse comentário e mais evidencia que confirma o conteúdo do texto.

    Responder

Mario Alexandre Teixeira

31 de outubro de 2013 às 12h55

Paulo Henrique, diferente do Nassif, não é um cara muito democrático. No post sobre a Ley de Medios eu perguntei se a Record também não estava tremendo com a aprovação e ele censurou a pergunta. Falar da Globo pode, mas da Record não. hehe

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