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A briga na Casa Grande e o massacre da blogosfera

Por Miguel do Rosário

05 de novembro de 2013 : 15h08

Isso tá bem divertido! Hoje, o Reinaldo dá um piti em seu blog na Veja contra Miriam Leitão. Diz que ela é ainda pior que os blogueiros.

Aliás, um dos saldos interessantes dessa lavação de roupa suja no quintal da Casa Grande, à vista de todos, é mostrar como os outrora poderosos colunistas da grande mídia estão preocupados com a gente, os bagrinhos da blogosfera.  Eles brigam entre si, mas sempre apontando para gente.

Eles só se referem a nós, claro, como mercenários pagos pelo governo, estatais e gestões petistas.

Qualquer dia, eu vou publicar aqui fotografias do meu extrato bancário dos últimos 12 anos, para os leitores me ajudarem a procurar os depósitos do governo, que eu nunca achei. O blog sempre viveu de seus leitores, além de alguma coisa em publicidade privada. Não sou contra publicidade estatal, não. Sou pobre demais para ter esses escrúpulos. Mas publicidade estatal para mim é uma ficção. Na era Lula, ainda havia esperanças de que a blogosfera fosse contemplada. Desde que Helena Chagas assumiu a presidência na Secom, porém, junto com Roberto Messias, os tubarões da mídia voltaram a dominar.

Talvez eu publique também fotos do apartamento de um conhecido blogueiro paulista, que eu visitei há algumas semanas em São Paulo, um imóvel simples, de uma pessoa que leva uma vida humilde e franciscana.

Esses são os blogueiros terríveis que, segundo os rottweilers e outros cães da mídia, recebem milhões do governo para atacar a nossa mídia angelical, pura, isenta.

Tive a impressão que Azevedo, que já andou fazendo referências estéticas ao Eduardo, sentiu-se tentado a citar este modesto blog, ao dizer o seguinte em seu post de hoje:

Como sabem que nunca me deixei impressionar pela lisonja fácil — nem a graça de um simples cafezinho lhes dei —, também não me intimidam os ataques os mais grotescos.

Hehehehe.

Eu acho que o governo deveria financiar sim a blogosfera, mas para ser republicano, podia fazer assim: chamava os partidos de oposição e combinava o seguinte: o governo financiará 200 blogs de política, com vistas a cumprir o princípio constitucional que defende a pluralidade. A oposição indica 100, e a base aliada, outros 100.

Republicano, equilibrado, justo. A oposição, mesmo minoritária, teria direito ao mesmo volume de financiamento dado às forças governistas.

Cada governo estadual, cada prefeitura, podia fazer a mesma coisa. Iríamos gerar milhares de empregos na área de comunicação, e salvar as novas gerações de jornalistas do triste destino de serem novos rottweilers dos barões da mídia, além de promover um grande desenvolvimento na cultura política do país. Seria um excelente estímulo inclusive à cultura, pois esses blogs falariam de arte, cinema e literatura com uma independência muito maior que vemos na grande mídia.  Veríamos, finalmente, florescer um jornalismo literário decente, e um jornalismo investigativo verdadeiro.

Isso poderia constar, no futuro, numa lei de mídia, mas por enquanto os governos podiam aprovar essas estratégias via decreto, projeto de lei ou medida provisória. De nada adiantará fazer uma lei de mídia quando todas as forças independentes, que minguam a cada ano, já estiverem mortas, asfixiadas à  sombra dos gigantes. Gigantes, repito pela milionésima vez, que se fizeram com dinheiro público, e o apoio de ditaduras e governos estrangeiros.

O que não tem sentido é, entre as mídias que falam de política, só as corporações receberem recursos públicos. E não adianta nada a Secom distribuir recursos para blogs de moda que já estão nadando em dinheiro e não falam de política. Também não adianta dar um caraminguá para dois ou três blogs e sites políticos mais famosos, de forma intermitente.

A vida de blogueiro tem ficado mais difícil. De um lado, a grande mídia nos ataca cada vez com mais virulência, sempre repetindo que recebemos dinheiro oficial; de outro, o governo dá cada vez mais dinheiro para a grande mídia, asfixiando o pensamento divergente, e não inventa um mísero plano para distribuir os recursos para a internet de maneira mais equitativa e inteligente.

A extrema esquerda, por sua vez, se junta à extrema direita para nos caluniar, num vergonhoso abraço de amargurados e desonestos intelectuais.

Por que vocês acham que há cada vez menos blogs políticos? Infelizmente, não estamos crescendo. Estamos sendo massacrados, com auxílio do mesmo campo político que defendemos.

Não fosse o sucesso do Cafezinho junto a seus leitores, que têm nos ajudado de maneira emocionante nos últimos anos, não daria para continuar trabalhando.

Os poucos que restaram ainda tem de lidar com pesados processos de políticos de oposição e até de ministros do STF!

Esperar o que de uma Secom chefiada por uma tucana pró-Globo (Helena Chagas) e um reaça obtuso e raivoso (Roberto Messias)?

Mas eu queria vir aqui mesmo é para publicar essa charge do Angeli, estampada hoje na página 2 da Folha. A coisa tá mesmo feia por lá!

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Marmelo Melo

07 de novembro de 2013 às 06h06

renova a alma de tanta satisfação democrática! hahahaha

Responder

Danilo Rocha Furst

07 de novembro de 2013 às 00h33

Realmente creio que O CAFEZINHO assim como o TIJOLAÇO ta tirando o sono de muita gente grande por ai rsrs, que vocês continuem dando esse exemplo de luta a favor de uma DEMOCRACIA de fato para o Brasil

Responder

O Cafezinho

05 de novembro de 2013 às 22h20

Não no meu caso.

Responder

Marcelo Ferreira Silva

05 de novembro de 2013 às 20h11

“Eles só se referem a nós, claro, como mercenários pagos pelo governo, estatais e gestões petistas” Isso é fato!

Responder

    Miguel do Rosário

    05 de novembro de 2013 às 20h35

    Não é fato. Quem recebe dinheiro de governos, há décadas, é a grande mídia. Deram até golpe de Estado para receber mais.

    Responder

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