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A crise nos hospitais federais do Rio

Por Miguel do Rosário

13 de novembro de 2013 : 11h45

Saúde para quem precisa

Por Jandira Feghali*

Uma profunda crise tem atingido a rede federal de saúde do Rio de Janeiro, que se prolonga com a evidente falta de recursos humanos e desemboca no inaceitável fechamento de leitos e serviços estratégicos nas emergências, na média e alta complexidade. Os maiores prejudicados, os cidadãos fluminenses, vão ficando à margem de nosso Sistema Público de Saúde criado sob os alicerces da universalidade e equidade.

O aspecto crônico desse cenário se revela no último relatório de inspeção do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) no Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, Zona Oeste da capital: os mesmos plantonistas têm se desdobrado entre pacientes graves internados e outros que dão entrada pela emergência – a mesma funcionando de maneira improvisada e sem obras há dois anos, além do fechamento de leitos na UTI Pediátrica e a iminência de cancelamento do serviço de outros setores por falta de profissionais.

O mesmo tem ocorrido em várias outras unidades, como o Hospital Federal do Andaraí, na Tijuca, onde os problemas no setor de referência em tratamento de queimados foram recentemente divulgados. Na beira da Avenida Brasil, ponto estratégico no atendimento à população, o Hospital Geral de Bonsucesso, por exemplo, está, desde janeiro, com sua emergência improvisada em um contêiner. O desconforto e a falta de salubridade atingem pacientes, profissionais e são motivo de indignação frente à inoperância e ao descaso.

É a ponta de um iceberg. Segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, toda a rede federal de saúde de nosso estado vive um déficit de 1.800 profissionais de saúde. Do total necessário, 600 são médicos, e o problema tende a se agravar uma vez que 800 estão próximos de se aposentar.

Falta gente para garantir que todas as unidades de grande porte funcionem com eficácia no atendimento ao cidadão. Com a dificuldade de se contratar, leitos, vagas e atendimentos vão cessando, gerando uma grande massa de cidadãos sem acesso a hospitais tão necessários ao povo. Quem acorda de madrugada todo dia e peregrina pela cidade na busca por atendimento sabe do que estou falando. É a via-crucis diária de mães e pais, idosos e crianças, trabalhadores que testam a própria sorte na fila ambulatorial ou das cirurgias dessas unidades de sade, muitas vezes muito distantes de suas casas. Cruzam o estado com a esperança de serem atendidos e tratados pelo poder público.

Paralelamente, há uma enorme demanda ao Ministério do Planejamento e Gestão e à Advocacia Geral da União para atender a maior rede do Ministério da Saúde no Brasil: o Rio. Vale lembrar que nossos hospitais federais recebem fluminenses de todos os cantos, assim como moradores de estados vizinhos. A demora do ministério do Planejamento e Gestão em autorizar a contratação de profissionais é, hoje, o nosso principal gargalo. Desde o início do ano já vínhamos intermediando com o governo a solução desses impasses, exigindo prazos e melhorias. Contudo, há meses estão em cima das mesas destes órgãos pareceres aguardando análise, sem que se tome uma iniciativa.

Estamos construindo saídas políticas e jurídicas no sentido de recuperar a qualidade de nossos serviços públicos. Não é possível assistir de braços cruzados à falência gradual da rede federal de saúde no Rio de Janeiro. A urgência se faz presente pela demanda que se avoluma a cada minuto, como as diversas famílias sem atendimento no Rio. Não é possível permitir que uma população preocupada e carente de atenção dos governos envolvidos espere mais por uma resposta. Estamos nessa luta porque só há um lado: o da vida.

*Jandira Feghali, médica, é deputada federal pelo PCdoB(RJ) e presidenta da Comissão de Cultura da Câmara.

Artigo originalmente publicado no JB.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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