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Os industriais, a burocracia e o choramingo

Por Miguel do Rosário

24 de janeiro de 2014 : 17h50

Por incrível que pareça, farei um elogio ao Globo. A capa de hoje e a reportagem sobre a burocracia na exportação de bens industriais são o tipo de jornalismo que presta um ótimo serviço à sociedade. É muito mais útil do que ficar brincando de se vingar de Dirceu.

Vou lhes confessar uma inveja secreta que tenho dos grandes jornais: de seus infográficos. Um dia, quando o Cafezinho for mais capitalizado, ou quando a tecnologia democratizar sua produção, quero publicar infográficos tão legais e coloridos como fazem nossos jornalões.

Reproduzo abaixo o infográfico do caderno de Economia do Globo de hoje:

ScreenHunter_3251 Jan. 24 17.42

ScreenHunter_3252 Jan. 24 17.42

Entretanto, valem algumas ressalvas.

Se o principal problema dos industriais é ter de “escrever 18 vezes a razão social”, então acho que estamos no caminho certo. Pior é se houvesse impedimentos mais complexos, sobretudo impostos extorsivos. Observe que os problemas mais graves, como tributos, acesso a financiamentos e obtenção de anuência pelos órgãos competentes estão em último lugar.

Em primeiro lugar no ranking das reclamações, está a taxa de câmbio, que agora melhorou para os industriais, mas que não tem nada a ver com a burocracia ou com a competência de nossas aduanas.  Exportadores sempre querem câmbio desvalorizado, ainda mais se é um produto industrial que concorre com a China.

Lembremos, porém, que quem acorrentou o real ao dólar, impondo a paridade 1 a 1 e forçando uma valorização artificial de nossa moeda, foi o governo FHC. Com isso, ele quebrou milhares de indústrias e fez o Brasil perder importantes fatias do market share das compras mundiais de produtos industriais – e isso bem no momento em que a China chegava com força total.

As autoridades tem obrigação, de qualquer forma, de trabalhar para simplificar as operações de exportação, porque isso prejudica sobretudo as firmas menores, grandes geradoras de emprego, que tem menos estrutura para atravessar as rudes selvas da burocracia.

Os industriais, por sua vez, tem obrigação de pararem de choramingar e investirem pesado na modernização de seus parques nacionais, com vistas a ganharem competitividade e ampliarem seus negócios mundo a fora.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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3 comentários

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Barbalho

25 de janeiro de 2014 às 11h24

Quase off-topic, entendo que existem tecnologias relativamente baratas em relação ao custo total que podem contribuir para que o seu portal tenha bons infográficos. Você conhece o pessoal da Transparência Hacker? Creio que eles possam se interessar em fornecer algum apoio.
segue o link:

https://groups.google.com/forum/#!forum/thackday

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Edmar

24 de janeiro de 2014 às 20h20

Usando o “CtrC” “CtrV”, meu neto de 8 anos descreveria produtos, origem e destino dos produtos desses exportadores até 100 vezes por hora. Só quem não entende nada de informática pode levar a sério essas alegações “grobais”.

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    Jorge

    25 de janeiro de 2014 às 08h17

    Só mesmo um obtuso para achar que a repetição das informações se dá por processos mecânicos. Com a capacidade cognitiva do seu neto ele poderia montar uma empresa de despacho aduaneiro e quem sabe se absteria de vagar pela internet fazendo comentários deste tipo.

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