Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Tuminha faz papel de bobo na Roda “Morta”

Por Miguel do Rosário

04 de fevereiro de 2014 : 18h25

Tuma Jr só não assassina reputação porque não tem credibilidade

Por Paulo Nogueira, no Diario do Centro do Mundo.

Romeu Tuma Jr, como era previsível, foi ao Roda Viva, hoje o programa mais reacionário da televisão brasileira.

Se você quer aparecer no Roda Viva fale mal do PT. Suas chances imediatamente aparecerão.

Tuma Jr estava claramente desconfortável. Arfava, suava, vagava, se perdia em frases longas frequentemente sem nexo.

O peso excessivo do entrevistado e o calor deste verão contribuíram para dar um ar opressivo à entrevista.

Tuma Jr carrega um peso morto, seu “livro bomba”, aspas. Como era esperado por todo mundo, excetuada a direita mais petrificada, o livro não deu em nada.

Ontem, o que se viu foi o triunfo da esperança: a tentativa de salvar a obra de seu destino inevitável, o lixo.

O coveiro do livro foi, curiosamente, FHC. Coube a ele liquidar a maior “denúncia” de Tuma Jr: a de que Lula foi “informante” da polícia na ditadura.

Num programa de tevê, FHC descartou essa acusação enfaticamente – e com um certo desprezo pela natureza dela e de seu formulador.

É uma acusação, de fato, desprezível. Tuma Jr invoca seu pai morto para dizer que Lula era informante. Repito: a testemunha de Tuma Jr é um cadáver.

O livro só não foi inteiramente ignorado por causa do brutal esforço da Veja, a olavete da mídia brasileira, em fazer dele uma coisa séria.

Mas a Veja, se pôde muito na era Collor, hoje pode pouco, muito pouco. Mesmo dando um espaço descomunal para Tuma Jr, nada aconteceu.

A bomba não explodiu.

Explodiria, sim, no colo do autor, se a justiça brasileira funcionasse. Mas não funciona. Você processa alguém por calúnia e a ação vai terminar em mãos amigas.

O próprio Nunes, processado por Collor há algum tempo, foi inocentado depois de chamá-lo de “chefe de bando”.

Collor ponderou que o STF o tinha absolvido de todas acusações, razão pela qual ele está em liberdade e retomou sua carreira política. Mas a juíza que avaliou o caso achou que “chefe de bando” não era ofensa. Assim funciona a justiça brasileira.

Falei algumas vezes que a sorte de diretores da Petrobras caluniados por Paulo Francis foi poder processá-lo na justiça americana, uma vez que as acusações tinham sido feitas em Nova York, no programa Manhattan Connection.

FHC, então presidente, tentou convencer os executivas a desistir da ação, mas sem sucesso. Serra, ministro, também interveio, mas como FHC fracassou.

Como a justiça americana é diferente da brasileira, Paulo Francis se viu na iminência de pagar uma indenização brutal. Atormentado, morreu do coração.

Tuma Jr, no programa, se gabou de que ninguém citado em seu livro o processou. Claro. Estamos no Brasil. Você processa, se desgasta, é acusado de censor e, como no caso Collor X Nunes, não acontece nada.

Você ainda é perseguido, depois. Francis teria com certeza aumentado o volume de suas infâmias se o processo fosse no Brasil, absolutamente confiante na impunidade.

Tuma Jr, como Francis, não tem provas. Isso lhe foi cobrado ontem por alguns entrevistadores. Ele, pitorescamente, disse que tinha escrito um livro, e não montado um inquérito, o que o deixaria sem a obrigação de provar acusações.

Imagino-o dando esta explicação num tribunal americano, e faço uma pausa para rir.

Foi igualmente pitoresca a observação de Augusto Nunes a respeito das provas. Ele disse ter visto, e as definiu como “muito contundentes”.

Bem, quem acredita em Nunes acredita em tudo.

A coisa mais próxima de evidência dada por Tuma Jr foi uma foto na qual Lula, preso, aparece fumando num carro da polícia, há coisa de 30 anos.

A foto, de extraordinária banalidade, seria a prova de “privilégios” dados a Lula em troca de informações.

Tuma Jr fala no livro em “assassinato de reputações”. Mas o que ele fez foi exatamente uma tentativa de assassinar reputação. Só não foi bem sucedido porque, fora não ter credibilidade em dose mínima, cadáveres não são muito aceitos como testemunhas, principalmente quando invocados para apoiar uma acusação que, vivos, jamais fizeram.

Ainda no campo da comédia, foi engraçado ver a expectativa – simplesmente lunática – de irmãos de causa de Tuma Jr e Augusto Nunes.

No Twitter, Lobão e Claudio Tognolli (que escreveu o livro de Tuma Jr) publicaram vaticínios apocalípticos.

O Brasil jamais seria o mesmo depois do programa, segundo eles.

Eles estavam apostando na idiotice da sociedade. Mas já faz tempo que a pessoa que faz este tipo de aposta acaba perdendo – e fica, ela sim, no papel de idiota.

Lula e seus amigos, muito preocupados com as calúnias de Tuminha

Lula e seus amigos, muito preocupados com as calúnias de Tuminha

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

13 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Gil Celidonio Celidonio

06 de fevereiro de 2014 às 10h37

eu assisti o programa, e não acho que ele tenha feito papal de bobo, essa é só mais uma tentativa de desqualificar alguém tentando rotular a pessoa, tipo “porco capitalista” “reacionário”, “coxinha”, e outros rótulos do tipo. Quando faltam argumentos, apelam sempre pra essa tática. assista o programa, e depois me diga onde foi que ele fez papel de bobo…

Responder

julio cesar montenegro

05 de fevereiro de 2014 às 17h15

o pessoal que há 500 anos começou a matar indios nativos, substituindo seus serviços forçados pelos escravos importados, está em polvorosa com a perda de assalariados BARATOS.
os + falsos repassam falsidades
os + descarados torcem por desgraças para “tirar o pt de qualquer jeito”
são ignorantes da história fora dos contos dos vigários DELES
janio seria um lula “TITÂNICO, RESPONSÁVEL PELA INDUSTRIALIZAÇÃO DE SP”
gente criada por babá
nem o próprio corpo sabe usar
“me dá um copo d’água…”

Responder

Rodrigo

05 de fevereiro de 2014 às 11h28

Ah, vão exumar os corpos de Celso Daniel e Toninho do PT, ok?

Responder

Neto Peneluc

05 de fevereiro de 2014 às 03h57

O Roda Viva virou um programa lastimável desde a última grande mudança, isso sim. Quase um “de frente com Gabi”.

Responder

Márcio Alves

05 de fevereiro de 2014 às 00h26

Gosto da página e por isso respeito o trabalho do blogueiro. Mas esse comentário foi lastimável. Eu assisti ao programa e discordo.

Responder

Celia Ochi

05 de fevereiro de 2014 às 00h06

Japones??!

Responder

neide

04 de fevereiro de 2014 às 21h07

Pior foi aquela mentira, de que o Opportunity fez doações ao PT.

Responder

Ernesto Franze

04 de fevereiro de 2014 às 22h56

Oi

Responder

Silvia Pimentel Oliveira Ribeiro

04 de fevereiro de 2014 às 22h52

Ernesto Franze ,só por curiosidade…..

Responder

Ermindo Castro

04 de fevereiro de 2014 às 21h00

foi mandado embora e não explicou a ligação dele com o Jopones por que ????

Responder

Ermindo Castro

04 de fevereiro de 2014 às 20h59

se o propio irmão dele disse que é mentira por que acreditar???

Responder

Balint San

04 de fevereiro de 2014 às 20h39

Desculpe, mas parei de ouvir quando ele disse que o “ESTADO DE SP” e LULA armaram contra ele…

Responder

Balint San

04 de fevereiro de 2014 às 20h39

“Sr Tuma o senhor tem provas???” … “olha , veja bem, isso é um livro, não um inquérito e bla bla bla” …”Sr Tuma o senhor tem provas???” .. “Sr Tuma o senhor tem provas???” … “olha… olha.. ” rsss

Responder

Deixe um comentário para Gil Celidonio Celidonio