Ato em defesa da imprensa

Black blocs e a rabanada democrática

Por Miguel do Rosário

14 de fevereiro de 2014 : 00h17

Reproduzo abaixo mais um violentíssimo (no melhor sentido da palavra) petardo de Wanderley Guilherme dos Santos, no qual ataca os inimigos da democracia. Aproveito para dar alguns pitacos à guisa de introdução e advertência.

É preciso calma. A descoberta de que houve pagamentos a alguns militantes que participaram de manifestações ou eventos correlacionados não significa nada. Não podemos criminalizar uma festinha de Cinelândia. A tabela de pagamentos, com gastos de rabanada, pão, gelo, panfletos, não tem nada de culpável. Não há rojões, granadas, balas, metralhadoras.

Movimentos sociais, partidos, sindicatos, sempre dão ajuda a seus militantes. Isso não é terrorismo. É a vida como ela é. Não há nada de errado nisso. Ao contrário. Acho que essas organizações sociais são até muquiranas demais. Deviam ser mais ainda mais participativas. Pagar passagem de ônibus para os jovens virem das periferias às reuniões no centro da cidade. Dar lanche. Até mesmo uns trocados para a cerveja, de vez em quando.

Não vamos procurar pêlo em ovo. Nem inventar o terrorismo da rabanada. Não vamos criminalizar uma prática normal. Sou totalmente contra a tática black bloc, mas não vamos exagerar. São garotos, ponto. Não tem sentido tratá-los como terroristas.  Apliquem-lhes algumas penas alternativas e está muito bem. Repito: temos que esvaziar nossas prisões, não abarrotá-las ainda mais. Se reiterarem, aí sim, prisão. Leve. Os que não forem tão garotos, aplique-se uma pena diferente. O que não pode é a impunidade total, até porque houve suspeita de participação de milicianos e/ou bandidos em alguns saques e quebra-quebra.

Quanto aos garotos que participaram da morte trágica do repórter, é exagero chamá-los de assassinos. Foi um acidente. Vamos ter bom senso.

O problema aqui é de outra ordem, conforme mostra Wanderley Guilherme em seu artigo. O problema são os “white blocs”, intelectuais que pregam a violência. Isso sim é perigoso. Pregar a violência, tratar a violência como tática política urbana é uma agressão imperdoável à democracia. Isso deve ser combatido duramente. Não com polícia, mas com argumentos, como faz Wanderley.

Uma coisa é uma violência sem controle, causada por gente desesperada, sob forte impacto emocional motivada pela morte de algum jovem querido numa comunidade. Entende-se, mas sabe-se que, mesmo assim, não é o certo a fazer. Uma mente responsável, com acesso a comunidade, deve convencê-la a lutar de forma democrática, registrar denúncia, usar os canais apropriados para obter justiça, organizar-se politicamente, eleger representantes políticos melhores. 

Outra coisa é um professor, friamente, pregar a violência como estratégia política. Particularmente, violência contra patrimônio público. 

Imagino que Wanderley ficou especialmente indignado com a invasão das câmaras e assembléias legislativas, como eu também fiquei. Eu votei em certos candidatos, ainda gosto de vários deles, e quero vê-los trabalhando; não quero que um coxinha revoltado, semi-politizado, semi-retardado, interrompa os trabalhos legislativos para tirar onda de revolucionário. E dá-lhe rabanada e refrigerante!

Esse tipo de ação não muda em nada o status quo, e mesmo que mude, não cria um hábito saudável para a democracia. É preciso estimular a politização, a inteligência, a estratégia, a organização, afinal estamos numa civilização, então precisamos ser civilizados. Francamente, nunca vão me convencer que a melhor forma de melhorar o país é instaurando a barbárie e a selvageria anárquica.

Até porque essa tática pode abrir as portas do inferno. E sempre haverá aqueles que lucram com o caos, e com o sofrimento alheio.

Numa democracia não se ganha no grito. Não se ganha na força bruta. A grande utopia da democracia é a paz. É um regime que depende de um pacto tácito entre seus membros: as contradições, inevitáveis, entre as diferentes forças sociais, devem ser resolvidas pacificamente.

Revolução? Uma revolução também não precisa, necessariamente, ser violenta. A revolução russa de outubro de 1917 aconteceu sem uma morte, sem uma violência. Mais tarde é que, para se consolidar, ela teve que lutar contra as invasões patrocinadas pelos regimes ocidentais. Mas o dia da tomada de poder foi pacífico. Os sovietes convenciam seus pares através da argumentação política.

De qualquer forma, não estamos na Rússia, não há um Czar a ser derrubado. Até se pode entender a juventude, rebelde por natureza. Sejamos compreensivos, mas não condescendentes. É preciso reagir politicamente, não policialescamente. A repressão do Estado tem de ser sempre cuidadosa, mas eficiente  e rápida quando necessária. A democracia, já disse alhures o professor Wanderley, não pode ser suicida, não pode, em nome de uma distorcida visão de liberdade, permitir que jovens mimados destruam o sistema. Até porque, se o permitirmos, os jovens o farão simplesmente por diversão, dado a lamentável falta de discernimento (e a falta do que fazer) da maioria.

Também é estúpido criarmos uma visão livresca da figura do “governo”, como se fosse uma entidade com a qual a sociedade não tivesse ligação ou responsabilidade. Eu vejo colunistas e ativistas falando de “governo” como quem fala de um Estado estrangeiro opressor. Não tem sentido. Nossos governos são democráticos e, como tais, merecem ser respeitados, até para que eles nos respeitem. Podemos fazer oposição, uma oposição radical, dura, ofensiva até, mas sempre com respeito, porque os governantes, assim como os parlamentares, não estão ali por obra divina. O povo os elegeu. Se não respeitarmos governos e políticos, então porque respeitar o Judiciário, por exemplo? Por que respeitar o Ministério Público? Ambas as entidades também oferecem inúmeras vidraças a serem quebradas, e às vezes são mais conservadores e até mesmo mais corruptos que os demais poderes. E não são eleitos. Seria absurdo, porém, conceber um Ocupa Judiciário. Se os jovens querem criar uma comunidade, que o façam. Acampem onde quiserem, mas se quiserem entrar num legislativo, façam-no com o respeito que os valores democráticos determinam. Repito: respeitem para serem respeitados. Um articulista do Globo (da Academia Brasileira de Letras!) disse que o rojão era direcionado à PM, e que, portanto, a intenção era “boa”. Ora, isso é estupidez. Não podemos descontar nossa indignação política nas costas dos trabalhadores sofridos do governo do estado.

Viva a democracia, viva a energia das ruas, mas não nos interessa um gigante mimado e descontrolado, disposto a dançar qualquer música, desde que o paguem bem. Precisamos de movimentos sociais orgânicos, inteligentes, estratégicos, e, sobretudo, democráticos. Com rabanada ou sem rabanada.

Vamos ao artigo de Wanderley.

 

*

A nova era da violência

Autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por vir são os whiteblocs. Devem ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia

Por Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Maior.

Professores universitários do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras universidades falam do governo dos trabalhadores como se fosse o governo do ditador Médici, embora durante aquele período não abrissem o bico. Vetustos blogueiros, artistas sagrados como marqueteiros crônicos, jovens colunistas em busca da fama que o talento não assegura, políticos periféricos ao circuito essencial da democracia, teóricos sem obra conhecida e de gogó mafioso, estes são os mentores da violência pela violência, anárquica, mas não acéfala. Quem abençoa um suposto legítimo ódio visceral contra as instituições, expresso em lamentável, mas compreensível linguagem da violência, segundo estimam, busca seduzir literariamente os desavisados: a violência é a negação radical da linguagem. Mentores whiteblocks, igualmente infames.

A era da violência produziu a proliferação dos algozes e a democratização das vítimas. Antes, a era das máquinas trouxe a direta confrontação entre o capital e o trabalho, as manifestações de protesto dirigiam-se claramente aos capitalistas em demanda por segurança no serviço, salário, férias, descanso remunerado, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças. Reclamos precisos e realizáveis. Politicamente exigiam o fim do voto censitário, o direito de voto das mulheres, o direito de organização, expressão e manifestação. Exigiam, em suma, inclusão econômica, social e política.

Os mentores dos algozes possuíam nome e residência conhecida. Os executores eram igualmente identificáveis: as forças da repressão, fonte da violência acobertada pela legislação que tornava ilegais as associações sindicais, as passeatas, os boicotes e as greves. As vítimas estavam à vista de todos: operários, operárias, desempregados, além de cidadãos, escritores e jornalistas solidários com a causa dos miseráveis.

Não há por que falsificar a história e negar que, ao longo do tempo, sindicatos mais fortes e oligarquizados também exerceram repressão sobre organizações rivais, bem como convocatórias grevistas impostas pela coação de operários sobre seus iguais. A era das máquinas não distribuía a violência igualitariamente, mas algozes e vítimas possuíam identidade social clara.

A atual era da violência, patrocinada por ideólogos, jornalistas, blogueiros, ativistas (nova profissão a necessitar de emprego permanente), professores, artistas, em acréscimo aos descontentes hepáticos, testemunha a agregação de múltiplos grupelhos, partidos sem futuro e fascistas genéticos aos tradicionais estimuladores da violência, os proprietários do capital. São algozes anônimos, encapuzados, escondidos nos codinomes das redes sociais, na covardia das palavras de ordem transmitidas a meia boca, no farisaísmo das negaças melífluas.

Os whiteblocs disfarçam o salário e a segurança pessoal nas pregações ao amparo do direito de expressão e de organização. Intimidam com a difamação de que os críticos desejam a criminalização dos movimentos sociais. Para que não haja dúvida: sou a favor da criminalização e da repressão às manifestações criminosas, a saber, as que agridam pessoas, depredem propriedade, especialmente públicas, e convoquem a violência para a desmoralização das instituições democráticas representativas.

As vítimas foram, por assim dizer, democratizadas. Lojas são saqueadas, vidros de bancos estilhaçados, passantes, operários, classes médias, e mesmo empregados e subempregados que a má sorte disponha no caminho da turba são ameaçados e agredidos. A benevolência do respeito à voz das ruas é conivência. Essas ruas não falam, explodem rojões. Não há diálogo possível de qualquer secretaria para os movimentos sociais com tais agrupamentos porque estes não o desejam. E, quando um quer, dois brigam.

A era da violência é obscura. Não me convencem as teorias do trabalho precário porque não cobrem todo o fenômeno, também é pobre a hipótese de uma classe ascendente economicamente com aspirações em espiral (já sustentei esta hipótese), e, sobretudo, não dou um centavo pela teoria de que almejam inclusão social. Eles dizem e repetem à exaustão que não reclamam por inclusão alguma, denunciada por seus professores como rendição à cooptação corrupta.

Os autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por acontecer são os whiteblocs. Têm que ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia. Não podem levar no grito.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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20 comentários

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Guilherme Preger

15 de fevereiro de 2014 às 23h13

E mais: é ainda mais desastroso criminalizar as opiniões

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Guilherme Preger

15 de fevereiro de 2014 às 23h12

Pois é, mas tem aquela velha frase: “os inimigos de meus inimigos são meus amigos”. Acho perigoso ter como inimigos os inimigos da Rede Bobo. E é importante responder a questão básica: a quem interessa a criminalização dos movimentos populares?

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O Cafezinho

15 de fevereiro de 2014 às 11h54

Guilherme Preger O Globo também escreveu Viva a Democracia. Não quer dizer que eu deva escrever Abaixo à Democracia.

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Guilherme Preger

15 de fevereiro de 2014 às 00h19

“inimigos da democracia” não era o título do editorial de O Globo?

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Ninguém

14 de fevereiro de 2014 às 14h09

Oi, Miguel, concordo com quase tudo o que você diz. Só não concordo em falar em acidente. Não interessa se o sujeito ia apontar o rojão para um policial ou não. A partir do momento em que apontou para uma pessoa, já assumiu o dolo. Não interessa se é A, B ou C. É a mesma coisa que dirigir embriagado e matar alguém. A partir do momento que o camarada bebe e sai dirigindo, ele está assumindo um dolo potencial, pois assumiu o risco de causar um acidente. No caso de um rojão que é apontado deliberadamente em direção a uma pessoa, chega a ser pior.

Agora, há que se esclarecer exatamente como ocorreram os fatos.

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Luciano

14 de fevereiro de 2014 às 12h29

Miguel! Depois de anos constatei nas redes sociais que a Globo tem uma grande rejeição tanto da esquerda quanto da direita e até mesmo de seus telespectadores! Podemos explorar esta fraqueza! https://www.youtube.com/watch?v=vTHBIBcPmFA

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Luciano

14 de fevereiro de 2014 às 12h12

Caro Miguel. Assim como milhares de leitores seus, estou indignado com a covardia e truculência da Rede Globo ao lhe processar, com o claro objetivo de censurar os membros da Blogosfera que atualmente vivem uma verdadeira guerra contra a mídia corporativa. Sou editor de vídeos e há um bom tempo faço um trabalho independente contra essa corporação. Proponho uma pareceria. Vou editar vídeos e enviar para você postar em seu Blog. O meio audiovisual é muito impactante e popular, hoje temos as mesmas armas que a mídia. Segue abaixo o link do meu último vídeo. Tudo que for arrecadado em publicidade irei depositar na conta do Cafezinho. Lembre-se, você não está sozinho nessa luta! http://www.youtube.com/watch?v=vTHBIBcPmFA&feature=youtu.be

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Luciano

14 de fevereiro de 2014 às 12h10

Caro Miguel. Assim como milhares de leitores seus, estou indignado com a covardia e truculência da Rede Globo ao lhe processar, com o claro objetivo de censurar os membros da Blogosfera que atualmente vivem uma verdadeira guerra contra a mídia corporativa. Sou editor de vídeos e há um bom tempo faço um trabalho independente contra essa corporação. Proponho uma pareceria. Vou editar vídeos e enviar para você postar em seu Blog. O meio audiovisual é muito impactante e popular, e hoje temos as mesmas armas que a mídia. Segue abaixo o link do meu último vídeo. Tudo que for arrecadado em publicidade irei depositar na conta do Cafezinho. Lembre-se, você não está sozinho nessa luta! http://www.youtube.com/watch?v=vTHBIBcPmFA&feature=youtu.be

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Celso Orrico

14 de fevereiro de 2014 às 12h09

mentores intelectuais , sigam eles..estou aguardando ansiosamente pronunciamentos de : Marina Silva,FFHHCC,Caetano Veloso fantasiado de black bloc, Profª Ivana Bentes, Capilé e congêneres, al´me de toda a mídia e seus “articulistas”..desde junho do ano passado que a Cynara Menezes no seu blog denunciava essa tentativa e desestabilizar o Brasil, eu sempre concordei com ela..
Miguel, esse jovens são peixes pequenos nessa REDE,,

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Augusto Erthal

14 de fevereiro de 2014 às 13h49

gente, sem teorias da conspiração. a “festa” (na verdade uma ceia para pessoas em situação de rua) foi dia 23 de dezembro. rabanada É rabanada.

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marcio

14 de fevereiro de 2014 às 11h27

Não entendi essa Miguel, afinal houve um assassinato!

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AGOSTINHO

14 de fevereiro de 2014 às 11h16

sÃO BANDIDOS SIM. qUEM USA MÁSCARA PARA NÃO SER IDENTIFICADO, QUEIMA ÔNIBUS, DESTROI PATRIMÔNIO PÚBLICO, SAQUEIA LOJAS, É BANDIDO SIM. nÃO IMPORTA A IDADE. o CARA QUE MATOU O JORNALISTA É ASSASSINO. vEJA A FICHA DELE. nÃO É PRA ALIVIAR NÃO. o OBJETIVO É POLÍTICO. NÃO VAI TER COPA É POLÍTICO. TUDO TEM UM OBJETIVO SÓ, DESESTRUTURAR O GOVERNO DOS TRABALHADORES E DERRUBAR A DILMA E O PT. TEMOS QUE CONSTRUIR MAIS CADEIAS SE FOR O CASO.

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Horridus Bendegó

14 de fevereiro de 2014 às 10h15

A Sininho é o retrato da porralouquice dos jovens de hoje…
Sua expressão dentro do ônibus da polícia sendo levada presa é de uma inocência de quem brinca com o perigo e não sabe…
Até simpatizei com ela, por sua iniciativa e coragem de atuar nas ruas…
mas e sua ideologia?
Revolução?
A qual revolução ela se refere?
Está sendo usada por partidos de extrema direita e extrema esquerda…
A moça precisa receber uma educação política.

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Lucia Andre

14 de fevereiro de 2014 às 11h34

Querido O Cafezinho, será que rabanada quer mesmo dizer rabanada, aquela rabanada de Natal? Pode ser um codinome, não pode?

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Hildermes José Medeiros

14 de fevereiro de 2014 às 09h22

Pera aí, tá querendo aliviar, porquê? A oposição está sem candidato capaz de empolgar o eleitorado. A esperança era Eduardo Campos que até aqui, faltam sete meses com uma Copa do Mundo de Futebol pelo meio, que no mínimo roubará um mês, mesmo que o Brasil não seja campeão (todos batendo na madeira). A prova é que já vai para três meses que não saem as famosas pesquisas de intenção de votos patrocinadas pela Globo, Folha de São Paulo, Estadão e CNI, todos na oposição, com o que costumeiramente nas eleições passadas, no enfrentamento a Lula e Dilma tentaram induzir os votos da população. Claro que fazem pesquisas qualitativas, e estas certamente não estão mostrando números que recomendem adotar as pesquisas de intenção de votos, porque Dilma à frente seria a beneficiada. Por isso o recurso a essas ações na tentativa de desestabilizar o Governo. A mídia, diuturnamente vinte e quatro horas por dia tenta induzir a todos que tudo está muito mal, que o Governo está em apuros econômicos, com dificuldades de equilibrar a economia e desenvolver o país. Sem entrar nessa arenga mentirosa, três dados para contradizer: o PIB cresce, embora não cresça com força, mas no mínimo tem crescido mais do que o crescimento da população; o desemprego no Brasil é dos menores do mundo (4,6% em 2013); a inflação está contida, dentro da meta. A oposição diante dessas circunstâncias, com apoio da mídia na divulgação e análises, com participação de intelectuais (à esquerda e à direita, mas que não morrem de amores pelo Governo e muito menos pelo PT) partiram desde junho de 2013 para desestabilizar governos, federal, estaduais e municipais, nos grandes centros de maior peso eleitoral, capazes de influir na opinião do país como um todo, São Paulo (atentar que tudo se inicia por aqui, onde se encontra a maior oposicionista, o PSDB) e Rio de Janeiro. Ações que nada tem a ver com a disputa democrática pelo poder, na realidade atos conspiratórios para tomada do poder por outros meios, o golpe, por exemplo, inclusive o golpe banco como aconteceu em Honduras e no Paraguai e estão há anos tentando na Venezuela. Para ridicularizar quem alerta e não está dormindo de touca, falam na teoria da conspiração. Nos demais Estados a coisa vai mais devagar. Agora, tudo começa a ficar claro. Há indícios de grupos e partidos incentivando e financiando essas manifestações que se iniciaram em junho de 2013, nitidamente com a participação de profissionais do ramo nas ações militares empreendidas, depredando bens públicos, saqueando lojas, quebrando vitrines, incendiando ônibus, pichando paredes. Claro que ninguém participa de atos dessa natureza por idealismo, quando não passamos por uma guerra civil ou revolução, mas por dinheiro. Há pagamentos, claro, aos manifestantes e os custos (armamentos, máscaras, molotovs , cabeça de negro, busca-pés, sinalizadores, confecção de faixas, adereços, máscaras, transporte e refeições) são assumidos por quem convoca a manifestação, que sem dúvida não são quem esteja desarmado e pacificamente disposto a participar, os buchas de canhão no caso, que a mídia queria induzir que eram convocados por ação espontânea. São atos de terrorismos, e o Governo e as instituições que se cuidem. Agora, aqui para nós, será que essa gente acha que podem chegar ao poder no Brasil com essa prática? Nos últimos anos, do lado de cá, só os golpes brancos com participação do Congresso e do Judiciário, em Honduras e no Paraguai. Há anos tentam o golpe na Venezuela, e não tem dado. A economia internacional, digo as famosas forças do mercado, talvez tenha dificuldades de absorver os problemas que decorrerão, inclusive com forte possibilidade de guerra civil por aí. E olha que a economia venezuelana é somente cinco vezes maior do que a de Honduras e Paraguai juntas. Mesmo que o nosso Supremo Tribunal Federal esteja sendo dirigido por um oposicionista e outro Ministros estejam nessa posição, todos falando fora dos autos, ou seja perfeitamente preparado para respaldar um golpe branco com participação do oposição no Congresso, por aqui não será uma empreitada fácil. Ainda mais tendo o Brasil, cuja economia é vinte e cinco vezes a desses dois pequenos países, e sendo dos mais importantes países capitalistas, que muito cresceu nos últimos anos, e até participa da governança da economia mundial no G-20. É evidente que não dá para um cavalo-de-pau na economia, muito menos chegar ao poder através de golpe. Nas circunstâncias, embora enrustidos que de certa form a apoiam essas ações de oposição, que sabemos não tem a participação de coitadinhos, inocentes, querem aliviar, desaconselhando que o Governo tome as medidas adequadas para o enfrentamento dentro da Lei. Para oposição infelizmente (ou felizmente) sobra continuar no sereno, esperando sua vez, pelo que é válido lutar, mas dentro do Estado Democrático de Direito.

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Ermindo Castro

14 de fevereiro de 2014 às 10h52

no Rio de Janeiro tem badernas todos os dias quem comanda e financia???????

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Glória Walkyria De Fátima Rocha Arrigoni

14 de fevereiro de 2014 às 10h21

Só falta agora darmos dar os nomes aos whiteblocs. Eles não podem ficar no anonimato enquanto os jovens da periferia vão presos e esculachados.

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    Rodolfo

    14 de fevereiro de 2014 às 12h26

    Não existem somente jovens de periferia envolvidos no movimento Black Bloc não.
    Muitos de classe média e alta também estão relacionados direta ou indiretamente.

    Responder

Jose Francisco Oliveira

14 de fevereiro de 2014 às 09h38

Textos excelentes.

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Lili

14 de fevereiro de 2014 às 02h12

Blocos Brancos pregam quebra-quebra e até agressão sentadinhos no sofá, talvez em sala climatizada e com uma única arma, computador ou caneta. Quando a lambança acontece – fogos e molotov podem machucar qq pessoa – não são eles que sofrem punições, não aparecem para ajudar os jovens, não pagam bons advogados para os rapazes e não ficam com registro criminal (se a vida já é difícil para quem anda na linha, que dirá com ficha suja). Essa turma é tão cretina quanto pastor que tira os bens dos fiéis através de falsas ilusões.

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