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Os riscos para a eleição de Dilma Rousseff

Por Miguel do Rosário

18 de fevereiro de 2014 : 14h48

A pesquisa CNT/MDA, divulgada hoje, traz dados importantes para se entender a conjuntura política, e alguns são alarmantes para o governo. O Tijolaço já deu a deixa: por trás do cenário eleitoral confortável, com intenções de voto suficientes para garantir uma vitória eleitoral folgada no primeiro turno, há uma série de perigos e armadilhas interpostos até o momento da eleição.

Antes de falar das armadilhas, porém, olhemos os gráficos eleitorais e de aprovação. Eu faço alguns comentários sob cada um deles.  Eu fiz um gráfico para mostrar os votos úteis.

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O gráfico acima sinaliza o maior perigo para a eleição de Dilma Rousseff: a paralisia resultante de uma interpretação equivocada das pesquisas. À primeira vista, vê-se uma candidata solidamente instalada na liderança, com vitória garantida no primeiro turno. Só que outros números da pesquisa mostram que não é bem assim.

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Perguntado sobre sua preferência em relação ao próximo presidente, a resposta ganhadora, com 37%, foi a “mude totalmente a forma de governar”. Apenas 12% optaram pela resposta mais conservadora, “continue totalmente a forma atual de governar”. Cotejando as duas tabelas, infere-se que os eleitores querem mudança, mas preferem que esta seja conduzida pela atual presidente. Entretanto, em algum momento, a presidente terá que dar sinais de que pretende efetivamente mudar alguns rumos de seu governo. Humildemente, sugerimos aqui alguns pontos que podem satisfazer esses anseios mudancistas: reforma agrária e comunicação.

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Interessante observar que Marina Silva ainda tem um ótimo recall eleitoral. Quando figura nas pesquisas, aparece à frente de Aécio Neves.

 

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A popularidade de Dilma sofreu um leve recuo em fevereiro, caindo de 39% para 36%.  Não é um patamar confortável.

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A opinião negativa sobre os “rolezinhos” reflete a interpretação de que estes poderiam vir a se tornar uma nova forma de protesto político, mas sob um formato desaprovado pela população.

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As duas tabelas acima mostram o principal perigo para o governo este ano. É o famoso “risco Copa”. Há uma insatisfação generalizada, e fortemente majoritária, entre a população, com os gastos da Copa. O governo terá que realizar um esforço bem maior do que tem feito até agora para explicar a origem e o destino dos recursos usados para construir estádios e tocar as obras relativas ao evento.

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As duas tabelas acima trazem uma aparente contradição. Na primeira, 85% dizem acreditar que haverá manifestações durante a Copa do Mundo. Na segundo, 83% afirmam que não pretendem participar. Observe que apenas 1,9% responderam “não sei” à pergunta se pretendem ou não participar, de maneira que observamos uma sociedade bastante polarizada nessa questão.

Por que essa contradição? Talvez porque se entenda que manifestações serão inevitáveis, em função da opinião, também majoritária, de que houve gastos desnecessários com o evento, mas a maioria não vê mais com simpatia o rumo turbulento tomado pelas manifestações.

O que vocês acham desses números? Deixem sua opinião!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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Miguel do Rosário

19 de fevereiro de 2014 às 12h15

Comentário que recebi de um leitor, por email.

Caro Miguel, o nosso grande problema é comunicação. Como fazer chegar para a população em geral os projetos, programas, as obras e tantas outras informações? Nossa publicidade governamental é falha, atrasada, copiamos o que outros governos faziam, colocamos páginas inteiras, duas páginas na revista “Veja” da Petrobrás, dos Correios, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, para quê? Vc acha que essas instituições vão lucrar mais, irá aumentar os números de clientes dos Correios. Ainda mais levando pancada em monte de notícias mentirosas, tendenciosas, que ficam destilando sempre o veneno contra o Governo Federal. Se vc fosse um cidadão comum, vc abriria uma conta no Banco do Brasil, sendo algumas páginas na frente da revista estão dizendo que a inflação vai voltar a subir, que o desemprego vai aumentar? Claro que não!! Então por que damos de graça estas publicidades? De graça!! O pior de tudo, nestes casos isto é dinheiro público.

Apesar de não carioca como vcs (Fernando Brito e vc) gosto muito do Rio, gosta do Brizola e sou apaixonado pela Petrobras. Vc acha que alguém sabe como o petróleo é retirado na Bacia de Campos? Vc acha que eles sabem o que é o Pré-Sal? Sabem da importância da Petrobras para a história do Brasil. Não sabem.

Eu sei vc sabe, alguns outros sabem, mas na hora de fazer o leilão de Libra o que tivemos? Bate-boca generalizado, porque? Falta de informação, somente isso. Vamos colocar a publicidade nos pequenos jornais de bairro, nos blogs, nos jornais de associação de qualquer classe, trabalhadores, comerciantes, e tantos meios de comunicação que tem mais penetração do que estes abutres da notícia. Quando entregamos a nossa publicidade para a Globo, nós estamos pagando o salário daquelas bestas do “Manhatan Conection”.

Alguém tem que comentar isso. Quem tem que pautar o Governo são os jornalistas da SECOM, das assessorias de imprensa dos ministérios e tantos outros órgãos públicos, não a Folha, o estadão, a Globo, a Veja e o resto do PIG.

Outra sugestão
Temos que conquistar a classe média urbana, que de alguma forma está a margem dos nossos governos. Tenho uma sugestão! Diminuir a alíquota do imposto de renda na fonte, ou seja, hoje que ganha acima de R$ 4.271,59 desconta 27,5% na fonte, quem ganha este valor paga o mesmo imposto de quem 20, 30, 40 mil.

Vc acha isto justo? Aumentamos este valor e aumentamos a alíquota de quem ganha mais, formando assim uma semente para taxar as grandes fortunas. Quem sabe desta forma seremos mais justos com a classe média! Pois querendo ou não na deficiência do sistema de saúde e do ensino a classe média migra para as entidades privadas.

O momento é grave, temos que nos unir em ações ordenadas. A direita está se fortalecendo com dinheiro nacional e de fora. A USAID está no Brasil, o PSDB, o DEM, UDR, o PIG, é bem verdade que eles não tem candidato forte, mas temos que ter cuidado, cuidado permanente, daqui a pouco inventam alguma coisa, aí a coisa fica difícil.

O ano é 2014, tem que ser o ano da virada, antes da eleição, temos que massacrar os cinquenta do golpe de 1º abril. Estou à disposição para o que vcs quiserem.
Brasília, 18 de fevereiro de 2014. 23:49 h

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João Batista

19 de fevereiro de 2014 às 14h14

Não VOTE ou vote no número 99 ou 00.

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C.Paoliello

18 de fevereiro de 2014 às 19h29

A presidenta Dilma precisa falar mais ao povo e divulgar o muito que tem feito.

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Luiz Barone

18 de fevereiro de 2014 às 19h55

Existe a abstenção que vai ser grande ai Dilma no primeiro turno essa é a lógica

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Celso Orrico

18 de fevereiro de 2014 às 15h55

Miguel, sinceramente? eu não estou nem um pouco preocupado comas eleições, acho que Dilma ganha primeiro turno por uma simples razão: olhemos a nossa volta ou um pouco abaixo e veremos que houve conquistas para melhorar a vida das pessoas, principalmente àqueles que sempre foram excluídos e marginalizados e essas pessoas não arriscarão essas conquistas por uma aventura.. a minha preocupação é com o pós eleição e um segundo mandato de Dilma e cada vez que olho para a Venezuela com Maduro meu receio aumenta..

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Lorenzo B M Barreto

18 de fevereiro de 2014 às 18h26

Pesquisa cristalizada só depois da Copa. Se as manifestações forem menos intensas e o Brasil faturar o Hexa, nada segura Dilma. Só resta aguardar…

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Flávio Agostini

18 de fevereiro de 2014 às 18h16

complexo…

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Theófilo Rodrigues

18 de fevereiro de 2014 às 18h06

Miguel, acho que ficaria melhor um gráfico que apresentasse tb os votos em branco e nulo (20%) e os que não sabem (10%). Acho que esses são os principais números, pois são esses que tendem a migrar majoritariamente para candidatos da oposição, o que poderia forçar o segundo turno. Abcs,

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Eva

18 de fevereiro de 2014 às 14h55

Estou confiante no Franklin Martins.

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