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Luis Nassif: Brasil ficou grande demais para neogetulismo

Por Miguel do Rosário

20 de fevereiro de 2014 : 18h58

Um bom artigo de Nassif. Simples, objetivo, direto.

O jogo político está zerado

qui, 20/02/2014 – 06:00 – Atualizado em 20/02/2014 – 07:30

Por Luis Nassif, em seu blog.

A grande vantagem da democracia é que nenhum governante ou partido consegue dormir em cima dos louros da vitória. O país desenvolve-se etapa por etapa.

Quando uma etapa está prestes a se esgotar, surgem sinais nos horizontes, não muito claros, apenas indícios, insatisfações difusas que indicam o esgotamento do modelo em curso e a necessidade de se iniciar um novo ciclo.

Quem não decifra o novo, é devorado. Foi assim com Winston Churchill e Franklin Delano Roosevelt, duas das figuras referenciais do século 20. Já o medíocre Ronald Reagan teve o insight vitorioso sobre os ventos de liberalização da economia e quando o novo tempo chegou ele estava à frente.

Por sua vida e formação, e pela própria lógica partidária do PT, Lula entendeu os tempos da inclusão e da solidariedade social e tornou-se referência mundial.

***

O ciclo da inclusão se completou: daqui para frente é só garantir a manutenção.

Mesmo assim, hoje em dia, a radicalização política tornou-se uma batalha de retrovisor. Do lado da oposição, a tentativa cada vez mais débil de desqualificar o modelo inclusivo; da parte do governo, o acomodamento de julgar que o sucesso da etapa anterior é garantia de passagem para a nova etapa. Não é.

***

No vendaval dos oportunismos de toda espécie que sacudiram a Nova República, a bandeira dos despossuídos, dos não-organizados tornou-se peça chave na luta civilizatória. Os sindicalizados tinham os sindicatos para defendê-los; os setores econômicos, os partidos políticos e suas diversas associações; o poder econômico, de uma maneira geral, tinha a mídia. E quem defendia os que nada tinham? Lula entendeu a ajudou a criar uma nova classe de incluídos.

***

A sociedade civil brasileira ganhou maioridade. Há uma profusão de ONGs, movimentos, associações, sindicatos, organizações como nunca houve na história.

O país entra no estágio da sociedade norte-americana de meados do século 19, com um traço em comum: não querem ser meros agentes passivos; exigem participar da construção das políticas públicas em torno das quais elas desfraldaram suas bandeiras.

***

Dilma entendeu a importância de completar a inclusão social e de preparar a economia para novos investimentos, para a educação, a inovação.

Mas enredou-se em uma política de gabinete que a enfraquece politicamente, tornando-a mais vulnerável às pressões do Congresso e dos atores políticos antigos. Suas apostas têm esbarrado seguidamente em empecilhos criados pela própria burocracia pública e no não engajamento dos principais atores no processo, uma alienação típica de políticas de gabinete. As ideias não conquistam corações e mentes, não satisfazem nem os beneficiários de iniciativas nem os atores públicos.

Quando alguma demanda pública ganha dimensão maior – como ocorreu nas manifestações de junho de 2013 – supõe-se que tudo será resolvido com audiências pontuais, pequenos afagos que, até hoje, não resultaram em respostas satisfatórias.

A nova etapa política será do aprofundamento da democracia. O país ficou grande demais para comportar um novo grande pai, nos moldes do getulismo, pairando acima das forças sociais.

Sorte de Dilma é que a oposição parece entender os novos tempos menos ainda que o governo.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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George Ayres

21 de fevereiro de 2014 às 07h53

getúlio se tornou um porco ditador

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João Maurício Pimentel

21 de fevereiro de 2014 às 07h31

Discordo…..

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Ermindo Castro

21 de fevereiro de 2014 às 02h05

|Getulio um dos maiores Presidentes que o Brasil teve até hoje !!!

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Glaci Paulina Krann

21 de fevereiro de 2014 às 00h44

Achei muito bom… Se um não está ” a gosto” o outro será muito pior.

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Antonio Luiz Teixeira

20 de fevereiro de 2014 às 21h43

Afinal, Sr. Damastor Dagobé, quem é mesmo você? Este do DCM (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mensalao-stf-ouve-advogados-mas-votacao-de-ministros-e-adiada/), ou este do Cafezinho?

Vafanculo • uma hora atrás
tem uma profecia sinistra mas inescapável: esse governo vai pro saco mais cedo ou mais tarde – mais cedo que tarde – por conta de sua politica de confronto aberto com a classe media e desprezo com suas justas demandas nas áreas de segurança publica, investimento (falta de) em infra estrutura, combate à corrupção principalmente..tudo isso é minimizado com desdém como
coisa de privilegiado (como se ficar vivo ou ter transporte adequado fosse um enorme privilegio)…enfim quem viver verá..

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MA Mauricio

20 de fevereiro de 2014 às 22h05

Bom… Mas não excelente. Acho que ele não tinha o que escrever hj.

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