Ato público pela valorização do serviço público

Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda.

Analista alemã confirma: EUA manipulam “protestos” em todo mundo

Por Miguel do Rosário

02 de março de 2014 : 14h00

Entrevista com Sara Burke, feita pela Folha, traz algumas afirmações bombásticas que o próprio jornal preferiu abafar, dando destaque a trechos mornos.

A analista política da fundação Friedrich Ebert, ligada à centro-esquerda alemã, com sede em Nova York, é uma das maiores pesquisadores de protestos e manifestações populares do mundo, tendo já escrito diversos livros sobre o assunto.

Burke não tem papas na língua. Separei dois trechos que ilustram o que ela pensa de alguns assuntos mais quentes. Alguém poderia sugerir a FHC que lesse com lupa essa entrevista. Talvez aprendesse a ser menos colonizado.

A analista explica que a razão pela qual o presidente da Ucrânia não assinou os acordos políticos e comerciais com a Europa, em novembro último (o que motivou os protestos), era que eles exigiriam, como contrapartida do governo, uma série de reformas e medidas dolorosas para a população, em troca de empréstimos que o FMI se dispunha a dar.

Engraçado, nunca li isso em nossa imprensa!

Em outra parte da entrevista, Burke é bem direta sobre o patrocínio externo aos protestos: “Isso fica mais complicado – na Ucrânia e na Venezuela, como a Síria – com o fato de as potências externas usarem o confronto local para praticarem suas guerras por procuração.”

Em seguida, a analista lembra uma conversa da Secretária de Estado, Victoria Nuland, com o embaixador americano na Ucrânia, e sugere que isso revela que o governo dos EUA estava tentando “direcionar os protestos para seus próprios objetivos, para aquilo que alguns alegam ser um golpe de Estado contra um presidente eleito e não uma solução democrática.”

Ora, aqui no Brasil, até mesmo setores da ultra-esquerda, como vimos na declaração recente de Luciana Genro, candidata a vice-presidente pelo PSOL, festejaram o golpe na Ucrânia como uma “revolução popular”…

Burke poderia ter acrescentado ainda que o golpe na Ucrânia se deu com financiamento a grupos neonazistas, conforme se pode ver em centenas de fotos e denúncias de dezenas de blogs e sites.

Abaixo, um trecho (já citado) da entrevista:

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Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda.

Na foto, John McCain, senador do Partido Republicano dos EUA, ao lado do líder do partido neonazista da Ucrânia, o Svoboda.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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11 comentários

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Luciano

05 de março de 2014 às 22h22

Olha só gente, a estratégia já é manjada. Os norte-americanos financiam golpes pelo mundo contra governos de países contrários aos seus interesses. Usam a impressora de dólares para comprar a mídia local e incitar revoltas e instabilidade através de jornais, TV e internet. O controle da mídia local é muito mais eficiente, barato e rápido do que o uso de armas, soldados e tanques. O comunismo, o terrorismo ou armas de destruição em massa, são apenas desculpas para expandir o imperialismo através de mercados de consumidores escravos, transformando o país vítima do golpe em uma neo-colônia. Já fizeram em vários países, inclusive no Brasil em 1964 com a ajuda da Rede Globo.

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Yana Árias

03 de março de 2014 às 21h17

Carlos Dias, quanto mais guerras pros EUA melhor. Assim podem vender mais armas, diminuir a superpopulação especialmente de países indigestos e melhorar e muito seu PIB.

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O Cafezinho

03 de março de 2014 às 18h29

E observe, Guilherme Preger, que o recado principal da analista é que nenhuma crise pode ser resolvida sem democracia e sem representação política. Ou seja, no frigir dos ovos, por mais que protestos sejam importantes, o que resolve, concretamente, a vida das pessoas, são políticas públicas conduzidas por governos eleitos democraticamente.

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O Cafezinho

03 de março de 2014 às 17h54

Disseminar o #naovaitercopa

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O Cafezinho

03 de março de 2014 às 17h53

Prezado Guilherme Preger, você se tornou muito maniqueísta, só vê as coisas em branco ou preto. Ou seja, se há críticas a um tipo de protesto, você entende que se está criticando todo o tipo de protesto. Não é isso. Nem a alemã aqui fez isso. O que ela diz, com todas as letras, é que “fica complicado” para os próprios manifestantes quando seus protestos, legítimos, começam a ser manipulados por interesses de potências estrangeiras. No caso da Ucrânia, os EUA passaram a financiar a oposição. Houve isso na Síria e na Líbia, onde protestos legítimos, autênticos, populares, rapidamente foram instrumentalizados por interesses obscuros. Aconteceu no Brasil também, quando vimos protestos populares serem rapidamente instrumentalizados pela mídia e pela direita, com objetivo de fazê-los se voltar contra Dilma. É o que se está fazendo agora com os protestos contra a Copa. Todas as organizações de extrema-direita, inclusive internacionais, estão financiando páginas e seus robozinhos fake, para disseminar a Copa. Hà discursos muito agressivos, golpistas mesmo. Isso não quer dizer que todos os protestos contra a Copa são manipulados e muito menos que os manifestantes tenham essas intenções.

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Guilherme Preger

03 de março de 2014 às 05h43

Sobre a ação dos black blocs, a “analista” alemã diz explicitamente não considerar a ação deles sobre a propriedade uma forma de violência: ” Analisamos boa quantidade de protestos que empregaram métodos violentos, incluindo mais de 100 conflitos de vários tipos que incluíam violência contra pessoas (alvos dos protestos) e também destruição de propriedades e saques, que eu não considero uma forma de violência, mas muitos analistas consideram…”

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Guilherme Preger

03 de março de 2014 às 05h38

Mas há realmente alguma surpresa aí? Pelo tom do comentário, pode parecer que ela estava desmerecendo os protestos por serem supostamente “armados”. O que ela realmente disse é que o ex-presidente da Ucrânia estava entre a cruz e a espada, entre conseguir ajuda econômica da Europa ou da Rússia e que a ausência de opções verdadeiras originou a crise e a queda. Enfim, ele caiu por falta de “representação política”. Segundo a analista, a principal causa dos protestos no mundo inteiro (inclusive Brasil) é uma “crise de representatividade”, um diagnóstico já feito por muitos estudiosos. Sobre o Brasil, ela diz: “O Brasil fez progressos históricos contra as desigualdades, mas não foi o suficiente para satisfazer nem a necessidade de serviços públicos e custos de vida adequados, nem suas aspirações por mobilidade real. Como afirmamos no estudo, o conjunto de políticas necessárias para enfrentar as insatisfações que descobrimos são tão numerosas e intra-relacionadas que ultrapassam a capacidade de arranjos políticos existentes para lidar com elas de modo justo, pacífico e ordenado”. E continua sobre a incapacidade do governo brasileiro e de outros países de taxar os mais ricos: “Creio que a questão não é vivermos numa era de limitações fiscais, mas numa época em que a captura generalizada de processos governamentais por elites é tão dominante que elas não se vêem compelidas a distribuir riquezas. Vivemos numa era não de limitações fiscais reais, mas falta de disposição para taxar aqueles que mais facilmente podem pagar e daí usar essa receita para financiar necessidades sociais”. Qualquer semelhança com o caso brasileiro, em que a mobilidade social vem via economia de commodities (exploração e extrativismo) e não via taxação de grandes fortunas não é mera coincidência…

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Mauro

02 de março de 2014 às 23h23

Miguel,

no seu livro “Confissões de um Assassino Econômico”, John Perkins relata a linha de ação dos EUA para se tornarem o primeiro império verdadeiramente mundial: primeiro eles usam os assassinos econômicos , que são pessoas preparadas para oferecer um plano de desenvolvimento (com relatórios fraudados) e empréstimos aos países; se isso não der resultado eles usam os chacais, pessoas infiltradas para desestabilizar o governo(ou até assassinar presidentes, como foi no Equador e Panamá nos anos 80)e por último ,se os dois anteriores não obtiveram sucesso, intervenção militar, como ocorreu com o Iraque e o Afeganistão, e só não ocorreu com a Venezuela por que eles já estavam com as duas mobilizações anteriores, em 2001, e não tiveram forças para a terceira, mas o Chaves chegou a cair e voltou.
Então os EUA já estão com a segunda ação em prática…só falta a terceira para termos uma guerra mundial…o que eles adoram!

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Luís Carlos

02 de março de 2014 às 19h37

Luciana Genro e Roberto Robaina, ambos do PSOL do RS celebraram vitória dos golpistas neonazistas financiados pelos EUA na Ucrânia. Luciana Genro será candidata a vice presidente na chapa de Randolfe Rodrigues do PSOL.

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Luís Carlos

02 de março de 2014 às 19h27

EUA aliado aos neonazistas. Golpismo de ultradireita contra governo eleito democraticamente.

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