A entrevista de Haddad à Globonews

Crônica de uma perseguição continuada

Por Miguel do Rosário

07 de maio de 2014 : 19h38

A podridão da imprensa linchadora continua exalando seu cheiro insuportável, com apoio, infelizmente, de elementos importantes do Ministério Público e do Judiciário.

Publico abaixo duas notícias desalentadoras. O PGR chancela mais uma farsa midiática, ao dizer que “vê indicativos bastante claros” de que os condenados da Ação Penal 470 recebem “tratamento diferenciado”. Sim, doutor, recebem. Dirceu foi condenado a semi-aberto e está em regime fechado. O senhor mesmo já deu parecer em favor do trabalho de Dirceu, e Barbosa continua adiando.

Para agradar a mídia, contudo, Janot solta essa nota, com observações ridiculamente subjetivas, porque baseada em “indícios” que na verdade não existem. Janot chancela a história da “feijoada”, que nada mais era do que uma latinha de feijão que Delúbio comprou na cantina da Papuda, para comemorar seu aniversário ou coisa assim.

Será que Janot não viu que foram divulgadas fotos de Dirceu na Veja, o que violou sua privacidade? Que um assessor do PPS filmou o deputado, novamente violando sua privacidade? Isso não lhe diz nada sobre a situação de Dirceu na cadeia, exposto a todo o tipo de riscos inerentes a uma pessoa pública que continua sendo massacrada diuturnamente pela grande mídia? Que raios de regalias são essas?

E agora Dirceu terá a companhia de um homem com estado grave de cardiopatia, porque Barbosa escolheu 4 médicos violentamente antipetistas para escrever um relatório sobre a saúde do ex-deputado. Que regalias são essas? Não fosse a pressão midiática, qualquer médico recomendaria a prisão domiciliar para Genoíno.

É triste ainda ver o procurador tomando posição contra o governador do DF, num embate em que o governador foi o agredido, tanto pelo juiz Bruno Ribeiro, quanto por Joaquim Barbosa. O PGR tinha que se manter neutro nessa disputa, até porque não tem nada a ver com ele.

Vale a pena ler o segundo texto, um desabafo de Luis Nassif, cheio de indignação e revolta contra Joaquim Barbosa, que a cada dia se revela uma pessoa menor, um espírito mesquinho e vingativo, que vem alimentando um sentimento de justiçamento e truculência que só fazem mal ao Brasil.

O único ponto positivo que se pode tirar de notícias tão desanimadoras é que a truculência antipolítica patrocinada por mídia, STF e PGR, tem sido tão flagrante que agora estamos bem mais conscientes dos perigos de um golpe. E por estarmos mais conscientes sabemos que o campo progressista deve continuar pressionando o governo e o congresso para criarem instrumentos que reforcem o poder popular, para freiarmos o avanço de instituições não-democráticas aqui representadas por MP e Judiciário. Uma comunicação pública de qualidade, por exemplo, seria fundamental para fazer um contraponto à imprensa corporativa cada vez mais indiferente a qualquer escrúpulo ético relativo à isenção, à imparcialidade e à objetividade jornalística.

*

No Brasil 247.

PGR VÊ “INDICATIVOS CLAROS” DE REGALIAS NA PAPUDA

7 DE MAIO DE 2014 ÀS 18:50

Brasília 247 – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vê “indicativos bastante claros” de que os condenados na Ação Penal 470, o ‘mensalão’, receberam tratamento diferenciado no presídio da Papuda. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, ele cita visitas ao ex-ministro José Dirceu e ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares em dias e horários não estabelecidos, café da manhã diferenciado e até “uma feijoada exclusiva para os internos da Ação Penal 470”.

O parecer de Janot tem como base documentos enviados ao Supremo pelo Ministério Público do Distrito Federal. O presidente do STF, Joaquim Barbosa, havia pedido a opinião do procurador-geral sobre o assunto. De acordo com o parecer, as informações “formam um sólido contexto em que não há espaço para nenhuma cogitação de perseguição à administração prisional. Muito pelo contrário. Há indicativos bastante claros que demandariam uma atitude imediata das autoridades responsáveis”.

Segundo Janot, uma inspeção da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal constatou um “clima de instabilidade e insatisfação” entre os presos. O café da manhã diferenciado e a feijoada foram citados em “depoimentos formais de internos do sistema prisional”. Ele afirmou também que parlamentares não podem ter acesso livre aos presídios sem controle dos órgãos públicos.

O parecer rebate ainda ofício do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que disse que as irregularidades apontadas não foram devidamente explicitadas. “Inverossímil, para dizer o mínimo, a alegação da incompreensão sobre as questionadas medidas a serem adotadas para retomada do comando prisional”, disse Janot. Segundo ele, o governador do DF deu respostas com “caráter beligerante” ao STF, o tribunal, por sua vez, “acertou” ao apontar falta de disposição do governo nas apurações sobre as regalias, na opinião do chefe da PGR.

Nessa semana, a filha de José Dirceu rebateu críticas de que seu pai recebe tratamento diferenciado na Papuda. “A cela em que meu pai fica tem uma goteira logo na entrada. Não é bem iluminada. (…) A televisão é pequena. (…) Sua comida é a mesma de todos”, relatou Joana Saragoça (leia aqui). Na última quinta-feira, José Genoino retornou ao presídio, apesar de sofrer “cardiopatia extremamente grave”, segundo seu médico. Em recurso apresentado à Corte, a defesa do ex-deputado afirma que seu retorno à prisão será “pena de morte” (leia aqui).

*

No Nassif:

Barbosa adia mais uma vez decisão sobre Dirceu

qua, 07/05/2014 – 11:54 – Atualizado em 07/05/2014 – 11:57

Luis Nassif, em seu blog.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa resolveu protelar mais uma vez a autorização para José Dirceu cumprir a pena em regime semiaberto.

Encaminhou ao Procurador Geral da República os argumentos da promotora de Brasília, que alegou ter recebido denúncia anônima sobre supostas ligações de Dirceu pelo celular.

Tem-se na presidência da mais alta corte uma pessoa notoriamente desequilibrada, apossando-se dos poderes conferidos à presidência para desmoralizar amplamente a casa e a própria imagem da Justiça.

Não se sabe até quando outros Ministros – e autoridades do Judiciário – aceitarão passivamente um comportamento que compromete todo o sistema judiciário, que passa à opinião pública a ideia de que a Justiça é seletiva e o magistrado pode recorrer a toda sorte de chicana contra os adversários e a favor dos apaniguados.

Mesmo que Barbosa se escude da forma mais indigna nos poderes constitucionais de presidente do Supremo, nada impede a manifestação pessoal de pessoas que respeitam e prezam o Judiciário.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Ruy Acquaviva

08 de maio de 2014 às 10h57

Sabia que mais cedo, não mais tarde, o rabo preso do Janot iria aparecer.

Acabou a farsa, não tem um no judiciário que não esteja de rabo preso.

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Marina

08 de maio de 2014 às 06h52

Depoimento de traficante vale mais que investigação das autoridades do sistema prisional. A que ponto desceu o esses senhores guardiães da justiça. Não ficarei espantada se atribuírem a esses traficantes o “cargo” de agentes do STF e da PGR para monitorar as “regalias” de Dirceu e Genoíno na Papuda. Claro como traficantes são homens de ” negócio” serão recompensados por ” bom comportamento”. Sinto nojo e repugnância por esses senhores que brincam de justiciamento e são pagos regiamente com dinheiro do contribuinte.

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Manoel

08 de maio de 2014 às 00h22

Lembram daquela cena, o Sadan Hussein sendo tirado do buraco, que foi dito pelo americanos que seria o seu esconderijo. Eles começam a fazer a pressão. Um dia o sujeito tem um pensamento, no outro muda completamente.quem ficar do nosso lado será poupado!

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Francisco de Assis

07 de maio de 2014 às 23h12

USUÁRIO DE COCAÍNA ROBUSTECE JUDICIÁRIO E MINISTÉRIO PÚBLICO

Na páginas 14 e 15, Janot transcreve trechos de depoimentos de 2 internos do presídio, que foram denunciados pela posse de cocaína na cela em que se encontravam, para fins de consumo/tráfico.

Um deles, Renato, diz que “(…) já usou drogas no presídio (…); que disse aos agentes que porções do tamanho das que foram encontradas custariam R$50,00 dentro da cadeia (…); que é usuário de cocaína; que usa cocaína dentro do presídio; que uma porção de cocaína dentro do presídio custa de dez a cem reais; (…)”.

O outro interno, Leandro, diz que “(…) que escolheram o interrogando porque já trabalhava com RENATO; (…)”.

Na página 18 do relatório do PGR Rodrigo Janot, lê-se o seguinte: “Observa-se que as informações prestadas por autoridades da Defensoria Pública, do Ministério Público e do Judiciário, robustecidas por depoimentos formais de internos do sistema prisional local, formam um sólido contexto (…)”

É esquisito que tão portentosas Instituições, detentoras de fé pública, como o Supremo Tribunal Federal do senhor Barbosa e o Ministério Público do sr. Janot, e até mesmo a Defensoria Pública, também citada, precisem ser robustecidas pelos depoimentos de dois detentos, um deles usuário assumido de cocaína e outro, seu assumido companheiro de “trabalho”, denunciados por consumo/tráfico de cocaína na prisão e querendo, naturamente, se safar desta denúncia.

É, no mínimo, muito esquisito que a autoridade máxima do Ministério Público, o senhor Janot, em parecer à mais alta autoridade do Judiciário, o senhor Barbosa, venha se valer dos depoimentos altamente suspeitos destes dois internos do sistema prisional para robustecer as convicções do MP e o STF baseadas em notícias de jornais e em denúncias anônimas e infomais à promotora Milhomens, para, ao fim e ao cabo, formar um sólido contexto (ou seriam as tais circunstâncias de outro relatório do PGR ?) para a dedução e o encaminhamento de qualquer coisa..

Já houve mais sutilezas, e menos força bruta, no STF e no MP, nas suas argumentações para convencer a Sociedade, que lhes paga o salário e lhes delega as funções.

Mas, enfim, quando se verifica que 2 traficantes de cocaína, presos em flagrante com 450 kg de pasta-base em um helicóptero de um senador da república e de seu filho deputado, foram libertados pelo juiz em menos de 4 meses, o mesmo juiz, membro do Judiciário, que aponta para a anulação da operação e do processo contra os traficantes, processo este que, prosseguindo, terá o promotor encarregado, membro do Ministério Público, como testemunha de defesa dos traficantes…

Dizer mais o quê ?

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Messias Franca de Macedo

07 de maio de 2014 às 20h22

… Na prática, o golpe jurídico-midiático já foi dado!…O tal do Janot foi cooptado pela MÁFIA FASCIGOLPISTA! Só há um jeito: recorrer aos organismos internacionais ligados ao Direito, aos Direitos Humanos, à democracia e à civilidade!

De joaquim p/ Janot: “Se um for desmascarado, caem todos nós juntos! ‘Capiche’, procurador?!”

RESCALDO FASCIGOLPISTA: A FARSA DO MENTIRÃO está, apenas, no prefácio!…

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Ronaldo Reis

07 de maio de 2014 às 22h59

Dirceu era o substituto de Lula, essa turma previu isso…mesmo assim não adiantou que Lula colocou a Dilma, agora voltam seus misseis quimicos pra infectar (ou tentar matar) o que resta de força nesse sujeito que seria provavel herdeiro do socialismo que Lula instituiu no Brasil…se não resistir outros virão!…

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