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O corte de gastos e a Suécia

Por Miguel do Rosário

08 de novembro de 2014 : 09h52

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Prezada presidenta Dilma, caros governadores, estimados prefeitos, descobri a solução para a crônica falta de recursos para melhorar os serviços públicos no Brasil.

Distribuir o livro da Claudia Wallin, “Um país sem excelências e mordomias“, para todos os brasileiros.

Distribuir nas escolas e nas universidades.

Distribuir nas repartições públicas, especialmente naquelas do Judiciário.

Distribuir para cada um dos parlamentares.

É preciso, além disso, que a TV Brasil faça uma série de documentos com base nas informações do livro de Claudia Wallin.

Publicado, há apenas alguns meses, pela Geração Editorial, o livro é um murro na cara de uma sociedade cujos servidores públicos tornaram-se viciados em luxos e privilégios.

Nem é o caso de lembrar que a Suécia é pequena e o Brasil, grande. Isso vale para sermos um pouco mais compreensivos em relação à precariedade dos serviços públicos aqui, ok. É mais difícil dar médico para 200 milhões de habitantes do que para 9 milhões.

No entanto, sendo o Brasil infinitamente mais pobre que a Suécia, em termos de renda per capita e arrecadação per capita, as lições suecas de economia valem perfeitamente para nós.

Na Suécia, nenhum servidor público tem carro com motorista, secretária particular, exército de assessores, auxílio paletó, etc.

Todos pagam suas refeições com seus salários, que são modestos.

Os auxílios para moradia são modestos, e a pessoa morar com o conjuge, este paga metade.

Não há jatinhos para ninguém.

Se o servidor pegar um táxi ao invés de tomar o metrô ou ônibus, e pagar com dinheiro público, é recriminado pela mídia e pelas autoridades.

Não existe isso de deputados e juízes aumentarem seus próprios salários. Há comissões independentes para cuidar desse tipo de coisa.

Se quisermos um país melhor, teremos que discutir uma redução drástica dos luxos e privilégios de setores do Estado que parecem ver a si mesmos como uma casta à parte, superior à sociedade.

Na Suécia, ninguém é melhor que ninguém. O primeiro ministro vai para a fila de ônibus, lava e passa suas roupas e prepara a comida para seus filhos.

Não existe empregada doméstica na Suécia. Muito menos paga com dinheiro público. O Estado paga a faxina de um apartamento funcional de parlamentar apenas uma vez ao ano. O resto do tempo ele mesmo tem de limpar a sua casa.

Nas cidades, vereadores não recebem salários, apenas ajuda de custo, e continuam trabalhando em seus antigos empregos. Não tem assessores nem gabinetes: trabalham em casa.

Até alguns anos, os parlamentares da Suécia dormiam em sofás camas em seus próprios gabinetes.

Quanto poderíamos economizar, de fato, se fizéssemos uma revolução nos gastos com servidores?

Centenas de bilhões de reais por ano?

Isso não implicaria em redução da qualidade dos serviços. Ao contrário, ao invés de pagar almoço grátis para servidores, modernizaríamos o atendimento ao cliente.

Ao cabo, a qualidade de vida iria melhorar para todo mundo, até mesmo para o servidor público, que teria menos luxo, mas viveria num país muito melhor.

Temos que nos livrar, de uma vez por todas, da pecha de país onde governantes empregam parentes, tem vida luxuosa, e constroem aeroportos, com dinheiro público, apenas para uso pessoal.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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24 comentários

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Rosa Almeida

16 de fevereiro de 2017 às 08h33

Estou completamente de acordo, afinal, a sociedade brasileira tem que entender que funcionários públicos são para servir à sociedade e não o contrário, como acontece no Brasil.

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    Maria Flores

    29 de outubro de 2020 às 08h59

    Não acho que a culpa seja do servidor público, a maioria ganha em média 3000, as vezes menos, o problema são os políticos, juízes que tem toda essa mordomia, culpar todos os servidores públicos é irresponsabilidade, quando muitas vezes nem tem condições apropriadas no trabalho

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Mário

10 de novembro de 2014 às 14h48

Sabemos que o progresso é lento, é uma luta contínua contra as forças ultraconservadoras, mas o Brasil pelo menos está no caminho para tentar ser um país progressista e uma social-democracia ao estilo de França e países do norte da Europa. Sempre achei que uma vez que o neoliberalismo e os ultra-conservadores saíssem do poder, nunca mais o povo iria ter vontade de tê-los de volta e nunca mais voltariam ao poder, o que vem se confirmando até agora.

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Roque Ströher

10 de novembro de 2014 às 04h37

Corrupcao zero no Brasil ? Sonha marcelino !

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Rommel Oliveira Borges

10 de novembro de 2014 às 04h11

Assistam a reportagem do Jornal da Band que fala sobre os Políticos da Suécia! Se o povo brasileiro cobrar dos Políticos, como fazem os suecos, a corrupção no Brasil seria zero! http://youtu.be/-Yk4NQwpdYA

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C.Paoliello

09 de novembro de 2014 às 23h22

Tem muita mordomia precisando acabar. Mas para a preservação da democracia no país o mais urgente é acabar com a bolsa-imprensa, concedida à imprensa-empresa sob a forma da inútil e desnecessária publicidade governamental na mídia e na pseudomídia, esta última francamente predominante. É preciso, urgentemente, uma lei que PROÍBA propaganda do governo, nos 3 níveis, em veículos de mídia-pseudomídia, pois é um enorme desperdício de dinheiro público.

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Joel Julio Thurler

10 de novembro de 2014 às 00h41

Bom seria ótimo se acontece aqui. Mas, o aconteceria se fosse tirada essa “mordomia”? Aí sim, haveria uma ditadura para não acontecer.

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    Rommel Oliveira Borges

    10 de novembro de 2014 às 04h14

    Acompanhe o Canal Notícias Absurdas e veja o trabalho da OPS (Operação Política Supervisionada) do Lúcio Big. O objetivo do Canal é fiscalizar os Políticos no Congresso para dificultar a corrupção! http://youtu.be/GxavhUSGK9c

    Responder

Regina Vieira

09 de novembro de 2014 às 22h02

para reduzir a falta de recursos vamos a maior taxação sobre as grandes fortunas nacionais, e a redução das desigualdades e privilégios de sucessão nas aposentadorias…

Responder

Regina Vieira

09 de novembro de 2014 às 22h02

para reduzir a falta de recursos vamos a maior taxação sobre as grandes fortunas nacionais, e a redução das desigualdades e privilégios de sucessão nas aposentadorias…

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Paulo Henrique Campos

09 de novembro de 2014 às 19h02

Se considerar o universo “funcionário publico” vc tem: concursado, contratado, terceirizado, comissionado , de confiança, 1°, 2° e 3° e mais escalões, federais, estaduais, municipais, executivo, judiciário, legislativo, etc, que vão de fachineiro, professor, policial à médico, juiz, procurador e assessor parlamentar.
A grande
maioria dos funcionários públicos brasileiros são, ao contrário do que o texto quer passar, muito desvalorizados. Vide a mais numerosa classe deles: os professores.
No mais, é simplista comparar apenas um aspecto da sociedade entre dois países. Tem que se olhar a diferença entre ser funcionário público ou privado. Como a Suécia consegue ter gente qualificada no serviço público sem tentação à corrupção? O texto deveria mencionar quais os limites de ganhos na esfera privada naquele país. E também, assim como há limitação aos privilégios do primeiros escalão, se há uma limitação à “miséria” dos servidores comuns (mais um vez, vide os professores de Minas, por exemplo).
Tem que se ver como isso entra no contexto da sociedade em geral, senão é apenas mais um discurso do Estado Mínimo. Será que há na Suécia limites também nas privilégios das carreiras privadas? Há limites entres os salários menores e maiores nas empresas privadas? Enfim, a matéria aponta algo a se reformar na Brasil, sem dúvida. Mas, com essa visão tão pontual, não promete solução.

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    Maria Flores

    29 de outubro de 2020 às 09h03

    Concordo, mas sou a favor da reforma política, os políticos não deveriam nem indicar pessoas para algum trabalho na gestão pública,

    Responder

Scan

09 de novembro de 2014 às 15h03

Podiam ter economizado mais de US$ 2 milhões se não tivesses criado a falsa bandeira de procurar um submarino russo “invasor” que jamais esteve em suas águas e muito menos próximo de Estocolmo.
Agora gastarão boa parte do que economizaram em – que mais? – equipamento militar que os “protejam do ameaçadores russos invasores” (sic!).
A direita de lá é tão doente quanto a nossa.

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radamantys

08 de novembro de 2014 às 23h10

eu vi esse video tem um tempo, mas é perfeito para esse post pois reafirma o que foi dito aqui : https://www.youtube.com/watch?v=3aC4A7bSnXU

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Caroline Freire

08 de novembro de 2014 às 18h13

Eu queria dizer que, na minha humilde opinião, este tipo de raciocínio não leva a lugar nenhum. Não adianta nada exigir dos políticos e funcionários públicos que tenham a vida modesta da classe média enquanto a diretoria das empresas privadas tem vida de sheik. Tudo que eles querem é uma suposta “igualdade” com a casta superior da sociedade. E, convenhamos, seguindo a filosofia da meritocracia neoliberal, nossos ministros estão lá por competência, correto? Esta ladainha de exigir a popularização dos nossos governantes só faz da esquerda mais obtusa. É necessário que comecemos a analisar e condenar o sistema como um todo. Obrigada.

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    ZéTavares

    08 de novembro de 2014 às 22h51

    Muito boa colocação.

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Armand de Brignac

08 de novembro de 2014 às 15h13

Vamos entregar um exemplar do livro à presidentA, que ficou mais de 40 dias a fazer campanha e deixou o país à deriva !

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    Scan

    09 de novembro de 2014 às 14h47

    O “país à deriva” ainda é 237 vezes melhor do que o país nas mãos dos teus candidatos.

    Responder

Vitor Hugo de Jesus

08 de novembro de 2014 às 16h52

Sempre disse que sustentamos uma corte real. Essas regalias da época imperial são tão atemporais como amorais.

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    Maria Flores

    29 de outubro de 2020 às 09h10

    Só esclarecendo, a maioria dos servidores públicos ganham em média 3000, muito menos que o Judiciário e Legislativo, todo mês é descontado na folha Imposto de renda, mais 487,35 pu até mais dependendo do salário isso para aposentadoria, não há FGTS, nem PIS, isso foi um acordo para a estabilidade, se isso acabar quem vai garantir que não haja corrupção maior, quando os servidores estiverem a mercê dos politicos

    Responder

Jonas Ferreiro

08 de novembro de 2014 às 16h17

Responder

Pipo

08 de novembro de 2014 às 13h18

Eu já estive na Suécia posso dizer que temos muito a aprender com eles.
Por lá tudo é muito simples e muito bem organizado. Não há privilégio e todos são iguais bem como o texto diz. Tudo tem regulação para evitar bagunça. Profissões, trabalho, comércio, construção civil, transporte, agricultura, media etc é tudo bem regulado e fiscalizado. Tem que ser bom para todos. Por lá não ví nada mal feito e tudo parece ser muito bem planejado com antecedência. Quando pisei novamente em solo brasileiro me senti como se estivesse no século 18 tamanho o contraste e atraso que pude sentir ao voltar.
É evidente que o atraso brasileiro esta nas mentes das elites brasileiras e dos poderosos da midia que insistem em esconder dos brasileiros bons exemplos que se tem na europa e principalmente nos países escandinavos.

Responder

Walder Carvalho de Oliveira

08 de novembro de 2014 às 15h06

Quem faz as leis é o Legislativo, eles jamais cortariam na própria carne….

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    Rommel Oliveira Borges

    10 de novembro de 2014 às 04h06

    É por isso que temos que fazer pressão em cima deles! Acompanhe o Canal Notícias Absurdas e veja o trabalho da OPS (Operação Política Supervisionada) do Lúcio Big. O objetivo do Canal é fiscalizar os Políticos no Congresso para dificultar a corrupção! http://youtu.be/GxavhUSGK9c

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