Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

O mundo sombrio do petróleo

Por Miguel do Rosário

04 de fevereiro de 2015 : 20h33

Oil-War (1)


 

Não é que sirva de consolo, mas ajuda a nos dar uma referência e, sobretudo, a não tirarmos falsas conclusões do escândalo de corrupção na Petrobrás.

Em meados de 2011, dois jornalistas americanos lançaram um livro que abalou a política do Alaska.

Até meados dos anos 90, o Alaska era o principal estado produtor de petróleo nos EUA.

Hoje as suas reservas e sua produção foram ultrapassadas por Texas, Dakota do Norte e o Golfo do México.

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O livro, intitulado Crude Awakening, denuncia décadas de relação promíscua e corrupta entre as grandes empresas de petróleo atuantes no Alaska e a elite política local.

As companhias pagavam propinas milionárias a parlamentares, além de contribuições de campanha, para que estes lhes assegurassem impostos baixos e propusessem projetos de infra-estrutura que lhes beneficiassem.

O exemplo me parece adequado para nos alertar sobre o esforço de nossa mídia em associar a corrupção na Petrobrás ao fato dela ser uma estatal.

O petróleo era explorado no Alaska por companhias privadas, e havia corrupção do mesmo jeito. Com uma diferença: as petroleiras pagavam pouco imposto, enquanto a nossa Petrobrás é a maior pagadora de impostos do Brasil.

Na verdade, a indústria de petróleo, segundo a ONG Transparency International, ganhou a medalha de setor mais corrupto do mundo.

Há explicação para isso, naturalmente. O setor de petróleo é o que envolve mais riscos, mais perigos, mais guerras, mais dinheiro, mais especulação, mais geopolítica.

Ao mesmo tempo, é o setor estrategicamente mais importante do planeta, porque ligado àquela que ainda é, e continuará sendo por décadas, a principal fonte de energia para transportes e indústria.

É um jogo bruto, num mundo sombrio.

A queda nos preços do petróleo tem sido atribuída, em diversas reportagens, como esta publicada ontem pelo NY Times, a uma operação da Arábia Saudita para forçar a Rússia e Irã a não mais ajudarem a Síria.

O que a mídia americana, a mais governista do mundo, não fala, é que os EUA também devem estar por trás da estratégia, porque o petróleo barato impulsiona a economia americana, de um lado, e enfraquece todos os seus principais inimigos políticos: Rússia, Irã e Venezuela.

A monarquia saudita tem reservas de US$ 733 bilhões e aguentaria uns cinco anos de preços baixos. Além disso, os sauditas, com luxuoso auxílio do Tio Sam, tornaram-se exímios operadores em bolsa, e seguramente compensam as perdas no preço do barril através de ações especulativas. Por exemplo, ficam “vendidos” em ações de Petrobrás, e ganham bilhões quando as cotações da estatal caem na bolsa de NY.

A queda no preço das ações da Petrobrás se deve a uma conjuntura negativa.

A estatal vive uma situação delicada, em virtude, paradoxalmente, de uma coisa boa. A Petrobrás descobriu o pré-sal num momento em que o mundo vivia um problema grave de liquidez, e por isso teve dificuldades para alavancar dinheiro para iniciar os trabalhos de exploração nos novos campos.

Com a “revolução do xisto”, um petróleo disperso em meios às rochas, cuja exploração se tornou viável apenas recentemente, em função de novas tecnologias, os EUA de repente voltaram a ser grandes produtores, em especial o estado do Texas.

Aliás: a Petrobrás está posicionada estrategicamente bem no coração do Texas, com a refinaria de Pasadena, tão maltratada pela mídia, pela Graça e por Dilma, mas que, em virtude do xisto tornou-se um dos ativos internacionais mais promissores da empresa.

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Ou seja, não há perspectiva de déficit de petróleo para os EUA pelo menos até 2035. Ao contrário, o país deverá se tornar exportador de gás e petróleo a partir de 2019, segundo estudos da BP e da Agência Internacional de Petróleo (IEA).

Essa conjuntura não oferece um cenário favorável a preços altos para o petróleo, o que é bom para o mundo, porque ajuda a baixar o custo de vida em todo o planeta, incluindo o Brasil, mas prejudica países dependentes da exportação de petróleo – o que não é o nosso caso.

Entretanto, os já citados estudos também apontam para um crescimento contínuo do consumo de petróleo e gás, durante as próximas décadas, impulsionado sobretudo pelos mercados emergentes, em especial Índia e China, onde a quantidade de veículos per capita ainda deve crescer de maneira extraordinária.

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Em tese, para a Petrobrás e o Brasil, o mercado de petróleo é lucrativo na alta ou na baixa, por causa do monopólio virtual sobre a produção e a distribuição. Se o preço está baixo, a Petrobrás ganha no refino e na distribuição. Se está alto, ganha na produção.

O problema é que a Petrobrás encontra-se num momento delicado de investimento em exploração.

A necessidade de investir obrigou a Petrobrás a se endividar.

Ela se endividou para poder investir nas novas plataformas de exploração no pré-sal.

Aí quando a cotação do petróleo começou a cair, foi como uma puxada de tapete.

A nossa sorte é que o pior já passou. Já temos plataformas instaladas suficientes para iniciarmos um processo crescente de produção nas áreas do pré-sal. Se essa crise viesse dois ou três anos atrás, as coisas seriam bem mais difíceis.

A partir do momento que a produção do pré-sal aumentar, como já está acontecendo, o caixa da Petrobrás sentirá um grande alívio financeiro, porque vai reduzir a sua dependência de capital externo.

De qualquer forma, a Petrobrás, após ser vítima de ladrões dentro e fora dela, agora é atacada de maneira igualmente injusta por uma mídia absolutamente partidária.

Os números da Petrobrás são ótimos. Recorde em cima de recorde. Nunca uma petroleira conseguiu extrair tanto petróleo de novas reservas em tão pouco tempo.

Segundo o último boletim da ANP, a produção de petróleo no Brasil, em dezembro de 2014, alcançou 2,49 milhões de barris/dia, alta de 18% sobre igual mês de 2013 e crescimento de 6% sobre mês anterior.

A produção de gás natural disparou quase 17% em dezembro, na comparação com o ano anterior, e 4%, sobre o mês anterior.

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Nos últimos anos, a Petrobrás aumentou suas reservas, sua produção, seu refino, construiu as plataformas mais modernas do mundo, financiou o ressurgimento da indústria naval.

Não foi à tôa que, apenas este ano, a Petrobrás ultrapassou a Exxon e se tornou a maior produtora de petróleo do mundo, entre empresas com papeis negociados na bolsa, e ganhou o maior prêmio mundial do setor de offshore.

Graça Foster, a agora ex-presidente da Petrobrás, por sua vez, ganhou, também este ano, o principal prêmio mundial concedido a engenheiros do setor.

Todos os estudos sinalizam que o petróleo continuará sendo um insumo vital para o planeta até pelo menos meados de 2050.

Há uma tendência crescente e saudável por combustíveis menos poluentes, que fará com que não apenas a posição das energias limpas aumente substancialmente, como os novos motores sejam mais econômicos e eficientes (rodando mais quilômetros com menos gasolina).

Mas o petróleo ainda será dominante por um bom tempo, e espera-se um aumento vigoroso da demanda, por causa dos mercados emergentes.

Segundo o boletim mais recente da Agência Internacional do Petróleo (IEA), o equilíbrio entre oferta e demanda, folgado hoje, voltará a ficar apertado até o fim do ano, o que poderá contribuir para a melhora dos preços do petróleo.

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Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, edição de 2014, informa que as reservas mundiais de petróleo, provadas, estão em 1,69 trilhão de barris, sendo que os países membros da OPEP detêm 72% delas.

Acho importante a gente conhecer a situação dos principais países do setor (em produção ou consumo). Então preparei um quadro com os números da ANP:

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A lista de países nos causa um frisson geopolítico…

Conclusões:

1) A queda nas cotações do petróleo, ao contrário do que prega a mídia brasileira, comprova a importância de manter a Petrobrás no comando de ambos os lados do balcão: na produção e na distribuição, porque assim ela pode ganhar na alta ou na baixa – e continuar sendo a maior pagadora de impostos do país (à diferença da mídia, que sonega).

2) Nossas reservas, em verdade, mesmo com o pré-sal, não são grande coisa, então deveriam ser guardadas apenas para o consumo doméstico. O mundo pode pegar fogo lá fora, as cotações podem explodir ou derreter, que manteremos uma tranquila autonomia em petróleo.

3) Por isso é tão importante também construir refinarias, outro fator de soberania e segurança econômica.

4) A corrupção tem de ser combatida, com transparência, investigação e implementação de um sistema de governança mais rígido. Não é preciso nenhuma pirotecnia midiática, nenhuma privatização, nenhuma “abertura”. A Petrobrás tem de aguentar o tranco, com firmeza.

*

Não comentei nada sobre esse novo terrorismo da mídia e das redes, sobre “impeachment” da Dilma, porque esse papo não me engana mais.

O terceiro turno já acabou.

Esse terrorismo vulgar parece, em verdade, apenas estupidez da oposição, por um lado, e oportunismo da ala direita do governismo, de outro, porque, de certa maneira, blinda o governo contra críticas crescentes da esquerda.

Afinal, quem vai criticar um governo que está sendo ameaçado de golpe?

Se o Congresso botar em votação o impeachment da presidenta, não será militância petista que irá para a rua, e sim o povão, e isso é deveras perigoso.

A Dilma apanha da esquerda que nem gente grande, mas é nossa. A gente tem o direito de criticá-la quanto quiser.  Mas se tocarem na democracia, aí é guerra!

Não vejo, por isso mesmo, clima nenhum para golpe.

Além do mais, quem vai substituir Dilma? Michel Temer? Cunha? Aécio? Ora, não está todo mundo envolvido com a corrupção da Petrobrás, ou qualquer outro escândalo?

Será um congresso completamente desprestigiado que irá votar o impeachment da presidenta?

Impeachment não é palhaçada.

Se forem derrubar Dilma porque alguém roubou, sem o seu conhecimento, então não sobraria mais um prefeito para contar história.

Seria a mesma coisa que deportar o vovô pra Indonésia porque o netinho fumou maconha no colégio…

O primeiro a rodar, por exemplo, seria Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.

Os problemas da Petrobrás não afetam diretamente a vida de ninguém. Pelo contrário, a Petrobrás continua pagando impostos bilionários e sustentando o Estado brasileiro. E a produção de petróleo e gás bate recorde todo mês.

Já o problema da água, gera prejuízos humanos e econômicos que afetam profundamente a saúde física de milhões de pessoas.

Sem água, doenças se proliferam. Escolas são fechadas. Indústrias interrompem produção. A agricultura sofre. Hospitais sofrem.

Por que FHC não manda o Ives Gandra escrever um parecer sobre o impeachment de Alckmin?

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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29 comentários

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surreal

07 de fevereiro de 2015 às 11h40

O POVO QUER SABER… SE NÃO QUEREM OU NÃO PODEM CHEGAR NOS VERDADEIROS MAFIOSOS TUCANALHAS, CORRUPTOS SECULARES E NA MÍDIA MÁFIA ANTI-NACIONAL, VERDADEIROS LESA PÁTRIA, QUALQUER OPERAÇÃO DA PF CONTRA A CORRUPÇÃO SERÁ APENAS OPERAÇÃO POLÍTICA DESTRUIDORA DE NOSSO POVO, PORQUE DESSA FORMA A JUSTIÇA CONTINUARÁ SENDO UMA BALANÇA MUITO DESEQUILIBRADA. O POVO QUER SABER… E OS MAFIOSOS CORRUPTOS TUCANALHAS SOLTOS??? SOLTOS DE INÚMERAS CPIS. ATÉ QUANDO??? ATÉ QUANDO OS CORRUPTOS TUCANALHAS VÃO CONTINUAR SENDO BLINDADOS PELOS JUÍZES E MÍDIA CÚMPLICE MERCENÁRIA??? O POVO QUER SABER. ATÉ QUANDO??? OU ATÉ QUANTO??? OU MUITAS EMPRESAS, POLÍTICOS E O POVO BRASILEIRO VÃO PAGAR AS PENAS, MENOS O LÍDER DAS CORRUPÇÕES: O PSDB E SEUS PROTEGIDOS? E ATÉ QUANDO A MÍDIA ENTREGUISTA VAI TRAIR O BRASIL E CONTINUAR IMPUNE???http://www.juniorpentecoste.com.br/2014/07/quem-e-o-lider-da-corrupcao.html

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Anônimo

06 de fevereiro de 2015 às 16h03

Euler, ainda que consigamos, retirar do cenario todos os que vc diz que conspiram cotra o Brasil( Globo, PSDB, juizes, a direita),ainda assim sobraria o PT e um governo sem rumo, e desses quem poderá nos defender?
O grande problema do Brasil é a falta de uma gestao publica seria, as medidas que vc chama de neoliberais, que estao sendo tomadas hoje, sao frutos de oito anos de irresponsabilidade fiscal, enquanto isso, o Mantega tocava a economia, como se estivesse brincando de Banco Imobiliario, ou Monopolio, sob a batuta da presidenta Dilma. Qualquer cidadao livre de paixoes politicas, com uma noçao basica de economia, sabia que o barco afundaria, e se a Dilma nao tivesse comprado(via liberaçao de emendas),a flexibilizaçao do superativ, a coisa estaria mais feia ainda. Quanto a Petrobras, a alguns anos venho acompanhando a forma temeraria como a empresavem sendo conduzida, a corrupaçao que esta na midia agora, é apenas um grao de areia, perto do buraco na qual a empresa vem se afundando, só um exemplo, sao as plataformas que estao saindo 30% mais caras, sob a desculpa de se gerar emprego, aqui, se esquecendo, que temos uma das mais altas taxas de encargos trabalhistas do mundo,a empresa há algum tempo vem se desfazendo de ativos importantes, para cobrir os rombos causados por essa s aves de rapina que pousaram lá. As crises vividas por esse governo, vem de dentro para fora, a grande maioria teve origem internas, muitas delas devido a disputa pelo poder, e a midia, e a incompetente oposiçao, se aproveitam disso. Euler para finalizar, o problema da falta de lideranças, é que a grande maioria delas se partidarizou, e se submeteu aos mimos politicos($$$$$$$$)em troca do silencio, perderam sua independencia.Volto a repetir, podemos nos livrar de todas esas forças que alegam que estao contra o Brasil, os pobes e etc…, masm quem nos livvrara dessa montanha de incompetencia, que é o governo hoje.

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surreal

06 de fevereiro de 2015 às 11h35

O POVO QUER SABER… SE NÃO QUEREM OU NÃO PODEM CHEGAR NOS VERDADEIROS MAFIOSOS TUCANALHAS, CORRUPTOS SECULARES E NA MÍDIA MÁFIA ANTI-NACIONAL, VERDADEIROS LESA PÁTRIA, QUALQUER OPERAÇÃO DA PF CONTRA A CORRUPÇÃO SERÁ APENAS OPERAÇÃO POLÍTICA DESTRUIDORA DE NOSSO POVO, PORQUE DESSA FORMA A JUSTIÇA CONTINUARÁ SENDO UMA BALANÇA MUITO DESEQUILIBRADA. O POVO QUER SABER… E OS MAFIOSOS CORRUPTOS TUCANALHAS SOLTOS??? SOLTOS DE INÚMERAS CPIS. ATÉ QUANDO??? ATÉ QUANDO OS CORRUPTOS TUCANALHAS VÃO CONTINUAR SENDO BLINDADOS PELOS JUÍZES E MÍDIA CÚMPLICE MERCENÁRIA??? O POVO QUER SABER. ATÉ QUANDO??? OU ATÉ QUANTO??? OU MUITAS EMPRESAS, POLÍTICOS E O POVO BRASILEIRO VÃO PAGAR AS PENAS, MENOS O LÍDER DAS CORRUPÇÕES: O PSDB E SEUS PROTEGIDOS? E ATÉ QUANDO A MÍDIA ENTREGUISTA VAI TRAIR O BRASIL E CONTINUAR IMPUNE???

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Pharaô

06 de fevereiro de 2015 às 01h28

Falta de organização,produz traição…
O Governo os “Cabeças” é Lula,Dilma e tal.Devem escolher, só os Honestos,Humildes de aurea Boa (aquele que vai pelo certo,pela justiça) puros de sangue”evitar ter IMPIOS,vermes,invejosos,interesseiros,pilantras!pra evitar sabotagem e infiltrações inimigas!
Tem que ter o tatal controle, pra eliminar corrupção traição!

Responder

    Pharaô

    06 de fevereiro de 2015 às 02h34

    É uma vergonha esses deputados e senadores.Manda mais, que o próprio governo e a presidente.É até ENGRAÇADO haha
    Parece que o governo,de Dilma ta sendo atacado por varios “Tuaregs” rsrs midia,oposição,sabotagem interna!Ham!e É O QUE ESTA ACONTECENDO
    e ele ta refem rsrsrs sem saber como JOGAR!

    Responder

Euler

05 de fevereiro de 2015 às 23h46

O que se sente é que há um vazio de poder, ou do poder real, que emana do povo. Dilma e o PT abrem mão do poder, como fez Lula também, quando a Globo impôs a saída do diretor da PF, que foi quem começou a aparelhar aquele órgão. Hoje, um juiz tucano, com o amparo de uma mídia golpista – que vergonhosamente mantém o monopólio da liberdade de expressão -, e com a assessoria de uma PF também tucana, arma-se esse circo que paralisa o país, praticamente.

O governo fica numa defensiva com cara de quem, por ser honesto, não teme. Burrice e fraqueza, essa é que é a verdade. Governo existe para agir, para não permitir que usurpem o poder que a população lhe conferiu. E ao invés de usar os instrumentos de que dispõe, o governo prefere fazer o jogo da direita, anunciando medidas neoliberais, ao mesmo tempo em que sofre derrotas na Câmara de Deputados, numa clara demonstração de inabilidade na articulação política.

Isso é ruim para o país. Estamos diante de uma crise que cresce em todas as direções. No congresso, os ventos conservadores apontam para a aprovação de medidas anti-povo, antidemocráticas e fundamentalistas.

Ao mesmo tempo, a mídia deita e rola no desgaste do governo e da Petrobras, a qual pretendem privatizar na primeira oportunidade. Estão pavimentando as condições para tal: primeiro, associam a empresa à corrupção generalizada, o que é falso, mas, para a plateia teleguiada pela mídia tucana é isso que aparece: a Petrobras, controlada pelo governo do PT, gera corrupção e desvios. Por isso precisa ser privatizada, e o governo do PT precisa acabar. É essa a mensagem clara que o esquema da Operação Lava Jato associada com a Globo e demais barões da mídia passa para a opinião pública. Praticamente sem reação do governo, do PT e das forças de esquerda, que não conseguem enxergar que não é apenas o PT que sai perdendo, mas toda a população de baixa renda, principalmente.

O contraponto a esse cenário seria o povo nas ruas, exigindo mudanças de acordo com as promessas de campanha da presidenta Dilma. Exigindo também o fim do monopólio das comunicações, este criminoso latifúndio da liberdade de expressão, dominado por meia dúzia de famílias golpistas. E uma reforma política que acabe com esse balcão de negociatas que se tornou o parlamento brasileiro.

O problema é que estamos cada vez mais sem lideranças com apoio popular, capazes de fazerem um chamamento ao povo brasileiro, denunciando o que está acontecendo e contribuindo para criar um forte movimento de enfrentamento político e ideológico ao atraso das forças conservadoras e fascistas que ganharam terreno nos últimos anos.

Eles detêm os meios de comunicação, os capitais, os juízes (quase todos), os promotores, o congresso (quase todo). As forças populares, embora tenham conseguido barrar a tomada da presidência da república pelo voto, estão desarticuladas. O governo federal, que poderia e deveria liderar um movimento nacional de resistência e mobilização em favor de reformas para o bem dos de baixo, ao contrário, faz o jogo da direita na economia, e desaparece na política e nas comunicações. Como é possível uma coisa dessa?

E com os riscos de apagões e a terrível falta de água adivinhem quem levará a culpa por tudo? Lógico que é o PT e o governo federal, que não conseguem, nem têm coragem para criar uma mídia alternativa para o contraponto à mídia golpista. Mas, no final das contas, todos nós, os de baixo, sairemos perdendo, e não apenas o PT e o governo federal, embora estes tenham a maior culpa pela situação criada. Pecam pela omissão, pela incapacidade de mobilizar as forças de esquerda e as vozes independentes e progressistas que poderiam fazer a diferença.

Quem está no poder, e com a responsabilidade que tem, presidenta Dilma, não pode se isolar, nem acreditar que o tempo resolverá tudo. É preciso se aproximar das lideranças, dos movimentos sociais, convocá-las para consultas, usar os instrumentos que dispõe para mobilizar a população – e o governo dispõe de muitos instrumentos capazes de fazer política, assim como a Globo e o juiz Moro e os tucanos na oposição e toda a mídia golpista usam dos instrumentos de que dispõem para fazer política o tempo todo: política de destruição do governo, da Petrobras, das conquistas sociais.

É hora de mobilizar o povo brasileiro para resistir ao golpismo em curso. Sem abrir mão de condenar corruptos, com o devido processo, mas sem permitir que esse falso moralismo tome conta do país e acabe azedando o ambiente de tal modo que não se consiga mais mobilizar ninguém para defender coisa alguma. É isso que a direita quer: uma população engessada, anestesiada, dividida, sem lideranças políticas com credibilidade para defender os interesses dos de baixo. Assim, eles, os de cima – internos e externos – poderão nadar de braçada e nos fazer voltar à condição de colônia, talvez até com escravidão formal e tudo mais. Não foi para isso que lutamos!

Responder

    andre cunha

    06 de fevereiro de 2015 às 02h25

    Calma gente esse discurso de medo exautado pelo falso pessoal de esquerda implantados dentro dos blogs não sabem de nada ao defender uma bandeira de um simbolo nacional, ei que o povo estes que sabem o embate do dia a dia e que definem o destino da nação são esses que resolvem votar massivamente em Lula ao qual chamam jesus cristinho da terra ou em Dilma a Virgem Maria dos pobres e mulher de Lula,eles não assitem televisão para ver horário politico nem assistir jornais que estão fora da realidade terrena. lutemos para avançarmos na democracia e a luta rainhida para mantela e só assim construiremos a PAZ social que no fundo da nossa alma e dos nossos coração nos liberta de todo o mau.

    Responder

Messias Franca de Macedo

05 de fevereiro de 2015 às 18h55

Os canalhas também envelhecem

Por Ronaldo Souza

QUI, 05/02/2015 – 17:08

Há cerca de 22 anos ouvi de um professor a frase que dá título a esse texto e jamais a esqueci.
(…)

FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/os-canalhas-tambem-envelhecem-por-ronaldo-souza#comment-570691

Responder

Messias Franca de Macedo

05 de fevereiro de 2015 às 18h52

Ives Gandra: um parecer a serviço do vale tudo

As Casas Congressuais, enquanto instâncias julgadoras, sujeitam-se às normas do estado democrático de direito. Não podem fazer o que desejam.

Por Martonio Mont’Alverne Barreto Lima.(*)

*Doutor em Direito pela Universidade de Frankfurt. Professor Titular da Universidade de Fortaleza. Procurador do Município de Fortaleza.

(…)

FONTE: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Principios-Fundamentais/Ives-Gandra-um-parecer-a-servico-do-vale-tudo/40/32808

Responder

Lucy Jane Da Silva Sauro

05 de fevereiro de 2015 às 17h27

Vou ler Linno Parker da Silva… para os íntimos. .. linnote!

Responder

Saulo Cerveira

05 de fevereiro de 2015 às 15h27

A estória completa tá aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=jQYK3ttfVaw#t=3066

Responder

Linno Parker da Silva

05 de fevereiro de 2015 às 14h14

Tchello Melo
Bruno Marcus
Lucy Jane Da Silva Sauro
André França
Texto grandinho mas muito bom.
Miguel Do Rosario, enxadrista das análises políticas e de geopolítica!

Responder

Mauro

05 de fevereiro de 2015 às 12h07

Miguel,

excelente e oportuna a matéria.

Gostaria de sugerir o video: O segredo das sete irmãs http://www.youtube.com/watch?v=jQYK3ttfVaw

A propósito,

há dias atrás entrei no seu site e vi uma propaganda da Empiricus.Descobri que é um anúncio do Google.
Eles podem fazer isso na sua página?
Aconteceu o mesmo no Conversaafiada.

Abraços.

Responder

Ricardo G. Ramos

05 de fevereiro de 2015 às 14h03

Maravilha de artigo!

Responder

Wanderley Nascimento

05 de fevereiro de 2015 às 12h41

Muito ilucidativo, de forma simples, mandou o recado!

Responder

Lulu Pereira

05 de fevereiro de 2015 às 07h14

boa

Responder

Messias Franca de Macedo

05 de fevereiro de 2015 às 01h57

… O Aécio ‘Never’ está cavando com os pés o próprio abismo!…

Os DEMoTucanos vão se enforcar com as cordas da irresponsabilidade!

##############

LAVA JATO VAI COMPARTILHAR DADOS COM ‘TRENSALÃO’

Ministério Público Federal autorizou o compartilhamento de documentos com a Justiça paulista que provariam o envolvimento do doleiro Alberto Youssef em contratos do metrô paulista; planilha apreendida pela Polícia Federal durante a Lava Jato contém informações sobre cerca de 750 contratos de obras públicas, entre elas a da Linha 15 do Monotrilho de São Paulo, que fariam parte dos planos de Youssef; pedido foi feito pela promotoria paulista no mês passado

4 DE FEVEREIRO DE 2015 ÀS 19:27

(…)

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/24

Responder

Messias Franca de Macedo

05 de fevereiro de 2015 às 01h52

JURISTAS ENTERRAM PARECER DE IVES GANDRA E FHC

Cai por terra o parecer do jurista Ives Gandra, produzido a pedido de um advogado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que vê condições jurídicas para um impeachment da presidente Dilma Rousseff; a tese defendida por Gandra está errada; é o que dizem Lenio Streck (ex-procurador de Justiça, professor e advogado), Marcelo Cattoni (doutor em Direito e professor da UFMG) e Martonio Mont’Alverne Barreto Lima (doutor em Direito e professor da Unifor-CE); eles apontam que a tese defendida por Gandra é inconstitucional, pois usa elementos jurídicos para justificar uma decisão política e citam ainda o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Moreira Alves, segundo quem “um processo de impeachment não é o espaço onde tudo é possível”

4 DE FEVEREIRO DE 2015 ÀS 19:29

(…)

FONTE: http://www.conjur.com.br/2015-

Responder

    Messias Franca de Macedo

    05 de fevereiro de 2015 às 02h44

    Impeachment para Dilma… e quem mais?, por Percival Maricato
    PERCIVAL MARICATO
    QUA, 04/02/2015 – 13:15
    Percival Maricato

    (…)
    O governador Geraldo Alckmin, por exemplo, seria uma das vítimas, tanto como teria sido FHC, a quem o advogado que requereu o parecer defendeu, ou Kassab, Haddad, Aécio, Lula etc. No caso de Alckmin não faltam episódios de corrupção no governo (casos do Metrô por exemplo) ou de erros dramáticos de avaliação(crise hídrica), ambos revelando culpa, suficiente para impeachment, se aceitarmos as conclusões do parecer. Mas como se pode discutir a legitimidade do governador paulista, eleito recentemente, o valor maior a ser defendido em um Estado Democrático de Direito? Ou a da Presidenta Dilma, eleita após os fatos citados como exemplo por Gandra já serem amplamente conhecidos? O julgamento dos governados não tem valor? Democracia, legitimidade etc, não pesam na hora de dar um parecer?
    (…)

    FONTE: http://jornalggn.com.br/noticia/impeachment-para-dilma-e-quem-mais-por-percival-maricato#.VNI7VE1kpMg.twitter

    Responder

      Messias Franca de Macedo

      05 de fevereiro de 2015 às 02h51

      Gandra resolveu faturar mais

      Gandra resolveu faturar mais alguns “trocados” se desviando de sua seara rotineira que é ajudar sonegadores a continuar sonegando e dar esta humilde contribuição para enterrar o país em uma grande crise institucional.

      Só um gigante moral faria tamanho sacrifício pelo bem da pátria

      Comentário proferido por André Oliveira

      qua, 04/02/2015 – 17:49

      FONTE: http://jornalggn.com.br/notici

      Responder

tielo

05 de fevereiro de 2015 às 00h57

Ronaldo Souza,resumindo seu texto,as mazelas pelas quais passamos hoje é tudo culpa do FHC, que a doze anos foi tirado do poder pela vontade popular. O pior cego é aquele que não quer ver

Responder

Nadya Ramalho

05 de fevereiro de 2015 às 02h45

Esse é o Miguel! Obrigada!

Responder

fernando oliveira

05 de fevereiro de 2015 às 00h25

Ah se o Janio Quadros ainda estivesse vivo para dar outro pontapé no fhc quando ele tirou foto sentado na cadeira de prefeito de são paulo antes das eleições…E eleição que perdeu justamente para o Janio Quadros!!!!! E ainda tem os safados que chamavam esse sujeito de Estadista.

Responder

Luciano Machado

04 de fevereiro de 2015 às 23h45

Os Estados Unidos imprimem dólares de graça, uma moeda que é aceita em todo o mundo, e dessa maneira criam valor “do nada” para sustentar sua economia insustentável. O petróleo é o maior concorrente do dólar pois é uma commoditie diretamente cambiável pela moeda, alguns até chamam de petrodólares. É por isso que os norte-americanos sempre interferem no mercado de petróleo, pois é como se outros países pudessem imprimir dólares também, e assim puxando riquezas para eles ao invés dos Estados Unidos.

Responder

Pedro Pereira

04 de fevereiro de 2015 às 23h20

Miguel,

Na minha humilde opinião, a Dilma tem que segurar a peteca até o 4 trimestre de 2016, quando as três grandes hidroelétricas e as duas novas refinarias estarão em operação, assim espero.

Além disso, será neste período que Libra passará a ser explorada pelo modelo de partilha. Aí ela virá o jogo, mas vai apanha muito até lá, e tem que para de fazer tanta burruda, ser mais esperta, e fechar a boca do Mercadante.

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Ronaldo Souza

04 de fevereiro de 2015 às 22h47

Os canalhas também envelhecem

Por Ronaldo Souza

Há cerca de 22 anos ouvi de um professor a frase que dá título a esse texto e jamais a esqueci.

Não tenho nenhuma dúvida de que ele a ouvira em algum lugar e adotou.

Somente algum tempo depois percebemos, eu e mais três colegas, que ele próprio foi um dos grandes canalhas com quem tivemos oportunidade de conviver mais de perto por algum tempo.

Sem saber, ao dizer aquela frase, que até hoje nunca ouvi de outra boca, ele me ajudou a entender melhor gente como ele.

Vejo na imprensa a seguinte declaração de Fernando Henrique Cardoso:

“No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais. Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas”.

Em uma matéria do Brasil 247, lê-se:

“Bem ao seu estilo de não comprometer-se diretamente com seus próprios atos – até hoje FHC não admite que teve qualquer responsabilidade no apagão energético ocorrido em seu governo -, Fernando Henrique não admitiu, inicialmente, que o pedido do parecer tivesse sido uma iniciativa de um funcionário do Instituto FHC. Mas foi descoberto”.

A matéria se reporta ao parecer do advogado tributarista Ives Gandra em que ele diz que “existem elementos jurídicos para o impeachment de Dilma Rousseff”.

Quem poderia esperar um parecer jurídico de tamanha leviandade de um advogado renomado aos 80 anos?

Importou-lhe saber que o seu parecer representa tão somente uma peça que se pretende incorporar ao planejamento do golpe do impeachment da presidenta que tomou posse há apenas 1 mês e sobre cuja integridade não paira nenhuma dúvida?

Ele sabe que o seu parecer tem somente esse objetivo.

Não lhe incomodou sequer a possibilidade de chamuscar a sua credibilidade pela contestação do seu parecer por outros profissionais, como já o fizeram vários advogados, entre os quais Fabio de Sá e Silva, Percival Maricato e Tarso Violin, que definiu como ‘mais uma mácula no currículo do advogado’, não apenas por ser frágil, mas por não ter respaldo jurídico?

Justifica-o o valor pago, segundo a imprensa entre 100 e 150 mil reais, valor de cada parecer emitido por ele?

Descobriu-se, para espanto de todos, que foi o advogado de Fernando Henrique Cardoso, José Oliveira Costa, quem pediu o parecer ao advogado tributarista Ives Gandra.

O homem que, ao comprar votos de parlamentares, episódio denunciado pela imprensa à época, alterou a Constituição Brasileira para conseguir a reeleição.

O homem que promoveu a maior venda do patrimônio do povo brasileiro no episódio que ficou conhecido como “A Privataria Tucana”, sobre o qual também é farta a documentação que comprova a ilicitude das negociações.

O homem que quebrou o país 3 vezes e 3 vezes foi ao FMI de pires na mão.

O homem sob cujo governo o país sofreu o maior apagão de energia da sua história, com enormes prejuízos para a nação…

Deu para trabalhar de forma dissimulada e cínica contra a estabilidade democrática do país, a mesma pela qual imaginávamos que um dia ele lutou.

Sabe-se de há muito da corrosão de FHC pela vaidade e inveja, mas agora o ex-professor, ex-sociólogo, ex-presidente, ex-tudo, extrapolou.

Fernando Henrique Cardoso também envelheceu.

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Luzete Luzt

04 de fevereiro de 2015 às 23h36

excelente, como sempre.

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Eduardo Pessoa

04 de fevereiro de 2015 às 23h09

Que maravilha de texto Miguel Do Rosario. Compartilhando!

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vinícius

04 de fevereiro de 2015 às 20h56

Miguel, tudo isso que está acontecendo é porque Lula e Dilma fizeram muita coisa boa.
O Brasil mudou para melhor e a turma não aceita.
Acompanhei a turma que fez barulho em frente ao congresso neste domingo.
São reacionários a serviço de quem não gosta da democracia.
Felizmente são poucos, mas capazes de provocar um grande estrago ao atuarem em parceria com o PIG.

Só quero lembrar que durante a eleição e após o resultado todos nós apostávamos que 2015 seria difícil.

Termino com a frase escrita em adesivo de um carro de participante da manifestação em frente ao congresso: “Não vamos desmobilizar”.

Abraço Dilmais de apertado.

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