Dinheiro sujo do Suiçalão pagou campanhas do PSDB?


Nada como um dia após o outro!

Como desconfiávamos, o Suiçalão é um covil de tucanos gordos.

Agora entendemos porque Fernando Rodrigues sentou-se em cima da lista por tanto tempo, e ainda tentou engambelar a sociedade com aquele papo de que só divulgaria nomes com “interesse público”.

Interesse público uma pinoia!

Diante da pressão das redes sociais, Rodrigues sentiu a batata assando e passou a bola pra Globo, até porque somente a Globo tem capacidade para criar uma narrativa astuta o suficiente para denunciar sonegadores, e ao mesmo tempo protegê-los da sanha justiceira do populacho.

É uma hipocrisia tão grande quanto Agripino Maia participando de marcha contra a corrupção.

A Globo revela que o tesoureiro de várias campanhas presidenciais tucanas, Marcio Fortes, tinha conta secreta na Suíça, não-declarada à Receita Federal, e que esse mesmo tesoureiro fazia doações pessoais milionárias para campanhas eleitorais do PSDB.

Segundo a reportagem, no ano 2000 Fortes foi a pessoa física que mais doou dinheiro ao PSDB – o equivalente a 21% do total arrecadado pela legenda nessa modalidade de financiamento.

Seria Marcio Fortes o “homem da mala” do PSDB, cujas campanhas ele abastecia com dinheiro sonegado à Receita, possivelmente fruto de propinas, já pagas ou agendadas para serem pagas após as eleições, caso o PSDB cumprisse o prometido?

O PSDB cumpriu o prometido, com prazer. O governo FHC privatizou dezenas de estatais, inclusive metade da Petrobrás, cujas ações foram vendidas a preço de banana na bacia das almas da bolsa de Nova York.

Diante de tudo isso, qual é a manchete do Globo?

“Políticos também tinham conta no HSBC”.

Ora, vão pentear bodes!

A manchete tinha de ser: Dinheiro sujo do Suiçalão comprou campanhas do PSDB.

Mas tudo bem, vira manchete no Cafezinho.

Outra notícia bastante interessante é a de que Fortes, que foi candidato a vice-governador na chapa de Fernando Gabeira, em 2010, doou meio milhão para a campanha do nosso ex-querido defensor da maconha. E isso dias depois de Gabeira ameaçar “dar uma banana” ao PSDB caso não recebesse mais apoio financeiro.

Ah, Gabeira, isso é mucho loco bicho! O seu baseado eleitoral foi pago com dinheiro sujo do Suiçalão!

Agora vai ficar difícil para você manter a pose de lacerdista indignado em seus artigos.

Se tivessem encontrado algum petista graúdo no Suiçalão, seriam 20 minutos de Jornal Nacional, manchetes garrafais nos jornalões de todo país, e dá-lhe martelar a notícia de dez em dez minutos nas rádios corporativas.

Ah, encontraram um petista, o vereador Marcelo Arar.

Só que tem um detalhe. Na época em que abriu e fechou a conta secreta, Marcelo Arar era filiado ao PSDB.

Como diria o blogueiro Paulo Henrique Amorim: quá, quá, quá!

O petista que encontraram no Suiçalão é, na verdade, um tucano!

De qualquer forma, é peixe pequeno.

O nome pesado da lista, o que tem mais “interesse público” é Marcio Fortes, secretário nacional do PSDB e tesoureiro de inúmeras campanhas tucanas.

(Atualização: Fortes foi tesoureiro nacional do partido).

Se o Suiçalão já pegou um montão de tucano gordo, Marcio Fortes pode ser considerado o mais obeso de todos.

É um tucano obeso-mórbido!

A Globo e a mídia, em geral, tentam desviar a atenção da opinião pública, misturando esse tubarão branco a um monte de lambari de outros partidos.

Nem vem que não tem.

É preciso focar em Marcio Fortes, ele é a chave da cadeia onde vários tucanos poderiam passar uma belíssima temporada, caso tivéssemos um ministério público e uma justiça republicanos o suficiente para enfrentar a Globo e prender corruptos do PSDB.

Assim como Aécio Neves, cujo pai foi deputado da Arena, o partido oficial do regime militar, Marcio Fortes também é um filhote da ditadura.

Aos 34 anos, em pleno regime de exceção, Fortes foi nomeado secretário-geral do Ministério da Fazenda, na gestão de Karlos Heinz Rischbieter. Nessa condição foi, por várias vezes, ministro da Fazenda interino.

Desde então, Fortes surfaria na crista da onda, ocupando sempre os cargos que mais lidavam com dinheiro.

Assumiu a presidência do BNDES em 1987, à frente do qual comandou o primeiro programa de privatização do país.

De 1993 a 1994, Fortes foi secretário de obras do município do Rio de Janeiro, função que lhe permitiu amealhar os recursos para fazer uma campanha eleitoral milionária em 1994.

De 1999 a 2003 foi secretário-geral do PSDB.

Fortes está relacionado a três contas no HSBC suíço, mas não sabemos quanto dinheiro, no total, ele movimentou. A Globo só nos informa que uma das contas ainda estava ativa em 2007, com um saldo de 2,4 milhões de dólares.

Ora, não queremos apenas o saldo. Queremos o extrato!

O tucano foi dono de uma empresa de construção civil, a João Fortes. Um ramo de negócios bastante conveniente para um político que é “secretário municipal de Obras”.

Imagine se Lula fosse dono de empreiteira, tivesse conta secreta não-declarada na Suíça e tivesse sido o principal doador individual para campanhas do PT?

Seria um escândalo. Mas tucano é que nem índio: inimputável. Pode cometer o crime que for, não há editoriais indignados, nem “protestos” de rua.

Os “revoltados online” também não parecem dar muita bola para os crimes de colarinho branco cometidos pelos bicudos.

Cada vez eu entendo mais a amargura de um Aloizio Mercadante e dos petistas de São Paulo, de maneira geral: eles devem praguejar contra o destino, todos os dias, por não lhes terem concedido a graça divina de nascerem tucanos.

Só tem uma categoria profissional, além de petistas de SP, com mais inveja de tucanos: narcotraficantes. Todos eles devem invejar o dono daquele carregamento de meia tonelada encontrada no helicóptero. Como o proprietário do helicóptero era senador amigo de tucano, não aconteceu nada, ninguém foi preso.

Se um petista graúdo (e autêntico, petista mixuruca e tucano como Marcelo Arar não conta) fosse pego com conta secreta na Suíça, não declarada à Receita, teria que se aconselhar com José Dirceu para saber como conviver com repórteres dia e noite acampados na porta da sua casa.

 

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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