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Guardian, de esquerda, é segunda audiência mundial

Por Miguel do Rosário

31 de março de 2015 : 10h59

a - KathViner


 

Alguém me envia link de uma reportagem no Le Monde sobre a nova diretora de redação do The Guardian, Katharine Viner, 44 anos. Na matéria, fico sabendo de algumas coisas que a mídia brasileira, profundamente conservadora, sempre escondeu do público.

O Guardian, um jornal britânico de centro-esquerda, tornou-se hoje o segundo site mais visitado no mundo, entre jornais de língua inglesa, à frente do New York Times (que ficou em terceiro lugar). O primeiro lugar é do sensacionalista Daily Mail.

A notícia lança por terra a acusação de que a esquerda não tem condição de possuir um jornal de grande circulação. Para isto, porém, é preciso um público mais instruído. E também uma gestão profissional, obviamente.

A vida financeira do Guardian, assim como de qualquer jornal hoje em dia, não é fácil. O segredo do sucesso do jornal na internet foi a decisão de dar gratuidade a todas as reportagens, à diferença do New York Times, que instalou um sistema de paywall, onde o leitor tem acesso a um determinado número de matérias antes de ser requerido uma senha para assinante.

Os jornais brasileiros também decidiram adotar o sistema paywall.

A firmeza financeira do Guardian, a despeito dos altos e baixos no faturamento, é consolidada por uma espécie de “caixa de guerra”, de 1,17 bilhão de euros, em participações acionárias em sociedades lucrativas pertencentes ao Guardian Group Media (GMG).

Segundo o Guardian, essa reserva lhe permite lidar com suas dívidas e assegurar, eternamente, a sua independência editorial.

A informação deveria servir também como base para as políticas redistributivas da Secom. A audiência da mídia de direita se tornou grande porque temos um sistema de comunicação cartorial. As concessões públicas, todas nascidas na ditadura, possuem propriedade cruzada e se protegem e se ajudam umas às outras.

Se houver incentivo à pluralidade, desenvolveremos uma cultura de informação mais democrática, com as pessoas buscando opiniões e notícias de fontes variadas.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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9 comentários

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francisco

19 de janeiro de 2017 às 10h21

“The Guardian” é um jornal voltado para a questão social, portanto se preocupa, de fato com a sociedade. Mas está longe de ser um jornal marxista, pois os marxistas não pensam no povo, os marxistas pensam como os grandes capitalistas, ou seja, pensam em deixar o povo pobre para usufruir do dinheiro deles e distribuem as migalhas ao povo. A diferença é que os capitalistas chegam ao poder através do empreendedorismo e do trabalho, muitas vezes usando a corrupção. Já os marxistas chegam ao poder fazendo promessas enganosas, não trabalham e vivem de criar divisões para poder lucrar com isso. Resumindo: tanto capitalistas quanto marxistas exploram o povo. Em um o povo fica escravo dos capitalistas, em outro ficam escravos de um Estado corrupto, que é a base de toda economia marxista. Se o “The Guardian” fosse brasileiro não apoiaria os tucanos, mas com certeza desceria o sarrafo nos bandidos petistas.

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Henrique Placido

01 de abril de 2015 às 17h58

“de esquerda” mais ou menos. tem feito bastante o jogo do imperio

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Marcelo Ikuzus

01 de abril de 2015 às 17h24

Nããão… agora toda vez que eu citar o Guardian, vão dizer que é cumunista, blá blá bla;

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Cynara Menezes

01 de abril de 2015 às 15h56

é o futuro!

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Marcos Doniseti Vicente

01 de abril de 2015 às 15h41

Precisamos, urgentemente, de um The Guardian ou de um ‘Página 12’ brasileiro.

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João Fontoura

01 de abril de 2015 às 15h29

Cynara Menezes, :)

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Augusto Diniz

01 de abril de 2015 às 09h37

O paywall já está sendo amplamente discutido lá fora de sua eficácia – enquanto no Brasil se aposta nessa tecnologia para se cobrar por acesso ao conteúdo. É que os acessos caíram bastante com o paywall e os anunciantes lá fora passaram a questionar a audiência e o resultado da publicidade. Só que nos Estados Unidos e Europa o número de audiência é coisa séria, muito bem apurado e sem manipulação – ao contrário do que acontece aqui, altamente controverso.

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Rivera Lisandro Guianze

01 de abril de 2015 às 12h20

Aqui no Rio tinha o JB, que se bem não era de esquerda, pelo menos apresentava muitos artigos interessantes. Agora só na internet, mas chegou a ter uma boa tiragem nos anos 80.

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Professor Iso

01 de abril de 2015 às 09h20

https://www.youtube.com/watch?t=119&v=dZLHlio62O4

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